6 pontos que você precisa saber para entender o caso da bomba H da Coreia do Norte

Desde o confuso noticiário desta quarta até os casos anteriores as diferenças entre a bomba H e a bomba atômica; tudo que você precisa saber sobre o caso da Coreia do Norte

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SÃO PAULO – A preocupante notícia de que a Coreia do Norte teria realizado um teste bem sucedido com uma bomba de hidrogênio é destaque no mundo todo nesta quarta-feira (6). Porém, neste momento existem mais dúvidas que certezas sobre o que está acontecendo e quais podem ser os impactos caso estes testes sejam realmente verdadeiros.

Logo após o país liderado por Kim Jong-un anunciar a realização do teste na manhã de hoje, diversos outros governos foram a público mostrar desaprovação com o feito, incluindo a China, que apoia a Coreia do Norte. Mais do que isso, ainda não há nenhuma certeza de que a notícia dada na TV estatal norte coreana seja verdadeira.

Além das incertezas de hoje, muitas pessoas acabam associando este artefato a uma bomba atômica “comum”, como a usada durante a 2ª Guerra Mundial, o que não está correto. Porém, o poder de destruição de uma bomba de hidrogênio é muitas vezes maior que a de Hiroshima.

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Para isso, montamos um resumo das informações que todo mundo precisa saber para entender melhor esta questão que pode colocar o mundo inteiro em alerta para uma nova guerra, confira:

1) O teste
Na manhã desta quarta a Coreia do Norte anunciou ter feito um teste bem-sucedido com uma miniatura de bomba de hidrogênio. Este foi o quarto teste com arma nuclear feito pelo país e o primeiro usando uma bomba H, que pode ser até 50 vezes mais potente que a bomba atômica. Outros testes ocorreram em 2006, 2009 e 2013.

O anúncio do teste com um artefato nuclear de hidrogênio em miniatura foi feito pela TV estatal por volta das 10h (horário local). “Após o pleno sucesso da nossa bomba H histórica, nos juntamos ao grupo dos Estados nucleares avançados”, disse a apresentadora que fez o anúncio na televisão.

“Este último teste, produto da nossa tecnologia e da nossa mão de obra, confirma que os recursos tecnológicos que desenvolvemos recentemente são eficientes e provam cientificamente o impacto da nossa bomba H miniaturizada”, completou ela. Veja o anúncio aqui.

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2) As dúvidas sobre o teste
Apesar do anúncio oficial da Coreia do norte, não há uma confirmação de que a bomba testada hoje é de hidrogênio (e não há nem como saber se o teste foi bem sucedido). O mundo ainda debate sobre as poucas informações que se tem do teste, incluindo um abalo sísmico de 5,1 na região.

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A agência sul-coreana de inteligência diz que a bomba de hoje seria de fissão, e não de hidrogênio. Segundo o governo, os norte-coreanos já estavam buscando uma maneira de “turbinar” sua bomba de fissão, adicionando trítio (uma forma radioativa de hidrogênio) na mistura do combustível nuclear. Isso aumenta um pouco o potencial destrutivo da arma nuclear mais convencional, mas não a transforma numa bomba H.

3) Reações pelo mundo
A ONU (Organização das Nações Unidas) realizou uma reunião do Conselho de Segurança e condenou o teste e afirmou que começará a trabalhar em novas sanções contra o país. “Os membros do Conselho de Segurança lembraram que já haviam expressado sua determinação em tomar outras medidas significativas no caso de um novo teste nuclear da Coreia do Norte”, disse o embaixador uruguaio na ONU, Elbio Rosselli, que preside o conselho neste mês.

Já a União Europeia considerou no caso uma grave violação das resoluções da ONU e uma ameaça à paz. A Alemanha, a China, a Austrália, a França e a Rússia também condenaram o teste. Enquanto isso, a principal aliada da Coreia do Norte, a China afirmou que o teste representa um desafio à comunidade internacional e pediu que o país suspenda atos que provoquem uma escalada de tensão na região.

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O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, qualificou o teste de “grave desafio” e “ameaça séria” à região. “Condeno firmemente” este teste, declarou. “A prova nuclear realizada pela Coreia do Norte é uma séria ameaça à segurança do nosso país e não podemos, absolutamente, tolerar isto”, completou.

Já os EUA mostraram que este teste provavelmente não envolveu uma bomba H. Segundo Josh Earnest, porta-voz da Casa Branca, as análises iniciais das agências de informação norte-americanas “não são consistentes com o anúncio norte-coreano de um teste nuclear bem-sucedido”.

4) A proibição das bombas nucleares
Em 1968, a ONU criou o Tratado de Não-Proliferação Nuclear, em que a Coreia do Norte era signatária. Porém, o país abandonou o acordo em 2003, após admitir que tinha um programa secreto de enriquecimento para criação de bombas do tipo, levando a expulsão dos inspetores da ONU do país.

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Em agosto do ano passado, a ONU cobrou a assinatura de um tratado que proíbe os testes nucleares. Apesar de ter assinado o acordo, a Coreia do Norte ainda não o ratificou. Recentemente, Kim Jong-un afirmou que o país não deixaria seu programa nuclear enquanto os Estados Unidos seguirem com sua política.

5) A diferença da bomba H
A bomba de hidrogênio pode ser até mil vezes mais potente do que a bomba de Hiroshima, lançada sobre o Japão no fim da 2ª Guerra Mundial. Segundo especialistas, a força da explosão da super bomba equivale a, no mínimo, 50 mil toneladas de TNT.

A bomba convencional, de fissão, funciona por meio da fragmentação de átomos grandes, como urânio e plutônio, como ocorreu em Hiroshima. Já a bomba de hidrogênio consegue sua energia a partir da fusão de isótopos de hidrogênio, átomos menores e fáceis de obter, além de serem muito mais instáveis.

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Bombas por fusão exigem muito mais energia para serem detonadas e devem ser usadas em combinação com um explosivo por fissão nuclear. Produzi-las requer uma engenharia mais sofisticada.

6) Outros testes
A detonação da primeira bomba de hidrogênio foi realizada em 1952 pelos EUA nas Ilhas Marshall, localizadas no Oceano Pacífico. Os soviéticos explodiram sua primeira bomba H um ano depois e são deles a marca da bomba mais forte já testada.

Nos primeiro teste realizado pelos americanos, os 100 milhões de graus Celsius gerados em seu centro foram suficientes para varrer do mapa uma ilha inteira e acabar com qualquer espécie de vida num raio de dezenas de quilômetros. Em 1961, um ensaio realizado pela URSS teve força de 57 megatoneladas.

Rodrigo Tolotti

Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.