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SÃO PAULO – O “projeto de mil anos” da China de construir uma nova megacidade nos arredores de Pequim com foco na construção de conglomerados de empresas de alta tecnologia e inovação impulsionou a cotação do minério de ferro nesta quarta-feira (5). A nova zona econômica, localizada na província já altamente poluída de Hebei, deve impulsionar os setores imobiliário e de infraestrutura.
De acordo com o portal CNBC, para viabilizar a nova cidade de Xiongan, autoridades chinesas precisarão de muita matéria-prima: entre 12 e 14 milhões de toneladas por ano pela próxima década, segundo analistas do Citi Research.
O montante é relativamente pequeno se comparado ao consumo de aço da China em 2016, de 1,63 bilhão de toneladas, mas foi suficiente para garantir o otimismo dos mercados. “O número dá mais certeza de que a demanda chinesa por aço permanecerá em patamares elevados nos próximos anos”, diz a análise. A tonelada do minério de ferro à vista negociada no porto chinês de Qingdao encerrou a quarta-feira com valorização de 2,64%, aos US$ 81,54.
A estimativa do departamento de pesquisa do Citi foi calculada com base na construção de outra megacidade chinesa, Shenzen, que levou 20 anos. “Presumindo que as autoridades chinesas querem replicar uma “Shenzen” em 10 anos (o dobro da velocidade em que Shenzen foi construída), pelo menos em termos de infraestrutura física, isso resultaria num aumento de 2% na atual demanda chinesa por aço”, diz o relatório.
Vale destacar que a China tem sido o principal país consumidor de minério de ferro nos últimos anos e que apreensões em torno de uma queda na demanda do país asiático vinham fortalecendo as projeções de queda nos preços do minério de ferro para os próximos meses.