Águas profundas

3R Petroleum mira participação da Chevron no campo Papa-Terra

A empresa está nos estágios finais para adquirir a participação da Petrobras no campo offshore

Por  Bloomberg -

(Bloomberg) — A 3R Petroleum Óleo e Gás (RRRP3), cujas ações subiram 80% desde a abertura de capital em novembro, se prepara para comprar um campo em águas profundas onde a Chevron é sócia minoritária.

A empresa está nos estágios finais para adquirir a participação da Petrobras (PETR3;ativo=PETR4]) no campo offshore Papa-Terra, onde planeja cortar custos e aumentar a produção. A 3R também estaria interessada em comprar a fatia da Chevron se a petrolífera americana decidir vendê-la, disse o diretor financeiro, Rodrigo Pizarro, em entrevista.

A 3R conta com uma equipe de veteranos do setor que lideraram o desenvolvimento inicial pela Petrobras dos campos do pré-sal. Isso lhe dá vantagem sobre os concorrentes na venda de ativos pela estatal, que busca se concentrar em operações com maior geração de caixa. Enquanto os 18 mil barris diários que saem do Papa-Terra são uma oportunidade de ouro para uma petroleira independente como a 3R, para a Petrobras representa menos da metade do que um único poço do pré-sal pode produzir.

“O Papa-Terra é uma grande oportunidade de revitalização, porque tem duas plataformas em produção, e a produção poderia aumentar e os custos poderiam diminuir”, disse Pizarro. “A Petrobras disse que a 3R é a mais bem posicionada no processo de licitação. Estamos bem posicionados para fechar.”

O campo de óleo pesado será mais fácil de renovar do que outros ativos offshore à venda no Brasil e no mundo, porque há muito espaço no fundo do mar para expandir a infraestrutura, enquanto as plataformas têm capacidade adicional de armazenamento e para separar água do petróleo, problemas que podem afetar outros campos maduros ao redor do mundo.

Há muita demanda por petróleo pesado do Papa-Terra porque o óleo é semelhante aos tipos venezuelanos, que praticamente desapareceram junto com a implosão da estatal Petróleos de Venezuela.

A produção da 3R no primeiro trimestre totalizou 17,5 mil barris por dia nos campos maduros em terra. Mesmo sem o Papa-Terra e outras aquisições pelas quais está competindo na Bacia de Campos, a 3R pode dobrar a produção para 35 mil barris por dia até 2026, de acordo com certificações de reservas de petróleo conduzidas pelas consultorias DeGolyer & MacNaughton e Gaffney Cline, disse Pizarro.

A petroleira visa mais do que apenas otimizar seus campos existentes. Além do Papa-Terra, também disputa os campos de Golfinho, Albacora e Albacora Leste em águas profundas de Campos. A bacia tornou a Petrobras a produtora dominante em águas profundas no final do século 20, mas a região entrou em forte declínio na última década, quando a estatal dedicou capital e recursos humanos ao pré-sal, onde o potencial é ainda maior. Como resultado, as vendas de ativos atraíram independentes como a 3R, bem como grandes empresas, como a Equinor.

“Nosso foco está nas oportunidades no Brasil”, disse Pizarro. “É o país que tem mais oportunidades offshore e onshore ao mesmo tempo.”

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