Publicidade
SÃO PAULO – Em mais um capítulo da batalha entre siderúrgicas e mineradoras acerca dos contratos de minério de ferro, especula-se que a brasileira Vale (VALE3, VALE5) almeja um reajuste negativo de 27% nos acordos deste ano com as siderúrgicas asiáticas, conforme analisado por instituições chinesas.
“A Vale procura um corte de 5 a 6 pontos percentuais abaixo do acordo das australianas”, afirmou Hu Kai, analista da Umetal Research Institute, em entrevista concedida nesta segunda-feira (1). Cabe lembrar que a mineradora Rio Tinto acertou um corte de 33% junto à sul-coreana Posco.
Discriminação de preços? “Impossível”
No entanto, aparentemente as vendas no mercado spot devem ainda perdurar no horizonte. “Esses preços não refletem um benefício mútuo para a relação entre as siderúrgicas e as produtoras de minério de ferro”, explicou a Cisa (China Iron and Steel Association), ao recusar a proposta da Rio Tinto, que visava redução na casa de 33% junto ao setor na China, à luz das negociações feitas com as siderúrgicas japonesas.
“A Cisa não poderá aceitar estes preços e não seguirá este valor”, completou a associação, em comunicado divulgado no seu website. Com a recusa das siderúrgicas chinesas, quebra-se uma tradição de 40 anos no mercado de minério de ferro, na qual o primeiro acordo entre o lado da demanda e o lado da oferta servia como parâmetro para o resto das negociações, tanto em Pequim quanto em Frankfurt.
Mercado spot ganha força
Agravando ainda mais a evolução das negociações, a Umetal Research Institute ressalta a dificuldade da Rio Tinto em praticar discriminação de preços. “É impossível para as mineradoras australianas oferecer dois preços para o Japão e para a China pelos mesmos contratos de longo prazo”, observou Hu Kai, citando ainda que as chinesas deverão acertar os mesmos acordos das australianas com a Vale, embora haja diferenciação nos custos de transporte.
Por fim, a trinta dias do prazo final para a conclusão dos contratos, cresce o sentimento no mercado de que as negociações deverão continuar no mercado spot, como decorrência do insucesso das conversas.