5 ações com bom “momentum” para ficar de olho após os balanços do 4T, segundo BBA

Axia e Petrobras fazem parte da lista

Lara Rizério Agências de notícias

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Painel de cotações da B3 em São Paulo -19/10/2021 (Foto: REUTERS/Amanda Perobelli)
Painel de cotações da B3 em São Paulo -19/10/2021 (Foto: REUTERS/Amanda Perobelli)

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Em relatório em que faz um balanço da temporada de resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25), o Itaú BBA destacou cinco ações com bom momentum de lucros para destacar: Axia (AXIA3), Copel (CPLE3), Orizon (ORVR3), Petrobras (PETR4) e Tenda (TEND3).

Para os analistas, as ações combinam crescimento, aceleração e revisões positivas de estimativas, segundo o modelo quantitativo de momentum do banco.

No geral, na visão do BBA, a temporada de resultados do quarto trimestre de 2025 trouxe sinais mistos para as empresas brasileiras, mas revelou uma melhora relevante quando o impacto das companhias de commodities é retirado da conta. Segundo análise do Itaú BBA, o lucro líquido do Ibovespa ex-commodities cresceu 1,7% em base anual no período e ficou 6,6% acima das estimativas do banco, marcando uma aceleração importante em relação à queda registrada no trimestre anterior.

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A leitura positiva está associada, principalmente, à redução do efeito da taxa média da Selic sobre os resultados financeiros. A variação anual média dos juros caiu de 447 pontos-base (ou 4,47 pontos percentuais) no terceiro trimestre para 372 pontos-base no quarto, o que ajudou a aliviar despesas financeiras e favoreceu a linha final do balanço das empresas.

Entre os setores, o desempenho foi heterogêneo. Construtoras residenciais lideraram os resultados, com crescimento de dois dígitos em receita, Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) e lucro, seguidas por utilities, que apresentaram surpresa positiva no lucro líquido, e pelo segmento de transporte e logística, que registrou avanço expressivo nos ganhos. Já consumo e varejo e saúde ficaram na ponta negativa, com resultados abaixo das estimativas, apesar de crescimento anual em algumas métricas.

Leia mais: Qual o saldo da temporada de resultados do 4T25? Veja destaques positivos e negativos

No campo macroeconômico, o BBA chama atenção para o início do ciclo de flexibilização monetária no Brasil, com o Banco Central promovendo um primeiro corte de 25 pontos-base na Selic apenas em março de 2026. Ainda assim, o banco avalia que o ritmo tende a ser gradual, em meio a um ambiente externo mais pressionado pela alta do petróleo e pelos riscos inflacionários associados aos preços de energia e alimentos.

Esse cenário limita, ao menos no curto prazo, o alívio esperado para as empresas mais sensíveis à atividade doméstica, uma vez que o nível de juros segue restritivo. Além disso, o banco revisou para cima algumas projeções de inflação e taxas, indo na contramão da tese de que o ciclo de cortes impulsionaria rapidamente os lucros das companhias voltadas ao mercado interno.

Apesar disso, o banco destaca que a visão estrutural para os lucros segue construtiva. O Itaú BBA projeta que o lucro consolidado do Ibovespa cresça a uma taxa composta de 18% ao ano entre 2024 e 2027, com destaque para a aceleração dos setores domésticos, desempenho resiliente dos bancos e maior volatilidade nos resultados das empresas de commodities.

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O relatório também aponta um leve aumento da alavancagem corporativa, com a relação dívida líquida/Ebitda subindo para 1,9 vez no quarto trimestre de 2025. Ainda assim, o patamar permanece abaixo da média histórica de dez anos, o que reduz preocupações mais estruturais sobre o endividamento das companhias.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.