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SÃO PAULO – Depreciadas por um sentimento pessimista que predominava no mercado até a virada do mês, as ações das commodities viraram a mão em outubro. Tudo começou com revisões de grandes bancos nas projeções das commodities e que culminaram com em um efeito positivo sobre os preços.
No começo da semana, o Morgan Stanley divulgou um relatório alarmante: commodities e emergentes estão em ponto “gritante de compra”, destacou o banco, que citava que as estrelas estariam se alinhando para esses ativos, depois de tanto terem sido penalizados por um sentimento negativo do mercado. Essa seria a hora da virada.
Uma opinião que não veio sozinha. Dois dias depois, analistas do Jefferies soltaram relatório apontando que “uma janela de oportunidades” estaria se abrindo para as mineradoras no médio prazo, ressaltando os papéis das estrangeiras BHP Billiton e Rio Tinto. Completando o trio de peso, a Pimco disse hoje que prevê o fim das quedas das commodities.
Como resultado, as empresas ligadas a commodities seguem nesta sexta-feira (9) em disparada na Bolsa. Os papéis da Vale sobem pelo oitavo pregão seguido, enquanto as siderúrgicas CSN, Usiminas e Gerdau marcam uma sequência de seis altas. A exceção era a Petrobras, que depois de abrir em alta virou para queda juntamente com o preço do petróleo, deixando para trás cinco pregões seguidos de ganhos.
Às 12h20 (horário de Brasília), as ações da CSN (CSNA3, R$ 5,25, +5,00%) lideravam a alta do Ibovespa, seguida pelos papéis da Vale (VALE3, R$ 20,44, +1,89%; VALE5, R$ 16,15, +1,25%), Usiminas (USIM5, R$ 3,73, +1,63%) e Gerdau (GGBR4, R$ 6,77, +1,50%). Nos últimos cinco pregões, essas ações subiram 50%, 15,6%, 11,7%, 18,9% e 19,8%, respectivamente.
O movimento, no entanto, não fica somente por aqui. Lá fora, outras mineradoras davam continuidade à forte arrancada: Rio Tinto e BHP Billiton saltavam mais de 3% nesta sessão, enquanto os papéis da Glencore, que passaram por fortes turbulências recentemente por conta de problemas financeiras, disparavam 6%.
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Hoje, ajudava o movimento positivo ainda a notícia de que a gigante de commodities e mineração Glencore vai cortar sua produção de zinco em 500 mil toneladas, ou cerca de 4% da oferta mundial, em seu movimento mais recente para lidar com os fracos preços das commodities. Os preços do zinco, que caíram 30% desde maio a mínimas em cinco anos, tiveram rali de mais de 10% com a notícia, que seguiu os recentes cortes na produção de cobre e que pode sinalizar que os preços dos metais estão se aproximando do piso do ciclo, disseram analistas.
Na conta das siderúrgicas também entram questões internas sobre possíveis vendas de ativos para alivar o endividamento, que deveria ser encabeçada pela CSN. Esses esforços fizeram ontem o Morgan Stanley apontar que as ações da CSN estão em um “momento de compra“, apesar de perspectivas pessimistas para o longo prazo. Um movimento similar foi feito por analistas do JPMorgan, cujos analistas visitaram clientes da área “buy side” e começaram a perceber um interesse por parte de grandes investidores em “revisitar o case” do setor de commodities, o que incluiria também as ações da Vale.
Mas dá para seguir tão otimista?
Apesar da corrente otimista que se formou ao longo dessa semana em relação aos preços das commodities, alguns relatórios ainda seguiram a linha pessimista dos meses anteriores.
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Para o Goldman Sachs, por exemplo, o rali do petróleo se reverterá e os preços ficarão mais baixos por mais tempo. Ontem, o petróleo WTI, do Texas, passou a linha dos US$ 50,00 o barril pela primeira vez deste julho. Mas, segundo o Goldman, essa euforia não durará muito.
Isso porque, para os analistas, esse rali teve pouco suporte de fundamentos, enquanto o excesso global de oferta persiste no mercado e os preços baixos são necessários para ajudar a rebalancear a demanda e oferta no próximo ano.
Além dele, Gary Shilling, presidente da consultoria Shilling & Co, reforçou que a queda do petróleo está longe de acabar, alertando para “outros grandes declínios” da commodity. Ele acredita que, assim como no caso das mineradoras, os sauditas estão aproveitando os preços baixos para expulsar outros produtores de petróleo bruto, o que poderia levar a commodity para faixa entre US$ 10,00 e US$ 20,00 o barril – em uma projeção bem fora da curva do mercado. Será então que o fundo das commodities realmente ainda não chegou?