A Europa está lutando com o inimigo errado

Conteúdo do Portal InfoMoney - Editoria Mercados

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09h40 – 15/06
Coluna do Tamer
Paris – Nesta semana a Europa continuou prisioneira do falso dilema inflação ou crescimento. A indefinição sobre qual o inimigo a atacar intensificou-se com a divulgação de novos dados mostrando que, em maio, os índices de inflação na França, na Alemanha e agora também na Inglaterra – as três principais economias européias – aumentaram significativamente. Já apontam para mais de 3% analisados. Ao mesmo, tempo as estatísticas confirmam também que tendência de crescimento da economia regional recua para algo pouco acima de 2%, se tanto. E agora?
Surgiram aqui, nestes dias, as mais contraditórias e vagas declarações de autoridades monetárias. Não vamos tão longe, mas, perdoem-me a gíria meio grosseira, parecia o samba do crioulo doido…Ninguém sabe o que fazer.
De tudo, porém, podia-se tirar duas conclusões: não se deve contar com a União Européia para atenuar a desaceleração da economia mundial, que vai continuar dependendo do humor do consumidor americano, e, mais ainda, o euro perdeu a primeira grande batalha para tornar-se uma moeda de reserva de valor, devido principalmente às contradições do Banco Central Europeu.

Não contem com eles

Resumindo: neste ano o Brasil não vai exportar mais para a Europa e a Europa não vai exportar mais para o mundo. Ou seja, estamos entrando num ciclo recessivo afetará duramente os paises emergentes. Sem trocadilhos inoportunos, é esperar por mais chuva caindo em lugar errado. (A propósito, tivemos ontem uma bela tempestade em Paris, com trovões, raios e tudo o mais, e o Sena transborda bloqueando até as ruas que o margeiam, tornando-se a mais recente “atração turística…” dos parisienses.)

Bem, não, sabe…

Mas, o que dizem as autoridades monetárias européias diante deste quadro de inflação sem crescimento, que não chega a ser porém uma estagflação? Preparem-se.
O governador do Banco da França, Jean-Claude Trichet, também do ECB, afirma que “os números da inflação não nada bons. Nós temos que permanecer vigilantes.” Como? Bem, é preciso manter “uma política monetária equilibrada (???)…… e monitorar a cotação do euro, pois um depreciação da moeda terá impactos inflacionários sobre as economias da eurozona.” Só que, ao mesmo tempo, o próprio Trichet anuncia que a “economia francesa deve crescer 2,5% neste ano, abaixo das previsões (anteriores) de 2,7% e 3%.” Mas, acrescenta de forma inconvincente: “Eu acredito que um crescimento de 2,5% não é improvável.” Para ele, o PIB francês que cresceu apenas 0,5% no primeiro trimestre (contra 1.3% nos EUA, em plena retração..) e vai crescer os mesmos 0,5% no segundo trimestre.

Na Alemanha, o presidente do Bundesbank, Ernst Welteke, também do ECB, declara que é preciso um euro forte. “Eu quero reafirmar fortemente nosso grande interesse num euro forte…..a evolução da sua taxa deve ser monitorada (o palavrinha vazia…) bem de perto tendo em vista o possível perigo sobre a estabilidade dos preços.” Só que o ECB continua a contradizer-se, uma hora dando prioridade máxima não ao crescimento econômico, mas à inflação, – portanto, não reduz a taxa de juros – e, logo em seguida, diz que está preocupado com a desaceleração econômica. Nem dá para registrar aqui a a ultima posição do presidente do ECB, Win Duisenberg, pois, entre o momento em que escrevemos – 22 horas em Paris – e a hora em que o leitor a estiver lendo esta coluna, ela já pode ter mudado… O que se esperava era uma intervenção do ECB para conter a desvalorização do euro,de 10% só neste ano, uma ação que já fracassou duas vezes.

Onde está o erro

A melhor analise deste cenário parece ter sido feita pelo grupo de macroeconomia do Centro Europeu de Estudos Políticos, de Bruxelas (www.ceps.be) “Testando a velocidade limite da Europa.” A política deo ECB tem dois pilares, diz o estudo: 1 – o valor da moeda tomando como referencia o crescimento monetário. 2 – as previsões de inflação. A conclusão dos econômicos do centro é que o primeiro pilar é de eficiência duvidosa, nesta nova era de constante mudanças financeiras. Quanto ao segundo,a inflação, o ECB e até mesmos muitos ministros das Finanças europeus interpretando erradamente os números. Ao contrario dos EUA e do Fed, o ECB generaliza o índice, quando deveria concentrar sua atenção naqueles itens permanentes. O que está pressionando agora a inflação são os preços da energia (petróleo) e alimentos ( ainda a vaca louca e a nossa velha amiga aftosa…) ambos voláteis.

A propósito, o Financial Times, de ontem, publica excelente editorial ressaltando que, extraído esses dois itens e mais tabaco, a inflação não é essa de mais de 3% que está sendo anunciada. Não há excesso de demanda generalizada que impeça uma redução dos juros para estimular a demanda. Uma prova disso é que o índice geral de preços – aquele que abrange tos os itens, temporários ou não – vem aumentando mesmo com uma nítida redução do consumo nas economias européias. Parece não haver duvida de que a Europa está lutando com o inimigo errado….

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