4 motivos para não acreditar no “Sell in May and go away”, segundo o JPMorgan

Economia dos EUA mais promissora, assim como maior tranquilidade na Europa, são fatores para apostar na alta dos mercados a partir de maio deste ano

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SÃO PAULO – A máxima utilizada por alguns investidores do mercado norte-americano do “Sell in May and go away” (Venda em maio e vá embora), pode estar com os dias contados. É o que aponta o JPMorgan, que ressalta que a estratégia, que consiste em zerar as posições compradas em maio e voltar a comprá-las somente em novembro, pode não dar certo neste ano. 

Historicamente, o período entre maio e outubro costuma ser o mais fraco para retornos em bolsa. Na média, as bolsas norte-americanas sobem 1,83% entre maio e outubro. Já entre novembro e abril, a rentabilidade é de 4,98%. Além disso, nos últimos três anos, o S&P500 registrou um movimento de queda no mesmo período: o quinto mês do ano.

Entretanto, os estrategistas do JPMorgan apontam para quatro motivos de que este movimento não deve se repetir este ano e não estou sozinhos ao acreditar nesta tendência do mercado. O Société Générale e até mesmo o megainvestidor Warren Buffett acreditam que as bolsas são um bom investimento para o período. De acordo com Buffett, os investidores em ações não devem ficar tão obcecados com o curto prazo. 

Além de Buffett, de acordo com pesquisa da CNBC, a maior parte dos traders de mercado não acreditam que haverá um enfraquecimento do mercado acionário norte-americano neste período. A melhora no sentimento dos investidores, com sinais mais positivos da economia do país, também guiam melhores perspectivas para o fatídico mês. 

Logo abaixo, seguem os quatro motivos do JPMorgan para não haver o “Sell in May” em 2013:

1. “Liquidação” de commodities: de acordo com os estrategistas do JPMorgan, os preços mais baixos não serão mais considerados como um jogo de “soma zero” entre as nações, com os países produtores se prejudicando e os importadores se beneficiando deste processo. Ao contrário, apontam, a expectativa é de que este movimento seja interpretado como um aumento do poder de compra, ao invés de levantar o fantasma da deflação. 

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2. Economia dos EUA. Além disso, os Estados Unidos não deve repetir o completo mergulho dos três anos anteriores. A grande diferença em comparação aos anos de 2010 a 2012 reside na alta dos preços de imóveis, enquanto os pedidos de seguro desemprego estão diminuindo. Além disso, alguns dos maiores riscos para a economia do país também está em queda, no caso, o endividamento das famílias.

3. Fundamentos não estão esticados. Os fundos de hedge, que são uma forma de investimento de altíssimo risco, estão com o beta – a medida de volatilidade comparada em relação à um índice – baixo. Com isso, eles têm que procurar um cenário de maior volatilidade e com maiores riscos relativos. Como este risco não é mais atendido com os ativos atuais, a procura por ativos de maior risco são fatores considerados “como um belo indicador contrário” para a continuidade da alta da bolsa, apontam os estrategistas. 

4. Periferia da zona do euro. Os países da zona do euro, no caso os mais pobres, estão mais estáveis em relação aos anos anteriores. Graças ao BCE (Banco Central Europeu), avalia o JPMorgan, os fantasmas ficaram no passado e a expectativa é de que haja rendimentos crescentes. 

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.