Câmbio

4 fatores que estão “jogando contra” e fazem o dólar disparar hoje

Com movimento, real lidera as perdas ante o dólar no mundo nesta sessão

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SÃO PAULO – Não faltam elementos para direcionar os preços do dólar hoje nesta quinta-feira (11), que ultrapassa a barreira dos R$ 3,15. No radar, pelos menos 4 fatores ajudam a empurrar o dólar para cima em sua segunda sessão consecutiva. Com o movimento, o real lidera as perdas ante o dólar no mundo.

Às 11h57 (horário de Brasília), a moeda subia 1,34% frente ao real, sendo cotada a R$ 3,1555 na compra e R$ 3,1565 na venda. O dólar sobe em meio à redução da rolagem de swaps somando-se à alta da moeda americana no mercado externo. Outras moedas se depreciam forte a um dólar globalmente forte, após dados americanos indicarem a continuidade da recuperação da maior economia do mundo, o que mantém à mesa a chance de alta de juros nos Estados Unidos ainda este ano. Por lá, foram divulgados os dados de vendas do varejo, que subiram pelo terceiro mês seguido em maio. 

No Brasil, a moeda segue o anúncio da redução de rolagem de swaps com vencimento em julho pelo Banco Central, que agora planeja deixar rolar US$ 2,1 bilhões, contra projeção inicial de US$ 1,7 bilhão (rolará agora 75% e não 80% da posição de julho). O BC faz hoje leilão de rolagem de 6.300 papéis e não mais de 7 mil.  

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Em relatório, o Goldman Sachs disse que, com a decisão, a autoridade monetária sinalizou que “não vê com bons olhos os ganhos recentes do real” e que, apesar do quadro de inflação muito desafiador, as autoridades não querem cair na velha armadilha de usar o câmbio como instrumento para controle inflacionário. Na ata do Copom (Comitê de Política Monetária), o BC deixou aberta as portas para novas altas da Selic, segundo economistas do Bradesco, enquanto reforçou a necessidade de “determinação e perseverança” para impedir a transmissão da inflação para prazos mais longos. 

Além do BC…

Segundo o diretor de câmbio da Wagner Investimentos, José Faria Júnior, há ainda mais três elementos que estão “indo pelo lado errado” e contribuindo para essa arrancada do dólar.

No radar, as votações no Congresso pesam contra, com o ajuste fiscal incompleto, fim do fator previdenciário e reajuste do judiciário.

Ontem, a moeda subiu basicamente pelo desconforto com as declarações do ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil), que sugeriu a substituição do vice-presidente, Michel Temer, na coordenação política, fato que inviabilizou um acordo para votar a redução dos subsídios para os encargos trabalhistas, comentou Faria Júnior.

Além disso, voltou o temor do Brasil ter seu rating cortado nos próximos meses. Preocupada com o impacto da recessão nas contas públicas, provavelmente pelo menos uma agência de classificação de risco vai rebaixar a nota soberana do Brasil na próxima avaliação prevista para julho, de acordo com informações do colunista Cristiano Romero, do Valor Econômico. Contudo, ele não citou o nome da agência que rebaixaria o rating.

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E, por fim, comenta Faria Júnio, não dá para descartar que os CDS (Credit Default Swaps) do Brasil continuam subindo. Esses CDS são papéis que funcionam como um seguro contra a quebra do País. Seu aumento, especialmente em um horizonte de 5 a 10 anos, denota uma maior percepção de risco.

“Como temos dito nas últimas semanas, a volatilidade para o dólar permanece alta. Agora o momento melhora para venda”, comenta Faria Júnior.