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SÃO PAULO – O Ibovespa está abaixo dos 50.000 pontos há pouco mais de um mês, algo que não era visto desde 2009, quando o índice ainda se recuperava das fortes quedas decorrentes da crise de 2008. Na última quinta-feira (18), o benchmark da bolsa brasileira completou o 4º dia seguido de alta e, mesmo com a queda de 0,54% nesta sexta-feira (19), ele terminou com a maior alta semanal em 10 meses (+4,10%), no “confortável” patamar dos 47.400 pontos – neste mês o índice chegou a bater nos 44.100 pontos. O cenário atual traz uma dúvida para o investidor: é hora de comprar ações e buscar barganhas ou ainda há espaço para vendas?
“Acho que pode ser uma boa hora para comprar para aqueles que seguem a análise fundamentalista, acredito que existam algumas pechinchas no mercado”, avisa Raphael Figueredo, analista técnico da Clear Corretora. Ele, porém, chama a atenção para a região dos 47.800 pontos e 48.000 pontos – uma antiga região de suporte.
Para ele, bater nesse ponto também pode fazer com que o índice inicie um pullback para continuar o movimento de baixa de curto e médio prazo. “Temos uma nítida tendência terciária de alta desde o último fundo nos 44.500 pontos, cujo objetivo é mesmo nessa região, acredito que uma barra de impulsão de baixa com volume acima da média já será um bom motivo para que o mercado reafirme sua tendência de baixa”, diz o analista da Clear – alertando para que esse movimento leve o índice aos 46.000 pontos e 44.100 pontos.
Gilberto Coelho, analista técnico da Gibex Análise Técnica, concorda com esse cenário de baixa no curto prazo. Para ele, o índice tem realizado um repique até os 49.100 pontos ou 50.000 pontos, dentro de um canal de alta com suporte aos 46.500 pontos. “A perda desta região deve trazer o mercado para a tendência principal de longo prazo que é de baixa e determinada pela média móvel de 200 sessões”, avisa o analista.
Mesmo com barganhas, vender é possível
Mesmo com barganhas no mercado, Figueredo acredita que é possível operar na ponta vendedora no momento. “As operações de venda no swing trade (com duração de poucas semanas) são as que podem ser beneficiadsa com esse movimento de baixa”, diz o analista, que recomenda esse tipo de operação para o momento.
Uma ação que pode ser facilmente operada nessa ponta é a preferencial classe A da Vale (VALE5), a mais líquida do mercado brasileiro, de acordo com Figueredo. Para realizar esse tipo de operação, basta vender a ação via homebroker e depois tomar alugado no BTC – mediante ao pagamento de uma taxa, que varia de ação para ação -, ligando para sua corretora. Algumas corretoras oferecem o aluguel automático para posições vendidas, especialmente para ações de primeira linha.
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Figueredo salienta que ela vai testando uma forte zona de resistência dado por uma LTB (Linha de Tendência de Baixa) e registrou dois candles de indefinição que podem fazer parte de um padrão de topo. “A perda dos R$ 28,00 poderá sugerir venda a descoberto para buscar os R$ 25,50, em uma operação com ‘stop loss’ (ponto onde o investidor deve recomprar as ações, fechando a operação) curtinho nos R$ 28,45”, destaca o analista da Clear.
Já Coelho, da Gibex, acredita que com a possibilidade de que o Ibovespa possa buscar novas mínimas, podem surgir oportunidades de vendas alugadas ou comprar opções de venda, para buscar retornos na tendência de queda. Além disso, vendas com papéis que estejam em queda livre também podem ser realizadas – com o analista destacando OGX Petróleo (OGXP3) e LLX Logística (LLXL3).
Queda pode continuar
Para Coelho, é capaz que o índice venha a buscar novas mínimas – já que a tendência de queda não está sinalizando final. Ele chegou a testar o topo de abril de 2009, próximo aos 44.500 pontos, agora como uma resistência. “A perda dele serviria como um pivô de baixa, que favorece acelerar quedas”, destaca o analista.
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Caso isso venha a acontecer, a expectativa de Coelho é que o índice busque os 37.000 pontos ou os 35.000 pontos. “Claro que esta visão gráfica precisa de muitas confirmações a cada movimento mais forte do Ibovespa e estariam atreladas a fortes altas de Selic e muita volatilidade em câmbio”, termina Coelho.