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A Nvidia, fabricante de chips que está no centro do boom da inteligência artificial, afirmou que a receita vai crescer cerca de 70% no próximo ano fiscal, o que ameniza as preocupações de que os gastos com IA estejam prestes a perder fôlego.
A projeção de crescimento das vendas para o ano fiscal de 2028 supera as estimativas de analistas, que apontavam alta de 45%, segundo dados compilados pela Bloomberg. As ações da Nvidia subiam 7,4% no pré-mercado de Nova York nesta quinta-feira, movimento que adicionaria cerca de US$ 370 bilhões ao valor de mercado da companhia. Os papéis acumulam alta de 12% no ano até o fechamento de quarta-feira.
A Nvidia cresceria mais rápido se tivesse acesso a mais oferta, disse a diretora financeira, Colette Kress, durante teleconferência de resultados. “Incrivelmente, estamos vendo aceleração da demanda mesmo na nossa escala”, afirmou. “As projeções dos clientes apontam para nosso crescimento dobrando no próximo ano.”
A perspectiva positiva ofereceu alívio a investidores preocupados com uma bolha na economia de IA. A Nvidia, empresa mais valiosa do mundo, é a principal fornecedora de aceleradores de IA, componente essencial para treinar e rodar modelos de inteligência artificial. Esse status transformou seus resultados trimestrais em um termômetro da situação da indústria como um todo.

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No balanço do segundo trimestre, o CEO, Jensen Huang, disse que a demanda só acelera. Ele também destacou o lançamento da mais recente linha de chips da companhia, a Vera Rubin.
“A construção de infraestrutura de IA está a todo vapor”, afirmou. “A Vera Rubin, agora em produção plena, foi construída para dar potência exatamente a este momento.”
A receita no trimestre atual será de US$ 108 bilhões, com margem de 2% para mais ou para menos, informou a companhia. Analistas estimavam US$ 105,2 bilhões, em média. A margem bruta, percentual das vendas que sobra após a dedução do custo de produção, ficará em cerca de 74% no período.
A empresa alertou que as margens vão se estreitar nos próximos meses, enquanto a Nvidia lida com a disparada dos custos de memória. A expectativa é que o indicador chegue ao ponto mais baixo no quarto trimestre fiscal, período que se encerra em janeiro, entre 71% e 72%.
À medida que a Nvidia aumentar os próprios preços, o intervalo deve se acomodar entre 72% e 73% no ano fiscal de 2028, disse Kress.
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A mensagem mais ampla foi de que não houve trégua na demanda dos clientes. Depois de anos de crescimento acelerado, alguns investidores passaram a temer uma possível bolha. Os inúmeros acordos de investimento da Nvidia com empresas da economia de IA também alimentaram receios de que negócios circulares deixem o setor em terreno mais frágil.
“Nós adoraríamos ter mais oferta”, disse Kress em entrevista. “A questão é realmente quanto mais você conseguiria fazer.”
No segundo trimestre, encerrado em 26 de julho, as vendas mais que dobraram na comparação anual, para US$ 96,2 bilhões. O lucro foi de US$ 2,22 por ação, excluindo determinados itens. Analistas projetavam receita de US$ 92,5 bilhões e lucro de US$ 2,09 por ação.
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A divisão de data centers, a mais importante da Nvidia, teve receita de US$ 89 bilhões, ante estimativa média de US$ 85,8 bilhões. O grupo conhecido como hyperscalers, que inclui Amazon e Google, da Alphabet, respondeu por boa parte dessas vendas.
A Nvidia tem buscado ampliar sua base de clientes, com o objetivo de mostrar que depende menos de um pequeno grupo de gigantes de tecnologia para grande parte do faturamento.
Os investidores, por sua vez, ficaram mais difíceis de impressionar. A Nvidia já entregou vendas acima das estimativas de Wall Street por 16 trimestres seguidos, mas isso nem sempre ajudou a ação, com os acionistas tratando o crescimento rápido e o desempenho superior como algo dado. O papel caiu no dia seguinte à divulgação de cinco dos últimos seis balanços.
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As únicas empresas da indústria de semicondutores que rivalizam com a escalada de receita da Nvidia são as fabricantes de chips de memória: Samsung Electronics, SK Hynix e Micron Technology. Treinar e rodar softwares de IA exige uma quantidade enorme de memória de computador, o que impulsionou o crescimento dessas companhias, mas também colocou suas fábricas sob forte pressão. Embora estejam ampliando capacidade, elas não esperam alcançar a demanda antes de alguns anos. A escassez fez o preço dos chips de memória disparar.
O aperto afeta também a Nvidia, porque a memória é empacotada junto com seus chips. A companhia notificou clientes de que está elevando os preços de seus produtos para acomodar os custos crescentes.
Ao mesmo tempo, uma leva de potenciais rivais mira o lucrativo mercado da Nvidia. E os próprios clientes da empresa vêm desenvolvendo chips internos, o que pode reduzir a dependência da Nvidia no longo prazo.
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Nesta semana, a OpenAI, criadora do ChatGPT, afirmou que seu novo processador Jalapeno teve desempenho superior ao da atual linha da Nvidia durante testes.
A Nvidia passou boa parte do último ano fechando acordos de investimento com grandes empresas de IA, incluindo desenvolvedoras de software e de infraestrutura de apoio. Esses acordos, e o respaldo financeiro prometido, colocaram a Nvidia, em tese, diante de dezenas de bilhões de dólares em passivos.
A companhia afirma que negócios desse tipo vão acelerar a adoção de IA, o que criará ainda mais demanda por seus produtos. Críticos, porém, manifestaram preocupação de que o financiamento circular acabe estimulando uma demanda artificial.
Kress descreveu os acordos como parte do esforço da Nvidia para aumentar a oferta. A maior parcela dos compromissos de gastos assumiu a forma de contratos de compra de longo prazo com fornecedores, disse ela.
“A maior parte do que temos feito para ajudar as pessoas em termos de compromissos é uma coisa muito importante chamada oferta”, afirmou Kress.
A empresa também segue tentando ampliar o acesso ao maior mercado de semicondutores do mundo, a China. Washington deu à companhia espaço limitado para vender alguns de seus chips de IA no país, mas Pequim tem travado o processo ao manter rédeas curtas sobre as compras.
Para a empresa e seus investidores, construir uma posição na China é visto tanto como um caminho de crescimento quanto como uma forma de garantir que as fabricantes locais de chips não se tornem poderosas demais.
©️2026 Bloomberg L.P.