Fato Real

A “Frente de Esquerda” é uma farsa

Vê-se que a esquerda brasileira persiste na vala daqueles que não entendem nada de economia e seu discurso é apenas um espetáculo que tenta enganar o povo. Combater o ajuste fiscal sem dizer o que colocar no lugar é perigoso

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A denominada “esquerda brasileira” não apenas traiu o eleitorado ao alicerçar um discurso mudancista em mero truque eleitoral. Também trai o distinto eleitor na medida em que confunde “políticas progressistas” no campo social com ignorância generalizada no campo econômico. Tudo não passa de uma farsa imensa.

Generalizam-se na mídia os comentários de que será formada uma “Frente de Esquerda”, cujo ideário ainda é bastante desconhecido, mas cujo proselitismo imediato é o de “ser contra o ajuste fiscal”.

Este é o campo teórico que juntará a “esquerda do PT” liderada por Tarso Genro com o PSOL e outros partidos da esquerda. No passado, Nelson Rodrigues chamaria tal espectro da política brasileira de “esquerda festiva” que eram os “havaianos” queimados pelo sol das praias da Zona Sul do Rio de Janeiro que se reuniam festivamente no Antonio´s, bar que se localizava no Leblon, zona nobre do Rio de Janeiro.

Agora, o adjetivo não cabe a esta turma. O correto é chamá-los de “esquerda ignorante”. Por detrás desta gente não podemos esquecer que trafega Lula da Silva e seus blue caps, os quais, nos convescotes do Instituto financiado por empreiteiras que leva o nome do ex-presidente, ficam a conspirar para a causa da candidatura em 2018.

A reação social a este tipo de propositura não pode ser silenciosa e pouco aguerrida. Tem de ser vocal e transparente, coisas escassas ao debate político brasileiro.

Pode-se contestar vários aspectos da política econômica liderada pelo ministro Joaquim Levy. É legítima qualquer crítica desde que esta leve em consideração um pressuposto básico e quase infantil: não é possível conviver com déficits públicos (primário e total, além do cambial) que sejam insustentáveis. A herança da administração passada da presidente Dilma foi um déficit insustentável. Fim de papo. Ser de esquerda não pode ser contra esta “identidade básica” da disciplina econômica.

Vê-se que a esquerda brasileira persiste na vala daqueles que não entendem nada de economia e seu discurso é apenas um espetáculo que tenta enganar o povo. Não desejam os “ex-vermelhos” influenciar a sociedade para a prática de um raciocínio minimamente inteligente e lógico em matéria econômica e, também, nas espécies das políticas sociais. Apenas querem tergiversar. Perigosamente.

A prestação de serviços do Congresso Nacional para a consecução de políticas republicanas é quase inexistente. As lideranças políticas, encarnadas na pele de Renan Calheiros e Eduardo Cunha, aproveitam-se vergonhosamente da ausência de Poder do outro lado da Praça dos Três Poderes para engendrar aprovações de medidas populistas que visam ou destruir o Erário ou destruir a já destroçada popularidade presidencial. Ou tem as duas metas.

Impressiona o silêncio social em relação ao andamento das coisas. Os que pagam os tributos, trabalhadores e empresários, aceitam estas mazelas com um silêncio estonteante. Em meio a este vazio, surge a “Frente de Esquerda” que seria risível não fosse perigosa.

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Caminhamos celeremente para uma recessão muito mais profunda que aquela que seria a “necessária” para o ajuste macroeconômico brasileiro. Faltar apoio ao ministro Joaquim Levy neste momento significa faltar ao Brasil, pois a sua tarefa é a de um tesoureiro que tenta segurar o caixa para pagar as contas. Eis uma tarefa nobre porquanto é “base de sustentação” de qualquer política, mas cuja projeção é bem limitada quando pensamos em “desenvolvimento”. Se a tal “Frente” quiser se posicionar, precisa dizer claramente como ajustará despesas e receitas sem inflacionar o país. Adianto a proposta: um “grande nada”.

Creio que, além da tarefa de reequilibrar a macroeconomia, a maior tarefa é tirar definitivamente as máscaras da “esquerda brasileira” que não passa de um engodo na qual cabe até Lula, o maior farsante deste país.