Destaques da Bolsa

3 ações disparam mais de 8%; BM&FBovespa afunda 5% após bater máxima de 2008

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta segunda-feira

SÃO PAULO – O Ibovespa teve sua sexta alta seguida nesta segunda-feira (7), puxados pelos papéis de commodities em meio à disparada do minério de ferro e petróleo nesta sessão. Lideraram os ganhos as ações da Bradespar, CSN e Vale, com altas acima de 8%. O contrapeso foi feito pelo setor financeiro, que corrigiu as fortes altas da semana passada. A ação da BM&FBovespa figurou como a maior queda do índice, depois de ter renovado sua máxima de janeiro de 2008 na última sexta-feira. 

Por outro lado, papéis que caíram forte nos últimos dias subiram nesta sessão, como foi o caso de Embraer, que desabou cerca de 20% nos dois pregões anteriores e hoje registrou forte alta. Os papéis da JBS, que caíram 13% na sexta, também avançaram neste pregão. 

Além do dia de correção, esses papéis seguiram o movimento de alta do dólar, que impulsionou outras exportadoras, que também vinham sendo penalizadas nos últimos dias, como as do setor de papel e celulose. 

Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa nesta sessão:

Vale (VALE3, R$ 17,58, +6,22%; VALE5, R$ 12,70, +8,36%) e siderúrgicas
As ações da Vale dispararam junto com a arrancada de quase 20% do minério de ferro na China. Acompanharam o movimento as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 5,91, +9,04%), holding que detém participação da Vale, e as siderúrgicas CSN (CSNA3, R$ 8,23, +8,86%), Usiminas (USIM5, R$ 1,46, +7,35%), Gerdau (GGBR4, R$ 4,95, +5,54%) e Gerdau Metalúrgica (GOAU4, R$ 1,73, +4,22%). 

minério de ferro spot (à vista), negociado no porto de Qingdao com 62% de pureza, fechou em  uma mais do que impressionante alta de 18,59%, a US$ 63,74. Os ganhos foram impulsionados por expectativas de que as siderúrgicas chinesas estão planejando um aumento na produção de aço no curto prazo. 

Os ganhos no minério de ferro foram na esteira da forte alta nos preços do aço em Xangai, cuja cotação avançou 5%, para também tocar seu limite de alta para o dia. Mas Goldman Sachs disse que o rali de minério de ferro não vai durar, devido à ausência de uma melhoria significativa na demanda por aço da China.

Além disso, no radar da Vale, a Estrada de Ferro Carajás (EFC), da mineradora, foi bloqueada por manifestantes durante cerca de três horas, na manhã desta segunda-feira, com impacto no transporte de carga e de passageiros, segundo a assessoria de imprensa da companhia. As operações de carga já foram normalizadas, de acordo com a mineradora.

A manifestação, promovida pelo MST Mulheres, impediu que o trem de passageiros partisse às 8h da Estação de São Luís com destino à Parauapebas, explicou a Vale, fazendo com que cerca de três mil pessoas deixassem de viajar. A EFC tem 892 quilômetros de extensão, ligando a mina de minério de ferro da companhia em Carajás, no sudeste do Pará, ao Porto de Ponta da Madeira, em São Luís (MA). Segundo informações da Vale em seu site, a ferrovia transporta anualmente 120 milhões de toneladas de carga e 350 mil passageiros.

PUBLICIDADE

“A Vale repudia qualquer ato de invasão da Estrada de Ferro Carajás, que impede o direito de ir e vir de toda comunidade, e informa que já adotou as medidas judiciais cabíveis”, afirmou a empresa em nota.

Embraer (EMBR3, R$ 23,98, +3,94%) e outras exportadoras
As ações da Embraer, que afundaram 21% nos últimos 2 pregões, entre balanço fraco e queda do dólar frente ao real, subiram forte nesta sessão. Embora de forma mais amena, o movimento foi acompanhado também por outras exportadoras que foram penalizadas pelo câmbio na semana passada, como as empresas do setor de papel e celulose Fibria (FIBR3, R$ 35,95, +0,06%) e Klabin (KLBN11, R$ 21,05, +0,24%). Por outro lado, Suzano (SUZB5, R$ 13,41, -2,12%) não acompanhou o dia de correção, seguindo para sua quarta queda seguida. Segundo informações da Bloomberg, a companhia pretende levantar R$ 500 milhões com emissão de CRA. 

Petrobras (PETR3, R$ 9,91, -0,70%; PETR4, R$ 7,37, +2,08%)
As ações da Petrobras tiveram dia instável nesta segunda-feira, apesar da disparada dos preços do petróleo lá fora. Os papéis ordinários, que chegaram a subir 4,2% na máxima do dia, viraram para queda nesta tarde, enquanto os preferenciais seguiram para sua sexta sessão seguida de ganhos. Lá fora, o petróleo Brent subiu 5,37%, a US$ 40,80, em meio a perspectivas de que um corte seja feito na oferta do produto. O ministro do Petróleo dos Emirados Árabes Unidos disse que os preços atuais estão forçando todos os produtores a cortarem suas produções. 

No radar da empresa, a estatal informou que o processo de cessão dos direitos de exploração, desenvolvimento e produção de petróleo e gás natural de campos terrestres envolve 98 concessões de produção, além de seis blocos exploratórios, totalizando 104 concessões terrestres, localizadas nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Sergipe, Bahia e Espírito Santo. A produção total de óleo destes ativos é de, aproximadamente, 35 mil barris por dia, o que corresponde a menos de 2% da produção total da companhia, informou a empresa.

Além disso, um incêndio atingiu no sábado (5) a unidade de hidrotratamento de diesel da Refinaria de Pasadena, de propriedade da Petrobras  no Texas, Estados Unidos. O acidente ocorreu às 13h15, horário de Brasília, e deixou um funcionário ferido. Segundo a Petrobras, o operário foi levado a um hospital local, onde foi atendido e liberado posteriormente.

Em nota, a estatal informa que durante o incêndio, houve bloqueio preventivo por algumas horas do canal de navegação Houston Ship Channel, umas das vias navegáveis mais importantes dos Estados Unidos. Ainda de acordo com a Petrobras, após o controle do fogo, profissionais da refinaria e do Condado de Harris fizeram o monitoramento da qualidade do ar no entorno da unidade e não foi constatado nenhum impacto exterior.

Por fim, a Petrobras informou nesta segunda-feira que divulgará o resultado anual de 2015 no dia 21 de março de 2016, após o fechamento do mercado.

“Dessa forma, entre hoje e 21/03/2016, a companhia estará em período de silêncio, durante o qual a Petrobras estará impossibilitada de comentar ou prestar esclarecimentos relacionados aos seus resultados financeiros e perspectivas”, disse a empresa em nota.

PUBLICIDADE

Bancos
Os papéis dos bancos apareceram entre as maiores quedas do Ibovespa, em dia de correção após fortes altas. Outras ações ligadas ao setor financeiro também afundaram. Liderando as quedas do dia apareceram os papéis da BM&FBovespa (BVMF3, R$ 14,01, -5,34%), Banco do Brasil (BBAS3, R$ 17,64, -3,34%), Bradesco (BBDC4, R$26,16, -2,82%), BB Seguridade (BBSE3, R$ 27,36, -2,74%), Itaúsa (ITSA4, R$ 7,97, -1,73%), Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 30,99, -1,15%). Vale lembrar que, em meio ao rali da semana passada, os papéis da BM&FBovespa que subiram pelos cinco pregões seguidos, atingiram na sexta-feira sua cotação máxima desde janeiro de 2008. 

JBS (JBSS3, R$ 10,98, +0,92%)
As ações da JBS subiram depois de forte queda de 13,4% na última sexta-feira. Nesta tarde, a maior processadora de carne bovina, ovina e de aves do mundo informou que concedeu férias coletivas para funcionários das unidades de Nova Andradina (MS), Alta Floresta e Pedra Preta (MT), Santana do Araguaia (PA) e de um turno de produção de Mozarlândia (GO), a partir desta segunda-feira, 7, pelo período de 20 dias. Segundo a empresa, os motivos são a baixa disponibilidade de matéria-prima, a dificuldade de acesso às fazendas por conta da temporada de chuvas intensas em algumas regiões e a adequação do nível de estoques às necessidades do mercado. “Após esse período as atividades serão retomadas normalmente”, disse em nota a empresa. 

Atualmente, a oferta de boi pronto para o abate está bastante restrita em quase todo o País. Um dos motivos é a estiagem registrada no Centro-Oeste no fim do ano passado que atrasou a recuperação dos pastos e consequentemente a engorda do gado. Com isto, o preço da arroba do boi gordo acumulou alta desde o início do ano e pressionou a margem dos frigoríficos no período. Na sexta-feira, o indicador Cepea/Esalq avançou na sexta-feira, 0,64% no valor à vista, para R$ 156,76/arroba. Desde o início do ano a alta acumulada é de 5,83%. 

Analistas avaliam também que a indústria está sem condições de repassar a alta do custo para o consumidor, por causa da crise econômica do País. Em compensação, a estratégia dos frigoríficos em reduzir escalas de produção parece já surtir efeito no mercado. A Scot Consultoria apontou que o preço de referência caiu hoje em 22 praças pecuárias do País, das 31 pesquisadas pela consultoria.

Tereos (TERI3, R$ 57,51, -0,93%)
A Tereos informou ter apresentado novo laudo de avaliação de OPA à CVM e à BM&FBovespa. “A companhia esclarece que o registro da Oferta encontra-se em processo de análise na CVM e na BM&FBovespa e manterá o mercado e seus acionistas informados acerca da evolução da Oferta”, afirmou.  

OGPar (OGXP3, R$ 0,03, 0,0%)
A OGPar informou que houve uma interrupção temporária da produção no campo de Tubarão Martelo no dia 5 de março por até um ano. 

“Em 03 de março de 2016, a ANP autorizou a interrupção temporária da produção do Campo de Tubarão Martelo, pelo período de um ano a partir da autorização. A agência destaca ainda que a retirada do FPSO OSX-3 somente poderá ocorrer após a aprovação do Programa de Desativação das Instalações  da Garantia de Desativação e Abandono do Campo TBMT e a apresentação de resultados dos estudos para redesenvolvimento do Campo TBMT, em até 60 dias antes do término do prazo da suspensão”, informa a companhia.  

De acordo com a OGPar, a paralisação do Campo de TBMT por até um ano permitirá que, durante este período, possa se avaliar a melhor maneira de retomar a produção do referido campo, considerando a utilização de novas tecnologias e viabilidade econômica do ativo.

PUBLICIDADE

Unipar (UNIP6, R$ 4,85, -0,41%)
A Unipar Carbocloro foi informada pela Vila Velha S.A. – Administração e Participações que a mesma examinou as informações presentes no laudo de avaliação, mas que, considerando que o valor econômico apurado extrapola o valor ofertado, a ofertante necessitará de tempo adicional para decidir a respeito do prosseguimento da oferta. “Desta forma, a ofertante comunicou que deverá se manifestar a respeito da oferta até o dia 18 de março de 2016”. 

Tec Toy (TOYB3, R$ 2,30, +15,00%; TOYB4, R$ 2,00, -9,91%) 
A Tec Toy informou que os seus controladores decidiram fazer OPA (Oferta Pública de Aquisição) para fechar capital. A ofertante será a Steluc Participações, sociedade integrante do bloco de controle da companhia. O preço estimado para a oferta é de R$2,2072 para cada ação ordinária e de R$ 1,4515 para cada ação preferencial, o qual foi calculado com base na média ponderada por volume de negociação das cotações de fechamento das referidas ações nos 90 pregões anteriores a sexta-feira.

Os papéis PNs da companhias, que bateram mínima de R$ 0,51 dia 3 de fevereiro, dispararam 544% até o fechamento do dia 19 de fevereiro, com volume acima da média diária. Diante do movimento, o valor da oferta pelos papéis PNs ficou 34% abaixo do fechamento da última sexta-feira. A oferta pelos papéis ONs ainda dá um prêmio de 10% por ação. No mesmo período (de 3 a 19 de fevereiro), os papéis ONs subiram 330%. 

Em comunicado, a empresa informou que a decisão pela OPA foi tomada pelos controladores diante do risco de que um eventual novo grupamento de ações possa acarretar nova queda na cotação das ações de emissão da companhia, em prejuízo dos acionistas, e em razão da inexistência de outras alternativas que permitam assegurar que a cotação das ações da companhia se mantenha superior a R$ 1,00.

Serão objetos da oferta até a totalidade das ações ordinárias e preferenciais de emissão da Companhia que não sejam de titularidade de seus acionistas controladores, o que equivale, nesta data, a 301.767 ações ordinárias (11,02% do total de ações ordinárias emitidas pela Companhia) e 444.460 ações preferenciais (17,44% do total de ações preferenciais emitidas pela Companhia), informou a empresa.