A bolsa azedou? Apenas 5 ações sobem com “fundamento” em 2014

Segundo levantamento do InfoMoney, apenas 10 ações com liquidez marcam alta de 10% na Bovespa, mas metade delas está reagindo a eventos não recorrentes

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SÃO PAULO – A Bolsa não tem se apresentado nada agradável aos investidores há um bom tempo. Fevereiro marcou o quarto mês consecutivo de perdas do Ibovespa, acumulando no período queda de 13%. Diante desse pessimismo, poucas ações conseguem se salvar na Bolsa neste ano.

Segundo levantamento do InfoMoney, das 72 ações do Ibovespa, 12 estão em alta no acumulado do ano até o final de fevereiro – sendo que apenas 3 mostram alta de mais de 10%. Fora do índice, esse universo é um pouco mais amplo. Das ações que possuem um certo grau de liquidez e que não fazem parte do Ibovespa, 7 apresentam alta superior a 10%. 

O que chama atenção entre as ações que se “salvam” neste início de ano é o motivo envolvido no desempenho. Destas 10 ações compiladas pelo InfoMoney que marcavam alta de dois dígitos até o final do 1º bimestre, 5 sobem com fundamentos enquanto a outra metade reage a eventos não recorrentes, como anúncios de de OPA (Oferta Pública de Aquisição), aporte de capital e ou fusões – eventos que pouco refletem a capacidade destas companhias de gerarem caixa e formarem riqueza. 

Cadê o fundamento?
Entre as maiores altas do Ibovespa, por exemplo, aparecem as ações da Brookfield (BISA3), Kroton (KROT3) e Embraer (EMBR3). Se os fundamentos ajudam a justificar a alta das duas últimas empresas – a Kroton segue colhendo os louros do bom momento do setor de educação na Bovespa nos últimos anos, enquanto a Embraer se beneficia da contínua alta do dólar em relação ao real -, a imobiliária vê seus papéis saltarem 27,83%, principalmente após o anúncio, em 14 de fevereiro, de que sua controladora BRB (Brookfield Brasil Participações) fará uma oferta pública de aquisição de ações para tirar a empresa da bolsa de valores, divulgado ao mercado na metade de fevereiro. Apenas para lembrar: as ações BISA3 atingiram no último mês de 2013 seu menor patamar da história na Bolsa.

Fora do índice, chama atenção a B2W (BTOW3), que registra alta anual de 52,32% depois que a empresa informou, no final de janeiro, que receberá um aporte de R$ 2,38 bilhões no capital, por parte de sua controladora Lojas Americanas (LAME4) – dona de 62,23% da empresa – e do fundo Tiger Global. 

Na sequência, aparece a HRT (HRTP3), que dispara 17,56% em 2014. O papel, no entanto, é movido por especulações sobre o futuro da empresa. Uma série de notícias sobre a empresa pipocaram no mercado no início do ano, entre elas de que o empresário Nelson Tanure e os gestores da Discovery brigavam pelo controle da empresa. Ambos são acionistas da companhia, com 19% e 17% do capital, respectivamente. No final de janeiro, no entanto, a empresa anunciou que os dois acionistas teriam firmado um acordo de transação por meio do qual as partes concordaram em encerrar as disputas entre si como acionistas da HRT.

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Gradiente (IGBR3), Smiles (SMLE3), Raia Drogasil (RADL3) e Oi (OIBR3) também figuram na lista. Enquanto a Gradiente ganhou força recentemente em meio a especulações sobre processo contra a Apple pela marca “iphone”, Smiles e Raia Drogasil vêm conquistando terreno nas recomendações dos analistas e aparecem como boas indicações de compra para 2014. Na véspera, a Raia Drogasil anunciou que completou o processo de unificação de sistemas corporativos, prevendo que a integração total das duas redes que originaram a companhia dos sistemas de lojas para o segundo semestre.

Já o papel ordinário da Oi sobe em meio ao processo de fusão com a Portugal Telecom, comunicado em outubro do ano passado. Apesar do bom desempenho esse ano, as ações da operadora de telefonia caíram 54,56% em 2013, não entrando na lista das empresas que sobem com fundamento. 

No último lugar da lista das ações que sobem com fundamento figuram ainda a Log-In (LOGN3). Após cair 9,09% em 23 de dezembro com o anúncio de leilão da Vale para venda das ações da companhia, um dos maiores gestores de recursos do Brasil adquiriu parte relevante de participação na empresa. Os fundos geridos por Luiz Stuhlberger no Credit Suisse Hedging Griffo passaram a deter 10,52% das ações ordinárias da empresa. Essa quantia equivale a 9,65 milhões de ações.

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Vale mencionar nesse pacote também Coelce (COCE3, +8,74%, R$ 48,50) e Fleury (FLRY3, +8,70%, R$ 20,00), que embora apresentem valorização inferior a 10% no acumulado do ano, foram alvos de OPAs neste ano. A Coelce ganhou uma nova dona em fevereiro, após a Enersis – braço de investimento latino-americano da empresa chilena Endesa – elevar sua participação na empresa para 74%. Já a Fleury está envolta a rumores de que a Gávea Investimentos, controlada pelo ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, está muito próxima de comprá-la. 

Confira a lista das ações que se salvam na Bolsa em 2014:

Empresa Código
na Bolsa 
Variação
em 2014*
Tem
Fundamento?
Por quê?
 B2W BTOW3 +52,32%  NÃO Aporte bilionário no capital da empresa por sua controladora Lojas Americanas e o fundo Tiger Global 
 Brookfield BISA3 +27,83%  NÃO A controladora BRB anunciou que fará uma OPA de ações para tirar a empresa da bolsa de valores 
 HRT HRTP3 +17,56%  NÃO Especulações sobre o futuro da empresa, que envolviam uma briga entre o empresário Nelson Tanure e os gestores da Discovery pelo controle da petrolífera
 Gradiente IGBR3 +16,18%  NÃO Expectativa positiva sobre processo contra a Apple pela marca “iphone” 
Smiles SMLE3 +12,34% SIM Uma das 15 escolhas do Credit Suisse para investir em 2014 
Raia Drogasil RADL3 +11,84% SIM A empresa está entre as ações “fora do radar” que os analistas mais recomendam compra, segundo compilado do InfoMoney 
Oi ON OIBR3 +11,36% NÃO Ação ordinária da Oi sobe em meio ao processo de fusão com a Portugal Telecom, comunicado em outubro do ano passado 
Kroton KROT3 +11,31% SIM A empresa colhe os louros do bom momento do setor de educação na Bovespa nos últimos anos 
Embraer EMBR3 +10,91% SIM  A fabricante de aeronaves se beneficia da contínua alta do dólar em relação ao real
Log-In LOGN3 +10,24% SIM Arrancada veio junto com aquisição relevante do capital social da companhia por um dos maiores gestores do Brasil 
*Com base no fechamento da última sexta-feira (28)