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SÃO PAULO – Em um mês bastante agitado e que marcou a maior alta do Ibovespa desde janeiro de 2012, o noticiário deu ênfase ao cenário político e às notícias do setor elétrico. Ao final do 3º mês de 2014, 26 das 72 ações do Ibovespa encerraram o período com alta de mais de 10%, enquanto apenas 3 papéis recuaram mais de 5%. Dentre as 10 maiores valorizações de março, metade foi composta por representantes do setor elétrico.
Desde o início do ano, o setor tem sido bastante pressionado pelo risco de apagão. Com a queda do nível dos reservatórios e o aumento do consumo esperado sobretudo durante a Copa do Mundo, analistas da Brasil Plural chegaram a afirmar que o risco de um racionamento era de 100%, enquanto o Citi estima que as chances de déficit de energia em 2014 são de 94%. Mas, com os papéis bastante descontados e com o anúncio de diversas medidas de ajuda às companhias, o desempenho das ações passou a acelerar. Neste cenário ocorreu ainda a disparada dos preços da energia de curto prazo, o que, segundo analistas, favoreceu bastante a Cesp (CESP6) e a Copel (CPLE6).
Ambas ficaram entre os maiores ganhos do período, com altas de 18,44% e 18,06%, respectivamente, levando as ações para R$ 26,65 e R$ 29,81. Porém, as duas ficaram atrás da Eletrobras (ELET3; ELET6), que além de passar pelo mesmo cenário que o resto do setor, foi fortemente ajudada nas duas últimas semanas com as pesquisas apontando queda na avaliação da presidente Dilma Rousseff – o mercado tem demonstrado forte aversão ao governo atual devido à série de medidas intervencionistas adotadas nos últimos anos. As ações ordinárias da Eletrobras lideraram o mês com alta de 32,00%, a R$ 6,60, seguidas pelos papéis preferenciais da companhia, que subiram 19,69%, cotados a R$ 10,88.
Após bater mínima desde 2005, Petrobras a subir 15%
O resultado das pesquisas eleitorais também favoreceu a Petrobras (PETR3; PETR4), que além disso ainda viram suas ações se valorizarem em meio à diversas denúncias e discussões sobre a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, e sobre a gestão da companhia. Especialistas apontam que o fato de a petrolífera estar sendo investigada dá uma indicação de que as coisas podem mudar dentro da empresa, o que seria positivo, dado o atual momento ruim.
Os ativos ordinários da estatal subiram 15,17% em março e são cotados a R$ 14,96, enquanto os preferenciais avançaram 16,11%, para R$ 15,78.
Outros destaques
Vale ainda destacar o movimento da Lojas Americanas (LAME4), que subiu 16,23%, a R$ 16,73, no período, com um resultado bem recebido pelo mercado no início do mês. A Cielo (CIEL3), uma das melhores ações do Ibovespa em 2013, manteve a trajetória de alta e subiu 15,3% em março, para R$ 71,88.
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Além dela, chamou atenção o desempenho do Bradesco (BBDC3; BBDC4), que nas últimas semanas tem subido forte puxado por elevação de recomendação do Credit Suisse – que ainda indicou a companhia como sua favorita no setor – e por mais um adiamento do julgamento da restituição das cadernetas de poupança. As ações ordinárias do banco tiveram alta de 15,38%, a R$ 33,61, enquanto as preferenciais subiram 14,29%, cotadas a R$ 31,19.
Veja as 10 maiores altas do Ibovespa em março:
| Ação | Cotação | Desempenho em março |
| Eletrobras ON | R$ 6,60 | +32,00% |
| Eletrobras PNB | R$ 10,88 | +19,69% |
| Cesp PNB | R$ 26,65 | +18,44% |
| Copel PNB | R$ 29,81 | +18,06% |
| Lojas Americanas PN | R$ 16,73 | +16,23% |
| Petrobras PN | R$ 15,78 | +16,11% |
| Cielo ON | R$ 72,31 | +15,99% |
| Bradesco ON | R$ 33,61 | +15,38% |
| Energias do Brasil ON | R$ 10,30 | +15,34% |
| Petrobras ON | R$ 14,96 | +15,17% |
Oi e exportadores caem
Quem não seguiu a tendência positiva do mercado foram as ações de empresas mais voltadas para a exportação, impactadas pela forte queda do dólar, que em março caiu 2,17%, para R$ 2,2694. Destaque para Vale (VALE3, R$ 31,38, -4,91%; VALE5, R$ 28,28, -2,78%) e a holding de investimentos que possui forte participação na mineradora, a Bradespar (BRAP4, R$ 19,67, -7,70%). A fabricante de papel e celulose Suzano (SUZB5, R$ 8,35, -5,97%) e a fabricante de aeronaves Embraer (EMBR3, R$ 20,18, -3,43%) também fecharam no vermelho.
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O setor de telecomunicações respondeu pela pior ação do Ibovespa em março: a Oi (OIBR4, R$ 3,11, -13,37%). A companhia foi duramente penalizada na Bovespa após a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) autorizar que os acionistas controladores da empresa pudessem votar na assembleia que definiria a fusão entre ela e a Portugal Telecom – que daria origem à CorpCo. A decisão foi classificada pelos analistas como um duro golpe nos minoritários.