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Valeska Peres Pinto, arquiteta e urbanista, especialista em planejamento urbano e mobilidade urbana e presidente da Comissão Técnica de Sistemas Inteligentes da ANPT
Fui convidada para falar sobre POLITICA URBANA, ou melhor, sobre as políticas envolvendo a CIDADE. Nada mais justo que tratar deste tema tão amplo neste espaço destinado à POLITICA. Estamos distantes da polis grega, esfera de homens livres para debater e deliberar por ações, o que chamamos de POLITICA. Naquela época, a economia era matéria da esfera privada, conduzida pela família nos seus afazeres para garantir a sua sustentação diária.
Hoje nos referimos a CIDADE num contexto diferente; nos referimos à urbanização como um fenômeno que ganhou dimensões globais, atingindo a maioria dos habitantes do planeta.
Este espaço pretende dialogar com todos aqueles que, com eu, atribuem à CIDADE um papel econômico central na acumulação e distribuição das riquezas; na geração e superação das crises econômicas (vide a crise mundial de 2008), mas também como local da construção da equidade social e da disputa pelo direito à expressão política.
Sei que não estou sozinha quando afirmo que a produção, manutenção e consumo das cidades estão no centro da economia e das suas crises. Esgotadas as fronteiras de expansão do capitalismo no final nos séculos XIX e XX, nesta era da globalização surge como fenômeno mais significativo a disseminação de cidades e aglomerados urbanos em todos os continentes.
Neste final de século XX surgiram expressões do tipo – cidade empresa, cidade negócio. Na medida em que o capital veio se transformando, o fator patrimônio físico – solo urbano, habitações, construções para todos os usos, sistema viário etc. – passaram a ser contabilizado na formação das fortunas e no lastro para os capitais voláteis.
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Somente na América Latina mais de 200 delas reúnem atualmente mais de um milhão de habitantes. Cidades construídas e reconstruídas em poucas décadas, ávidas de investimentos de infraestrutura de saneamento, energia, transporte, comunicação e serviços sociais essenciais. Estas cidades e aglomerados urbanos serão o cenário principal da luta por recursos naturais e os espaços onde as a luta em defesa do meio ambiente terá seu principal palco.
Palco de lutas elas já são. A pergunta são: Que lutas?… Dede que anseios?… De que demandas? A cidade enquanto entidade deixou de ser o cenário de luta ou de representação do poder. Isto pode ter sido suficiente para Nínive, Tenochtitlán, Versalhes ou São Petersburgo em seus momentos mais importantes.
Mas o conceito de cenário pode induzir a erro, reduzindo o papel da cidade a simples suporte para os eventos da economia e da política. Enfim, um suporte que participar, mas que não diz respeito a essência dos eventos. As lutas nem sempre assumem o caráter de conflito aberto. Elas podem se dar muitos locais e de muitas formas. Nos espaços físicos e nas mídias sociais. Envolvem os mais diversos segmentos da sociedade, jovens, excluídos, segmentos de classe média, grupos do capital imobiliário.
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São ações e lutas de essência urbana, tornando atual uma significativa produção intelectual que vem dos anos 60 do século XX e que já identificavam as mudanças em curso no modelo industrial de produção, com seus reflexos inevitáveis na luta social e política.
Muitas daquelas teses que geraram controversas à direita e à esquerda, com movimentos de natureza político-partidárias ou sindicais centrados nos locais de trabalho, hoje se apresentam como apelos primais para as manifestações que promovem ocupações de parques e ruas, convocadas por redes sociais, no essencial focadas em reivindicações que colocam em questão a econômica urbana e as suas iniquidades.
Neste novo ciclo, nos descobrimos reunidos e misturados em mobilizações que são principalmente relacionadas à busca por melhor qualidade de vida urbana. Estas demandas, que hoje constituem-se bases para políticas públicas, têm relação direta com o processo de urbanização que é mundial e apelam para a requalificação da cidade para o exercício da POLITICA.
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