Histórico das ações

11 de setembro: as ações que mais se destacaram nos EUA e no Brasil nos 20 anos do atentado que abalou os mercados

Maior destaque desde então foi a disparada das ações de empresas de tecnologia, que levaram o Nasdaq a se valorizar em 800%

SÃO PAULO – Neste sábado, a tragédia do 11 de setembro, quando dois aviões se chocaram com as Torres Gêmeas nos Estados Unidos em um atentado terrorista e deixaram 2.996 mortos, completa 20 anos. Na época, os mercados financeiros reagiram com pânico às imagens de destruição em Nova York que eram transmitidas na imprensa mundial.

A Bolsa de Nova York, que estava fechada quando os aviões atingiram as duas torres, não abriu mais por quatro dias. Quando abriu, no dia 17, viu o índice Dow Jones fechar em queda de 7,1%, terminando a semana com queda de 14%. Já o Ibovespa, no dia 11, mesmo com um pregão que durou apenas uma hora e 15 minutos antes de ser interrompido no dia, registrou uma perda de 9,17%.

Desde o trauma daquele dia, muita coisa mudou – e os mercados mais do que se recuperaram. O Índice S&P 500, das bolsas americanas, subiu 311,27%, o Dow Jones teve alta de 263,12% e o Nasdaq, focado em empresas de tecnologia, registrou ganhos de 799,4%. Já o Ibovespa, aqui no Brasil, avançou 431,87%.

É o que mostra um levantamento da Economatica, feito a pedido do InfoMoney, e que detalha o desempenho de diversos índices, moedas, ações e ativos financeiros desde aquele dia histórico.

 

 

Abaixo, uma relação com as empresas do S&P que mais ganharam valor de mercado desde 11 de setembro de 2001.

Segundo Jennie Li, estrategista de ações da XP, chama a atenção no ranking a predominância de empresas de tecnologia que tornaram seus softwares e hardwares cada vez mais comuns em empresas e lares. Cinco, das 10 companhias que mais viram suas ações se valorizarem são do setor, com destaque para as duas primeiras colocadas, Apple (AAPL34) e Microsoft (MSFT34).

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“Nos últimos mais de 10 anos, o grande tema de investimentos lá fora foi o setor de tecnologia. No começo deste ano houve um intenso debate de growth [investir em empresas com alto potencial de crescimento] contra value [empresas mais estáveis, que apresentam resultados sólidos no longo prazo], mas desde 2008 as companhias do primeiro grupo têm superado as do segundo”, destaca a analista.

Aqui, uma comparação dos índices de Bolsa em dólar desde então.

Para Jennie Li, apesar do Ibovespa aparecer bem perto do topo, com um desempenho superior até ao dos índices americanos S&P 500 e Dow Jones, isso não quer dizer que nossa Bolsa tenha um crescimento mais estável que as pares.

“Por ser um índice muito exposto a commodities, o Ibovespa é bastante cíclico com oscilações bem grandes de curto prazo. O rali das commodities do início de 2021 e o efeito cambial certamente têm sua dose de importância nessa posição no ranking.”

Abaixo, uma comparação dos rendimentos de diversas aplicações, incluindo Bolsa e moedas.

Destaque aqui vai para o ouro, que continua como historicamente, comportando-se como o principal porto-seguro dos investidores em momentos de crise e aversão a risco.

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Nesta tabela estão as empresas da América Latina com maior crescimento de valor de mercado desde o 11 de setembro de 2001.

Sobre essa lista, Jennie Li ressalta que as blue chips brasileiras não são chamadas assim à toa. “Vale (VALE3), Itaú (ITUB4) e Petrobras (PETR3; PETR4) possuem desempenhos muito consistentes no longo prazo”, comenta.

Já entre as empresas da América Latina que mais caíram desde aquele dia, as diversas empresas da Argentina no ranking evidenciam as diversas crises pelas quais o país passou desde o início deste século.

Por fim, aqui está um comparativo que mostra as diferenças na composição do Ibovespa daquela época para o índice hoje. É impressionante notar como apesar da nossa Bolsa ainda ser muito ligada a commodities o peso das ações deste setor caiu muito, ao passo que o setor financeiro cresceu brutalmente em relevância. Em menor medida, movimento similar ocorreu com o varejo do país.

No mais, a estrategista da XP ressalta que o balanço desses números comprova a tese de que as bolsas de valores, em geral, tem um bom desempenho no longo prazo.

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Ela explica que fez um estudo no qual descobriu que anualmente o Ibovespa sofre quedas de, em média, aproximadamente 20% da máxima à mínima, tendo alguns casos mais extremos como o recuo de 60% depois da crise de 2008 e de 40% no ano passado por conta do coronavírus, porém mesmo com toda essa volatilidade, o índice se valorizou, também em média, em torno de 13% anualmente.

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