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SÃO PAULO – Uma valorização de US$ 37,70 neste ano, dentre os quais, US$ 19,06 somente neste mês de maio. O desempenho trilhado pelo barril de petróleo impressiona, não somente pela magnitude dos números apresentados, mas também pelo fôlego ilimitado que a commodity vem mostrando para superar recordes históricos.
Principal fonte de energia do mundo, hoje é impossível pensar em crescimento econômico sem a associação imediata ao uso de petróleo. Portanto, longe de ser um fenômeno de implicações restritas, a disparada no preço do produto afeta toda a macroeconomia global, sendo mais um fator de preocupação de economistas e investidores em tempos já suficientemente turbulentos com a crise nos EUA.
Para agravar ainda mais, traçar projeções ao mercado de petróleo é tarefa árdua para os analistas, vide a imprevisibilidade do cenário geopolítico mundial, sempre vulnerável a oscilações repentinas, principalmente no instável Oriente Médio. “O petróleo é a commodity mais complicada de se prever movimentos”, afirma Mônica Araújo, analista da Ativa Corretora.
De fato, muito da expressiva valorização registrada pelo óleo neste ano deve-se ao recrudescimento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, onde o conflito no Iraque está longe de encontrar uma resolução, e na África, em especial na Nigéria, que passa por uma fase de grande instabilidade interna, devido a forças rebeldes que empregam a luta armada como forma de resistência ao governo, acusado de coagir com as regiões desenvolvidas na exploração do País.
Câmbio e elevada demanda
Mas à parte da cena política internacional, a disparada do petróleo encontra fundamento também no mercado cambial. Reagindo às incertezas econômicas no País e aos cortes efetuados na Fed Funds Rate, o dólar vem caindo frente às principais moedas do mundo tanto quanto o barril da commodity vem subindo, dois movimentos longe de serem mera coincidência.
O enfraquecimento da divisa norte-americana eleva a atratividade das commodities como uma reserva de valor. Com isso, cotações de produtos como o petróleo e o ouro deixam de refletir apenas fatores intrínsecos ao seu mercado e passam a incorporar também um forte lado especulativo. Reconhecido como outra variável econômica altamente imprevisível, a influência crescente do câmbio eleva ainda mais a volatilidade sobre os preços do petróleo, como explica Mônica Araújo.
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Entra ainda nesta equação de preços da commodity a elevada demanda por petróleo nos países emergentes, que seguem reportando altas taxas de crescimento, a despeito da iminência de uma recessão nos EUA. E por outro lado, há uma dificuldade crescente de se elevar a oferta global do óleo, em parte pela recusa da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), em parte pelas cada vez mais raras descobertas de poços petrolíferos no mundo.
Perspectivas passam por correção
Olhando para frente, a commodity ainda possui mais espaço para valorizações? Na opinião de muitos analistas, a resposta é positiva, tendo em vista o descompasso entre oferta e demanda que deve permanecer ainda por um bom período de tempo. No mesmo sentido, as tensões geopolíticas no Iraque e Nigéria são complexas e por isso, longe de serem facilmente resolvidas.
Entretanto, um fator de alívio vem despontando no horizonte: a flexibilização monetária aplicada pelo Fed está com seus dias contados, segundo as projeções majoritárias do mercado, que espera uma manutenção do juro básico já na próxima reunião da autoridade. Com isso, a desvalorização do dólar deve atenuar-se e a pressão ascendente no preço do barril da commodity também.
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Além do fator especulativo, “o aperto monetário a ser iniciado por Ben Bernanke” – presidente do Fed – “deve diminuir a demanda pelo óleo nos EUA”, prevê Eric Levy, analista da SLW Corretora, que com isso prevê um movimento de ajuste na cotação do barril de petróleo neste ano, não antes, todavia, de atingir um pico de US$ 150,00.
A leitura é compartilhada por Mônica Araújo. Embora reconheça que a volatilidade deva continuar sendo uma das características mais marcantes do mercado de petróleo neste ano, a analista da Ativa espera que o barril do óleo encerre 2008 cotado levemente abaixo dos US$ 129,00, patamar histórico registrado pelo produto nesta terça-feira em Nova York.