A derrota implícita de Vladimir Putin nas eleições francesas

Embora o presidente russo sustente que não há interesse de seu país em influenciar a corrida presidencial francesa, a maioria dos candidatos na disputa eram vistos como mais amigáveis ao Kremlin

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SÃO PAULO – A vitória do candidato centrista à presidência da França Emmanuel Macron no primeiro round da disputa pode ser o prenúncio de uma importante derrota do presidente russo Vladimir Putin na geopolítica europeia. O ex-ministro da economia da gestão François Hollande é apontado como favorito pelas recentes pesquisas na disputa contra a candidata da extrema direita Marine Le Pen e é o candidato que traz o discurso mais forte em apoio às instituições do continente e fortalecimento da União Europeia.

Conforme mostra reportagem da CNBC, embora o presidente russo sustente que não há interesse de seu país em influenciar a corrida presidencial francesa, a maioria dos candidatos na disputa eram vistos como mais amigáveis ao Kremlin. Macron era o único avaliado como mais distante e com maior disposição em manter as políticas de cooperação entre os países-membros da UE em torno da instituição — o que não interessa Moscou.

A candidata Marine Le Pen, por sua vez, apoiou a anexação da Crimeia à Rússia e se opôs às sanções da UE ao governo de Putin. Conforme lembra a reportagem, seu partido, a Frente Nacional, tomou cerca de 11 milhões de euros em empréstimos de bancos russos após credores franceses se recusarem a fazê-lo. Além disso, Le Pen se encontrou com Putin um mês antes da votação, em 24 de março. Outro candidato que havia se encontrado recentemente com o presidente russo foi o conservador François Fillon.

Uma eventual vitória de Macron dificilmente provocaria um estreitamento das relações entre França e Rússia. Na avaliação do diretor da Teneo Intelligence, Antonio Barroso, entrevistado pela CNBC, caso o centrista confirme o favoritismo e vença a disputa, as relações bilaterais entre os países permanecerão relativamente estáveis. De todo modo, levando-se em consideração o que os demais candidatos poderiam oferecer, é possível observar o ex-ministro como a pior opção para Putin.


Responsável pela cobertura de política do InfoMoney, coordena o levantamento Barômetro do Poder, apresenta o programa Conexão Brasília e o podcast Frequência Política.