Fique de olho

3 eventos que podem tornar o pregão de quarta-feira eletrizante

Nos destaques, a aguardada reunião do Fomc, votações no Congresso, além de estar previsto o TCU votar as contas de 2014 da presidente Dilma Rousseff

arrow_forwardMais sobre
Aprenda a investir na bolsa

SÃO PAULO – Para quem gosta de volatilidade, o pregão de quarta-feira (17) pode se mostrar um prato cheio. Isto porque há na pauta três temas de grande teor explosivo: a aguardada reunião do Fomc (Federal Open Market Committee), votações no Congresso, além de estar previsto o TCU (Tribunal de Contas da União) votar as contas de 2014 da presidente Dilma Rousseff. Eventos que têm razões de sobra para mexerem com o Ibovespa e o dólar no pregão de amanhã. 

Sobre a reunião do Fomc, o mercado trabalha com o cenário de que o Federal Reserve comece a elevar os juros somente em setembro, mas qualquer sinalização agora poderá ter efeito imediato no mercado, lembrando que essa reunião é 3 por 1, com o comunicado, novas projeções (PIB, inflação, emprego e taxa de juros) e coletiva de imprensa da presidente da autarquia, Janet Yellen.

“Caso o Fed divulgue gráfico apontando alta menor dos juros e Yellen continue sugerindo que a alta dos juros será gradual, o dollar index, que negocia a moeda americana em relação a uma cesta de seis rivais, tem tudo para continuar na tendência de baixa de médio prazo”, comentou José Faria Júnior, diretor de câmbio da Wagner Investimentos. Para ele, o dólar frente ao real pode passar por um período de acomodação, apesar do seu viés de alta no longo prazo, porque o dollar index está em tendência de baixa de médio prazo. Hoje, o dólar fechou com queda de 1,02%, a R$ 3,0946 na compra e R$ 3,0953 na venda.

Aprenda a investir na bolsa

Além do cenário internacional agitado, o mercado acompanhará uma agenda política movimentada. Na quarta-feira – adiada da semana passada por uma manobra do Palácio do Planalto e de Michel Temer, temerosos de uma derrota – deverá ser votada pelos deputados o projeto de lei de aumento da contribuição dos empregados para o INSS, a chamada “desoneração da folha de pagamentos” concedida a 56 setores da economia, agora para onerá-la. O relator da proposta, Leonardo Picciani, homem de confiança de Eduardo Cunha (PMDB), presidente da Câmara, quer alterá-la, o que vai contra as propostas de ajuste do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. A redução da desoneração da folha é o último projeto do ajuste fiscal do governo que requer aprovação do Congresso. 

Para complicar ainda mais, amanhã também termina o prazo para o presidente vetar ou sancionar o fim do fator previdenciário (que reduz a aposentadoria de quem se afasta do trabalho mais cedo), aprovado por ampla maioria na Câmara e no Senado e considerado um novo desastre para as contas da Previdência Social se acabar mesmo.

Por fim, há um terceiro tema político que promete esquentar o debate amanhã: está previsto o TCU (Tribunal de Contas da União) votar as contas de 2014 da presidente Dilma Rousseff. O relator do projeto, ministro Augusto Nardes, encontrou diversas irregularidades na contabilidade fiscal. Um dos pontos que devem ser analisados pelo plenário são as chamadas “pedaladas fiscais”. Alvo de processos no tribunal, as “pedaladas” são atrasos no repasse de recursos feitos pelo governo para maquiar as contas públicas.