Destaques da Bolsa

16 ações caem entre 5% a 21%; Gol tem turbulência após subir 145% em 3 dias

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta terça-feira

Por  Paula Barra

SÃO PAULO – O Ibovespa teve, juntamente com o Itaú Unibanco, seu pior pregão desde 8 de agosto de 2011. O índice registrou queda de 4,87% nesta terça-feira (2), em dia de desespero do mercado com derrocada do petróleo e resultado decepcionante de “boas” ações, como o próprio Itaú. O dia de “sell-off” na Bolsa fez com que apenas 4 ações encerrassem a sessão no positiva – em alta de até 1% -, enquanto 16 ações caíram entre 5% e 21%. 

Liderando as perdas, as ações da Cemig destoaram, com queda de 21%, depois de disparada nas últimas sessões. Além do mau humor generalizado do mercado, os papéis refletiram hoje um corte de recomendação do Itaú BBA. Petrobras e Vale também caíram forte hoje: próximo a 9%. 

Nem as siderúrgicas, que figuraram durante quase todo o pregão no positivo, descoladas completamente do mau humor do mercado, conseguiram sustentar a alta. Apesar Metalúrgica Gerdau e CSN encerraram com leves ganhos, enquanto Usiminas e Gerdau viraram para o negativo. Fora do índice, os papéis da Sofisa subiram 50% após o anúncio de que sua acionista controladora quer realizar OPA (Oferta Pública de Aquisição) dos ativos.

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta sessão:

Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 23,25, -8,72%)
O Itaú Unibanco teve seu pior pregão desde agosto de 2011 após revisão de guidance para 2016 trazer aumento de 40% das provisões para calotes do banco e possível retração. Enquanto isso, seus concorrentes Bradesco (BBDC3, R$ 19,11, -3,56%; BBDC4, R$ 17,95, -3,51%) e Santander (SANB11, R$ 12,51, -5,74%) tiveram quedas mais amenas. A exceção foi o Banco do Brasil (BBAS3, R$ 13,15, -7,13%), com queda de 7%. 

Veja mais: O que veio de tão ruim no balanço do Itaú que o Bradesco não mostrou? 

 Independentemente do lucro recorde registrado no ano passado (de R$ 23,35 bilhões, ou 15,4% maior do que em 2014), o banco sofre com uma projeção nebulosa pela frente, de um salto de 40% na provisão para calotes e possível retração no crédito neste ano.

Dentre os inúmeros relatórios divulgados analisando os números do banco, uma das questões que consegue definir o sentimento do mercado hoje é uma que abre o comentário do BTG Pactual: “Muito pessimista ou apenas realista?”. Isso porque, pelo ‘guidance’ (projeções) revisado para 2016, o banco indica uma contração de cerca de 20% no seu lucro por ação, comenta o BTG.

Um futuro que pressiona mais do que o próprio balanço do 4° trimestre: apesar de ter sido afetado por uma piora na qualidade dos ativos, aumento da inadimplência e diminuição da margem financeira, o banco conseguiu entregar um resultado sólido, defendem os analistas da XP Investimentos, Bradesco BBI e Votorantim CorretoraOs números não foram muito diferentes do seu concorrente Bradesco, que divulgou balanço no dia 28 de janeiro, também com aumento de provisão contra calotes e inadimplência, mas, no entanto, teve uma reação completamente oposta na Bolsa: com leve alta de 0,17% naquele dia, enquanto Itaú subiu 0,68%. 

Cielo (CIEL3, R$ 31,20, -6,45%)
A Cielo viu suas ações caírem forte após a companhia registrar lucro de líquido de R$ 852,7 milhões no quarto trimestre de 2015, alta de 6,2% na comparação anual, segundo informou a empresa ao mercado. O resultado ficou bem abaixo das estimativas, que giravam em R$ 977,4 milhões, segundo média das projeções da Bloomberg.

Em termos ajustados, o lucro líquido foi de R$ 920,2 milhões, aumento ano a ano de 14,6%. Na mesma base de comparação, a margem de lucro (Lucro Líquido/Receita Líquida) desabou 9,8 pontos percentuais, para 27,9%. Segundo o Bradesco BBI, a principal surpresa negativa veio das receitas no Brasil; “além disso fomos surpreendidos pelo custo/transação de R$ 0,54 no trimestre, superior na comparação trimestral”, destacam os analistas.  Já o JPMorgan Securities cortou o preço-alvo para as ações da Cielo de R$ 46 para R$ 40, mantendo recomendação overweight (exposição acima da média), destacando as condições econômicas deterioradas do cenário atual.

Petrobras (PETR3, R$ 6,02, -8,51%, PETR4, R$ 4,30, -8,90%)
Após a queda da véspera, as ações da estatal tiveram um novo dia de baixa, em meio ao novo dia de baixa do petróleo, com o brent caindo 4,32%, a US$ 32,76 o barril, enquanto o mercado teve que lidar com outra notícia negativa para o setor. A petrolífera BP divulgou a sua pior perda anual em 20 anos e suas ações caem 7%.

No noticiário da estatal, de acordo com informações do jornal O Globo, a companhia estuda unir o Comperj com as refinarias Reduc e Regap, o que pode ser uma saída para encontrar um sócio para continuar com as obras do complexo petroquímico. 

As obras do Comperj em construção em Itaboraí (RJ) estão paradas, pois o local foi um dos alvos do esquema de corrupção entre funcionários da estatal e fornecedores revelado pela Operação Lava-Jato, da Polícia Federal.

Uma das soluções em análise, aponta o jornal, é juntar o Comperj com a Refinaria Duque de Caxias (Reduc), também no Estado do Rio, e a Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Minas Gerais, e encontrar um sócio, que poderia ter uma participação minoritária relevante no conjunto dos ativos das três refinarias.

Cemig (CMIG4, R$ 5,25, -21,05%)
Após uma alta de quase 50% nos últimos sete pregões, sendo 12,52% apenas na segunda-feira, as ações da Cemig lideraram as perdas do Ibovespa nesta sessão.

A elétrica teve a sua recomendação rebaixada para underperform pelo Itaú BBA. Segundo os analistas, a companhia poderá vender parte de suas fatias minoritárias para reduzir endividamento; “isso significa que algo do seu potencial de ganho (25%) poderá desaparecer com uma eventual venda ocorrendo com desconto em relação ao preço justo”. 

Gol (GOLL4, R$ 1,95, -15,22%)
Após disparar 50% na véspera, a Gol iniciou o dia em queda de mais de 10%, mas virou e para alta de até 28,26%. O papel, no entanto, perdeu força e encerrou em queda a sessão. Na máxima de hoje, os papéis chegaram a acumular alta de 146% nos últimos 3 pregões. O volume financeiro voltou a chamar atenção nesta sessão, batendo R$ 37,5 milhões, contra média diária de R$ 4,9 milhões nos últimos 21 pregões.  

Em destaque ontem, esteve a notícia de que há  possibilidade do governo autorizar que estrangeiros controlem empresas aéreas brasileiras; além disso, as ações reagiram aos dados operacionais de dezembro.

No noticiário de hoje, o Goldman Sachs elevou a recomendação das ações da companhia aérea de venda para neutra e elevou o preço-alvo dos ativos de R$ 3,40 para R$ 5,00. 

Sofisa (SFSA4, R$ 3,73, +49,20%)
Destoando do dia negativo do mercado, as ações da Sofisa dispararam hoje, após a controladora do banco, Hilda Diruhy Burmaian, ter anunciado ontem a intenção de realizar uma OPA (Oferta Pública de Aquisição) pelas ações preferenciais do banco em circulação no mercado, com o intuito de fechar o capital da empresa. A ação, que tem baixíssima liquidez, subiu 69,3% nos últimos dois meses (clique aqui para ler mais sobre esta notícia). O volume financeiro da ação também chamou atenção hoje, fechando a R$ 440,5 mil, contra média diária de R$ 31,5 mil. 

Oi (OIBR4, R$ 1,64, -0,61%)
As ações da Oi registraram leves perdas nesta sessão. No noticiário da companhia, a CVM deverá abrir inquérito para reavaliar se houve abuso de poder dos controladores na malsucedida fusão entre Oi e Portugal Telecom, diz o Valor Econômico, citando recomendação da Superintendência de Relações com Empresas à Superintendência de Processos Sancionadores da autarquia. 

A CVM deve investigar também se existe alguma evidência de que os controladores e diretores da Oi e do Grupo Espírito Santo tinham conhecimento do investimento na Rioforte, diz o jornal, citando uma das recomendações. 

A Oi e a Portugal Telecom acertaram fusão em 2013. Em julho de 2014, as companhias renegociaram acordo para dar à Portugal Telecom uma fatia menor na emporesa combinada depois da informação de que o grupo português detinha 897 milhões de euros em papéis da Rioforte. A Oi vendeu ativos portugueses para Altice no ano passado.

A Oi e seus antigos controladores Andrade Gutierrez e La Fonte não comentaram, segundo o Valor. 

Imobiliárias
As ações das imobiliárias tiveram um dia de alívio. A Rossi Residencial (
RSID3, R$ 2,20, +10,00%) e PDG Realty (PDGR3, R$ 2,54, +4,96%) subiram forte, enquanto a Helbor (HBOR3, R$ 1,58, +1,29%) teve alta de 1%. Das ações do Ibovespa, Cyrela (CYRE3, R$ 7,35, +0,68%) e MRV Engenharia (MRVE3, R$ 9,10, -0,55%) registraram leves ganhos e perdas. 

No noticiário de hoje para as construtoras, destaque para a notícia de que o programa Minha Casa Minha Vida deve escapar de corte do Orçamento do governo federal. 

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