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SÃO PAULO – Após a Economist, outra grande publicação internacional traçou um cenário ruim para as economias emergentes. “Uma verdade incômoda está tomando forma nos mercados emergentes: a sua história de crescimento está morta”, aponta o Financial Times, em artigo publicado na última semana.
Segundo a publicação, isso não quer dizer que as economias emergentes deixarão de crescer, nem que os ativos de mercados emergentes deixarão de proporcionar retornos atrativos, mas os dias atuais estão bem distantes daqueles em que estes mercados podiam ser vistos como a única classe de ativos disponíveis.
Além disso, conforme destaca o chefe de economia dos mercados emergentes do Citigroup, David Lubin, o espectro de “mito” do crescimento dos mercados emergentes já também não é mais válido. “A história dos emergentes é baseada em rápido crescimento, liderado pelas exportações, que oferece grandes superávits em conta corrente, acumulando reservas cambiais e expandindo o crédito interno. Isso já não acontece mais”, destaca Lubin.
Conforme destaca o FT, os protestos, que vêm se propagando tanto no Brasil quanto na Turquia, são efeitos do maior descontentamento e da desaceleração econômica. Assim, o ritmo da atividade econômica não é mais capaz de acompanhar as aspirações populares que foram levantadas durante os períodos de rápido crescimento antes e depois da crise de 2008-2009, avaliam.
E, de acordo com Lubin, o fim da história dos emergentes podem ser lidos através do desempenho das ações, com um reequilíbrio a favor dos mercados dos países desenvolvidos. Conforme destaca o diretor de estratégia de mercados emergentes do Barclays, Michael Gavin, o caso brasileiro é exemplar neste sentido, denominando-o como o “garoto propaganda do mau desempenho do mercado acionário”.
Segundo a publicação, o governo brasileiro fez com que muitos investidores acreditassem que os grandes ganhos do país em prosperidade ao longo dos últimos 15 anos foram resultado de uma transformação política que criou um ambiente previsível de inflação baixa, boa governação e de crescimento constante, posição que vem mudando ultimamente.
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“Os decisores políticos merecem a sua cota de crédito, mas muitos analistas agora dizem que o crescimento do Brasil foi causada, principalmente, pelo boom de commodities, dinheiro barato antes depois da crise – circunstâncias que não devem se repetir. Além disso, mais recentemente, a política tem sido muito menos amigável investidor. Segundo Gavin, as autoridades brasileiras têm uma visão dirigista do desenvolvimento.