Destaques da Bolsa

3 ações renovam mínimas históricas e Magazine Luiza sobe 47% em 3 dias

Confira abaixo os principais destaques da Bovespa nesta quinta-feira

SÃO PAULO – A redução da meta do superávit primário aumentou novamente a aversão ao risco no mercado brasileiro e puxou o Ibovespa para uma forte queda de 2,33%, aos 49.727 pontos. O índice foi pressionado principalmente pelas ações dos bancos e Petrobras, enquanto as exportadoras figuram na ponta oposta entre dólar e resultado positivo no segundo trimestre.

Das 66 ações, 7 registraram queda superior a 5%. Com a forte derrocada das ações do Ibovespa hoje, Rumo, Gol e Oi renovaram hoje suas mínimas históricas. Fora do Ibovespa, o destaque segue Magazine Luiza, que em três pregões chegou a disparar quase 50%.

Confira abaixo os principais destaques da Bovespa nesta quinta-feira (23):

Petrobras (PETR3, R$ 11,29, -0,79%; PETR4, R$ 10,17, -1,83%)
As ações da Petrobras caíram pelo quinto pregão seguido em meio ao mau humor do mercado e a queda do petróleo. No período, os papéis da estatal já desabaram 14,6% na Bolsa. Na semana, a queda é de mais de 10%. Hoje, o petróleo Brent, negociado em Londres e usado como referência pela Petrobras, cai 1,23%, a US$ 55,44.  

Bancos 
Contribuindo para a queda do Ibovespa nos últimos dias, os papéis dos bancos também deram sequência à derrocada na Bolsa. Bradesco (BBDC3, R$ 26,28, -4,51%; BBDC4, R$ 26,86, -3,14%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 20,61, -1,58%) chegam ao sétimo pregão negativo, enquanto Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 29,00, -4,16%) recua em 6 dos últimos sete dias. No período, eles acumulam quedas de 8%, 14% e 8%, respectivamente.

Sobre o BB, para ajudar a cumprir a meta “revisada” fiscal do governo, o Fundo Soberano pode continuar vendendo ações do banco. Até agora, já foram 5,6 milhões de papéis negociados, desde o final de junho até o último dia 16 de julho. Analistas estimam que as ações do banco devem seguir pressionadas. 

Vale (VALE3, R$ 17,32, +0,17%; VALE5, R$ 14,36, +0,98%)
As ações da Vale subiram após relatório de produção de minério de ferro, acompanhadas pelos papéis da Bradespar (BRAP4, R$ 9,58, +0,98%). O movimento contraria a movimentação do minério de ferro hoje, que caiu 0,2%, cotado a US$ 50,60 a tonelada, referente ao insumo com teor de concentração de 62%, negociado no porto de Tianjinm na China. 

A companhia anunciou nesta manhã produção de minério recorde para um segundo trimestre, que atingiu 85,3 milhões de toneladas. A produção foi 7,4% maior do que no mesmo período do ano anterior. Analistas da XP Investimentos e JPMorgan ressaltaram que a companhia continua mostrando forte ritmo de produção, mas que, embora seja bom para a companhia, suporta a visão que a forte oferta e queda nos custos devem manter os preços do minério de ferro pressionados. 

Suzano, Fibria e Klabin
As exportadoras subiram forte hoje em meio à disparada do dólar frente ao real. Destaque para a empresa de papel e celulose Fibria (FIBR3, R$ 43,53, +3,69%), que divulgou nesta manhã balanço do segundo trimestre e aparece hoje como a terceira maior alta do Ibovespa. Acompanham o movimento as ações da Suzano (SUZB5, R$ 15,43, +3,91%), que revelará seus números do trimestre dia 12 de agosto. Também do setor a Klabin (KLBN11, R$ 21,07, +3,08%) também divulgou seu balanço nesta manhã, mas registrou uma alta mais amena. 

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A Fibria teve lucro líquido de R$ 614 milhões no segundo trimestre, uma queda de quase 3% na comparação com o mesmo período do ano passado. Para a XP Investimentos, o resultado da companhia veio em linha. Os bons níveis de resultados devem continuar, suportados pelo dólar em um patamar alto e uma dinâmica satisfatória da celulose ao redor do mundo. “Recentemente observamos uma pressão sobre os preços, principalmente na China, mas ainda devemos ter níveis de preços em patamares satisfatórios e dólar impulsionando os resultados”, comentaram os analistas. 

Já a Klabin teve alta anual de 21% no lucro líquido do segundo trimestre, ajudada por aumento no volume de vendas e pela desvalorização do real contra o dólar que apoiou exportações maiores da companhia na comparação com um ano antes. A empresa teve teve lucro líquido de R$ 296 milhões entre abril e junho ante uma expectativa média de analistas de resultado positivo de R$ 191 milhões no período. 

Educacionais
As ações do setor educacional afundaram na Bolsa hoje. Em meio à restrição no orçamento e o anúncio na véspera do corte na meta fiscal, a expectativa é que o governo restrinja ainda mais os gastos com o Fies (Fundo de Financiamento Estudantil).

Na Bolsa, sofreram as ações da Kroton (KROT3, R$ 9,92, -5,25%), Estácio (ESTC3, R$ 16,50, -5,77%), Anima (ANIM3, R$ 17,40, -4,81%) e Ser Educacional (SEER3, R$ 12,51, -3,02%).   

Magazine Luiza (MGLU3, R$ 3,55, +18,33%)
As ações da Magazine Luiza já dispararam até 47,41% pelos últimos três pregões, considerando que a ação fechou em sua máxima do dia. Devido ao fluxo de novas notícias nos últimos dois dias, o papel tem sido um dos mais demandados nas mesas de BTC das corretoras, mas em função da baixa liquidez elas têm comentado que tem sido difícil encontrar o ativo para empréstimo. Operadores, no entanto, ressaltam que essa disparada não é um “short squeeze” (disparada repentina que ocorre quando os vendidos são pressionados por falta de ações para alugar no mercado e, por isso, são levados a zerar a posição). Atualmente, 13,7% das ações em circulação no mercado da companhia estão alugadas. 

Pão de Açúcar (PCAR4, R$ 70,92, -1,65%)
A empresa de comércio eletrônico Cnova, que reúne ativos do grupo francês Casino e do Grupo Pão de Açúcar, encerrou o segundo trimestre com prejuízo de 40,2 milhões de euros, ante resultado negativo um ano antes de 21,3 milhões de euros. Apesar do resultado, a Cnova afirmou que os fundamentos das suas atividades se mantêm sólidos e que no segundo semestre a venda de mercadorias, mais outras receitas e as vendas feitas por terceiros em suas plataformas (GMV) crescerá “em ritmo equivalente ao registrado no primeiro semestre”. A Cnova integra operações de comércio eletrônico do Casino em vários países e os sites Extra.com.br, Pontofrio.com e Casasbahia.com.br do GPA.  

Gol (GOLL4, R$ 5,63, -4,25%)
As ações da Gol desabaram 19% pelos últimos cinco pregões, atingindo assim sua mínima histórica. O movimento segue a derrocada do Ibovespa, mas também o anúncio da TAM, na segunda-feira passada, de que irá cortar até 10% a capacidade de suas operações no Brasil. Para analistas, a Gol pode seguir o mesmo caminho e reduzir sua capacidade esse ano.  

Diante das expectativas, as ações da Smiles (SMLE3, R$ 52,65, -2,26%), programa de fidelidade da Gol, caíram pelo quinto pregão seguido, acumulando no período desvalorização de 8,5%, depois de ter tocado a máxima histórica na quinta-feira passada.

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CCR (CCRO3, R$ 15,05, -4,44%)
A CCR foi autorizada a reajustar o pedágio da NovaDutra em 16,8%. O número indica um aumento de 7,9% acima da inflação contratual (de 8,9%) e tem como objetivo compensar a queda de arrecadação em função da suspensão de cobrança do eixo suspenso desde abril de 2015. Os analistas do Credit Suisse comentaram o governo já rebalanceou outras concessões e que, portanto, o anúncio não é exatamente uma surpresa, mas deveria ser visto como positivo pois elimina incertezas de quanto o rebalanceamento seria aplicado. Para eles, olhando pelo valor presente líquido do reajuste, ele acaba sendo neutro em função da queda de tráfego.  

Rumo (RUMO3, R$ 0,98, -5,77%)
As ações da Rumo voltaram a cair forte hoje, figurando pela primeira vez de sua história abaixo de R$ 1,00. Os papéis caem por cinco pregões seguidos, período em que acumulam queda de 19,6%. A companhia teve seu rating cortado ontem de BA3 para BA1 pela Moody’s.

Depois de 93 downgrades corporativos desde o dia 1º de janeiro, este é o primeiro rebaixamento realizado pela agência desde que ela iniciou a sua visita ao Brasil na semana passada. Segundo a Moody’s, os motivos para o downgrade foram a alavancagem da companhia, sua cobertura de juros e geração de caixa, que devem ser fracos nos próximos anos devido a investimentos. A preocupação com a forte dependência do BNDES Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para financiamento e a indústria de commodities volátil também foram citados como motivos para a redução da nota de crédito.  

Ecorodovias (ECOR3, R$ 6,64, -5,28%)
Em meio à redução da meta fiscal e a derrota de Joaquim Levy, acompanhado ainda pelos dados positivos nos EUA, os juros futuros registraram alta, enquanto as ações das companhias de concessão rodoviária registraram forte queda. A redução da meta dá sinalizações de que a Selic pode ficar mais alta por mais tempo e que o ajuste na economia será mais longo do que o esperado no início do ano. 

As companhias de concessões sofrem em um cenário de alta de juros por ganhar entre a diferença dos juros pagos em sua dívida e sua TIR (Taxa Interna de Retorno). Isto é, essas empresas de concessões precisam de dinheiro para investir e fazem isso pois tem sua TIR (Taxa Interna de Retorno) acima da juros pagos pela dívida. Quando o juros sobem, essa diferença diminui, sendo ruim para elas. 

Marfrig (MRFG3, R$ 5,18, -2,45%)
A equipe do Banco Espírito Santo organizou um almoço com o novo diretor de relações com investidores e de planejamento estratégico da Marfrig e se mostraram bastante otimistas com a conversa. Segundo eles, o objetivo da empresa agora é a redução da alavancagem, o que os analistas acreditam que será parcialmente realizado com o pagamento da Moy Park e concluída após a conversão das debêntures mandatórias emitidas pela Marfrig. Apesar de reiterar a recomendação de compra, o Espírito Santo cortou o preço das ações de R$ 8,00 para R$ 7,50.