CAUTELA

1º efeito Trump sobre a Selic: Itaú muda projeção para juros em 2016

Agora, o banco espera que a taxa básica de juros encerre o ano em 13,75%

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SÃO PAULO – O Itaú Unibanco cortou em 0,25 ponto porcentual (p.p.) sua projeção para Selic ao fim deste ano, esperando que o Comitê de Política Monetária (Copom) seja mais cauteloso com o ciclo de corte de juros iniciado em outubro depois que Donald Trump foi eleito presidente dos Estados Unidos.

As políticas expansionistas para impulsionar o crescimento da economia norte-americana sugeridas ao longo da campanha devem levar ao aumento dos juros pelo Fed (Federal Reserve) e desequilibrar o cenário externo “benigno” descrito pela autoridade monetária brasileira nos últimos comunicados.

Em relatório enviado a clientes, o economista-chefe do banco, Mário Mesquita, observa que Trump prometeu aumentar os gastos com infraestrutura em US$ 500 bilhões nos próximos cinco anos e cortar os impostos para pessoa física e jurídica em US$ 4 trilhões em 10 anos. O especialista avalia que a expansão fiscal norte-americana é uma das poucas certezas nas projeções, que podem incluir ainda o aumento do protecionismo e da tensão nas relações comerciais. “E esta combinação não parece benigna para um país com as necessidades de financiamento e passivos externos do Brasil,” escreve.

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Neste cenário, o Itaú Unibanco avalia que o Copom deve reduzir os juros em 0,25 p.p. na reunião de 29 e 30 de novembro, ante estimativa anterior de 0,50 p.p.. “Assim, atualizamos nosso cenário de taxa Selic para o final do ano, de 13,50% para 13,75%”, diz o texto.

Para 2017, a instituição financeira segue esperando uma redução “acentuada” dos juros básicos, encerrando o ano em 10,00%. “Em nossa opinião, a combinação de inflação menor, queda das expectativas de inflação, avanços na aprovação de medidas de ajuste fiscal e atividade mais fraca do que o esperado (o que se tornará evidente com a divulgação do PIB do 3º trimestre) farão com que o Copom se sinta confortável o suficiente para acelerar o ritmo de corte de juros no início de janeiro de 2017, mas, graças à surpresa das eleições dos EUA, não antes disso”, pontua Mesquita.