Destaques da Bolsa

11 ações afundam mais de 9% na semana; siderúrgicas lideram perdas

Confira os destaques do noticiário corporativo desta sexta-feira (20)

SÃO PAULO – Após ameaçar um dia positivo, o Ibovespa virou para queda durante a tarde e se manteve assim até o fim do pregão desta sexta-feira (20), encerrando a semana com perdas de 4,02%, aos 49.722 pontos. Neste ambiente, 11 das 59 ações que fazem parte do índice tiveram queda de mais de 9%, enquanto apenas 3 papéis registraram ganhos de mais 6% no período.

Em destaque negativo da semana ficou todo o setor siderúrgico, representado pela Usiminas (USIM5, R$ 1,83, -16,44%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 2,12, -15,20%), Gerdau (GGBR4, R$ 5,81, -11,97%) e CSN (CSNA3, R$ 7,28, -13,33%). Também com perdas de mais de 10% ficaram os papéis da Cyrela, Cemig e Banco do Brasil.

Por outro lado, na ponta positiva, destaque para a Lojas Americanas (LAME4), que disparou 12,08% nos últimos cinco dias, a R$ 16,05, após a notícia da nova capitalização da B2W. Na sequência ficaram duas ações favorecidas pela alta do dólar, a Fibria (FIBR3, R$ 31,19, +7,37%) e a Klabin (KLBN11, R$ 18,20, +6,50%).

Confira os destaques desta sexta-feira (20):

Petrobras (PETR3, R$ 11,33, -1,56%PETR4, R$ 8,90, -0,67%)
As ações da Petrobras viraram para queda, juntamente com o Ibovespa. Lá fora, o preço do petróleo brent registrava leve queda de 0,12%, a US$ 48,75 o barril. Investidores acompanham o dia de alívio no exterior e as notícias com a indicação do novo CEO da Petrobras. Confirmado pelo governo, o futuro presidente-executivo da estatal, Pedro Parente, prometeu na quinta-feira fazer uma gestão “estritamente profissional” na estatal, sem indicações políticas.

Em sua primeira entrevista como indicado para o posto, o ex-ministro da Casa Civil e do Planejamento do governo Fernando Henrique Cardoso disse que a empresa tem grandes desafios pela frente, mas que o processo de recuperação já foi iniciado pela atual diretoria.“Não haverá indicações políticas na Petrobras, o que vai facilitar muito a vida do Conselho de Administração e a minha própria. Isso foi uma indicação clara que o presidente (interino Michel) Temer me passou e sem dúvida nenhuma foi um dos pontos que me ajudaram a decidir por essa opção de assumir essa posição”, disse Parente, que atualmente preside o Conselho de Administração da BM&FBovespa. Parente ressaltou, contudo, que a atual diretoria, comandada por Aldemir Bendine, e o Conselho já deram início ao processo de recuperação da empresa, mas reconheceu que o desafio ainda é muito grande e que poderá indicar novos diretores.

Em relatório, o Bank of America Merrill Lynch destacou que Parente é bem qualificado para o cargo, com larga experiência nos setores públicos e privado. E os desafios permanecem significativos, com a questão mais importante sendo a necessidade de reduzir a pesada carga de endividamento. Além disso, a companhia precisa mostrar avanços na conclusão de suas vendas de ativos para manter liquidez e fazer frente a dificuldades associadas às investigações (Lava Jato, SEC e Departamento de Justiça dos EUA) e com ações judiciais, entre outras. O mercado deve monitorar de perto se a mudança na gestão implicará maior independência, o que pode incluir mais liberdade para fixar preços de diesel/gasolina e na gestão do portfólio dos ativos

A confiança dos investidores na independência da estatal deve seguir limitada, afirma o banco. O BofA ressalta que, normalmente, outros postos seniores mudam com o do presidente e a pergunta-chave é se haverá mudança do diretor-financeiro, “diante da nossa impressão de que há visão positiva entre investidores quanto a Ivan Monteiro, atual ocupante do posto”. Vale destacar que, segundo a Folha, Monteiro avisou que deixará a estatal.

Vale (VALE3, R$ 14,13, -5,10%; VALE5, R$ 11,40, -3,80%)
Depois de subir 3% na máxima do dia, as ações da Vale deram continuidade ao forte movimento de queda que ocorre desde o início do mês. Os papéis da companhia descolaram hoje do preço do minério de ferro spot (à vista), negociado no porto de Qingdao com 62% de pureza, que fechou em alta de 2,66%, a US$ 54,89 a tonelada seca.

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Os estoques portuários de minério de ferro na China aumentaram em 1,6% nesta semana, atingindo o patamar mais alto desde março de 2015. “Queda de Vale está totalmente correlacionada com estoques nos portos da China”, afirmou Pablo Spyer, diretor da Mirae Asset. “Cenário é ruim e mostra que oferta de minério no mundo aumentou muito”, completou.

As siderúrgicas também perdiam força nesta tarde. Embora a Gerdau (GGBR4, R$ 5,81, +2,47%) ainda tenha apresentado alta, os papéis da CSN (CSNA3, R$ 7,28, -2,28%) e Usiminas (USIM5, R$ 1,83, -2,66%) viraram para o negativo. No radar das companhias, a CSN informou que pagou R$ 178,8 milhões por 35,7 milhões de ações ON da Usiminas. A companhia informou que, do total de ações adquiridas, 33,7 milhões foram subscritas diretamente pela CSN por R$ R$ 168,6 milhões. Outras 2,05 milhões de ações foram subscritas pelo VR1 Fundo de Investimento Multimercado. A subscrição faz parte do aumento de capital da Usiminas.

Além disso, destaque para a entrevista do diretor executivo da CSN Paulo Caffarelli para o Valor, afirmando apostar que a partir de 2018 a maré ruim do mercado se reverta, e a companhia alcance a tranquilidade, voltando a ter uma forte geração de caixa. Atualmente, o resultado operacional anualizado é de pouco mais de R$ 3 bilhões, o suficiente para pagar os custos da dívida. 

Já a Gerdau anunciou nesta sexta-feira acordo para venda de produtora de aços especiais na Espanha por até 200 milhões de euros, em meio a plano para se focar em empresas com maior rentabilidade. A venda foi acertada com o grupo de investimentos Clerbil, formado por executivos locais da unidade vendida e pelo atual presidente-executivo da operação. Segundo a Gerdau, a venda da unidade de aços especiais na Espanha foi acordada por 155 milhões de euros, mas a empresa poderá receber até 45 milhões de euros adicionais ào final de cinco anos dependendo da performance da empresa vendida.

Construtoras 
As ações das construtoras MRV (MRVE3, R$ 10,71, -4,46%) e Direcional (DIRR3, R$ 5,77, +0,52%) fecharam entre perdas e ganhos, após o governo de Michel Temer abandonar a meta traçada pela presidente afastada Dilma Rousseff de contratar 2 milhões de moradias do Minha Casa Minha Vida até o fim de 2018, conforme disse o ministro das Cidades, Bruno Araújo. Os papéis, no entanto, operam neste momento entre ganhos e perdas na Bovespa. 

Ao jornal O Estado de S. Paulo, Araújo afirmou que toda a terceira etapa do programa – e não apenas a modalidade Entidades – está suspensa e passará por um processo de “aprimoramento”.  Ele estimou em 40 dias o tempo necessário para fazer um raio X da principal vitrine de seu ministério. Segundo o ministro, a nova meta para o Minha Casa vai depender da análise das contas públicas a cargo da equipe econômica de Temer, chefiada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. “É preferível que identifiquemos os reais limites do programa e que os números anunciados sejam o limite de contratação”, afirmou.

Segundo ele, “metas realistas” não geram expectativas falsas tanto nos empresários – que precisam fazer o planejamento pelo tamanho do programa – como para os beneficiários. Dilma Rousseff anunciou o MCMV 3, pela primeira vez, em julho de 2014, na véspera do início da campanha eleitoral, na comunidade do Paranoá, em Brasília. Naquele dia, prometeu construir 3 milhões de moradias até o fim de 2018, número que foi repetido na campanha e no início do segundo mandato. Posteriormente, recuou para 2 milhões de unidades, com investimentos de cerca de R$ 210,6 bilhões, sendo R$ 41,2 bilhões do Orçamento-Geral da União.

Nesta manhã, a Direcional Engenharia afirmou que novas contratações de obras das faixas 2 e 3 do programa continuam a operar normalmente, assim como as obras em andamento da faixa 1 do programa, de acordo com o diretor vice-presidente, Ricardo Ribeiro. Por isso, “todo plano de negócios da companhia está mantido”.  

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Já as novas contratações na faixa 1, que se apoiam em subsídios vindos do Orçamento federal, “continuam aguardando decisão do governo”. O executivo ressaltou que, desde 2014, não há contratações de novas obras no segmento mais popular do Minha Casa, por causa das restrições de recursos no governo federal. Os comentários de Ricardo Ribeiro foram feitos após publicação de entrevista do ministro na edição de hoje do jornal O Estado de S. Paulo. 

Cielo (CIEL3, R$ 31,49, -2,96%)
Segundo o BTG Pactual, a queda de 9% das ações da Cielo nos últimos 6 pregões é uma “oportunidade de compra”. Para os analistas, o resultado do 1° trimestre foi muito bom e o 2° trimestre deve vir forte também. “A Cielo tem surpreendido positivamente em termos de crescimento de volume, o cenário competitivo parece estar num momento benigno, o pré-pagamento segue bem e a companhia começou a entregar resultados no lado de custos”, destacam.

Fibria (FIBR3, R$ 31,19, +1,73%) 
Apesar do dia de queda do dólar frente o real, as ações da Fibria subiram hoje, assim como os papéis da Suzano e Klabin – ambas do setor de papel e celulose. No radar das companhias, o BTG Pactual reiterou recomendação de compra da ação, apesar de ressaltarem uma “convicção baixa no call”. Os analistas destacam que estão mais preocupados com o lado econômico do projeto de Três Lagoas 2, considerando a deterioração dos mercados e a baixa visibilidade de longo prazo. O banco cortou o preço-alvo do papel de R$ 50,00 para R$ 46,00. 

BM&FBovespa (BVMF3, R$ 16,40, -0,61%) e Cetip (CTIP3, R$ 42,49, +0,17%)
As Assembleias de acionistas da Cetip e da BM&FBovespa aprovaram nesta sexta-feira a operação de união entre as duas companhias. 
Também foi aprovada por maioria a dispensa da realização de oferta pública de aquisição de ações (OPA) da Cetip no âmbito da união com a operadora da bolsa paulista.

Oi (OIBR4, R$ 0,94, +1,08%)
As ações da Oi subiram nesta sessão após o 
Conselho Diretor da Anatel aprovar um programa de investimentos e correção de condutas proposto pela  estimado em R$ 3,2 bilhões. Na máxima do dia, os papéis atingiram alta de 5,4%, a R$ 0,98. O objetivo é ampliar cobertura e qualidade dos serviços de telecomunicações, em especial da banda larga fixa e móvel. Os recursos deverão ser utilizados ao longo de 4 anos prioritariamente em localidades onde a infraestrutura de telecomunicações é deficiente ou mesmo inexistente, diz Anatel.

Ainda sobre a companhia, destaque para a notícia da Bloomberg de que o fundo do Aurelius Capital Management está recorrendo de decisão judicial que permitiu à Oi emprestar recursos da unidade holandesa do grupo, segundo uma fonte ouvida pelo jornal. A decisão judicial favorável à Oi, tomada no início deste mês, foi um golpe para o fundo Capricorn Capital, cujo processo em Amsterdã argumentava que a Oi não teria condições de pagar 2,8 bilhões de euros que emprestou da unidade Oi Brasil Holdings Cooperatief diante de sua agravada situação financeira. A Capricorn disse que os recursos emprestados à Oi em junho de 2015 vieram de outra subsidiária do grupo, a Portugal Telecom International Finance, PTIF. O fundo tem títulos de dívida da PTIF de mais de 100 milhões de euros de valor de face.

CSU CardSystem (CARD3, R$ 5,32, +7,91%)
As ações da small cap CSU CardSystem disparam nesta sessão, com forte volume financeiro de R$ 1,01 milhão, contra média diária de R$ 513 mil nos últimos 21 pregões. Apesar da falta de noticiário sobre a empresa, o papel vem ganhando fôlego na Bolsa desde o fundo de março. De lá para cá, já subiu 100%. Segundo Adeodato Volpi Netto, head de mercados da Eleven Financial, a ação tem fundamento, boa gestão e pode se beneficiar de um segundo rali do Ibovespa pós-afastamento de Dilma (veja mais clicando aqui).