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Nos últimos dez anos, o consumidor americano viu seu poder de compra encolher de forma consistente. A combinação de inflação elevada, salários que não acompanharam o ritmo dos preços e custos essenciais em forte alta transformou a relação dos americanos com o próprio bolso.
O iPhone é um exemplo emblemático dessa mudança: em 2015, o modelo principal custava cerca de US$ 500; hoje, o valor gira em torno de US$ 799. Em outras palavras, o mesmo produto exige muito mais dólares do que há uma década.
Inflação dominante e custo de vida em alta
Segundo Isabella Hass, analista de mercado internacional da W1 Capital, a perda de poder de compra ao longo da última década foi impulsionada principalmente pela inflação.
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Ela lembra que o movimento ganhou força após a pandemia, quando as cadeias de produção foram interrompidas, os custos subiram e os pacotes de estímulo fiscal despejaram liquidez na economia. “Tudo isso acabou corroendo o valor real do dólar”, destaca.
A inflação mais alta atingiu justamente itens essenciais, como gasolina, alimentação, energia e moradia, reduzindo a capacidade de consumo mesmo entre quem viu o salário nominal crescer.
“Os salários até subiram nesse período, impulsionados por um mercado de trabalho aquecido, mas não acompanharam o ritmo da inflação”, afirma Hass. O resultado é que boa parte dos consumidores passou a lidar com um custo de vida que cresceu mais rápido que a renda.
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Salários maiores, vida mais cara
Para Jeff Patzlaff, planejador financeiro e especialista em investimentos, a disparada dos preços pós-pandemia foi determinante. “O poder de compra do americano foi bem pressionado.
Mesmo que os salários tenham subido, os custos subiram mais”, explica. Ele lembra que setores essenciais ficaram muito mais caros, enquanto os juros atingiram níveis elevados, pesando especialmente no financiamento de casas e carros.
Patzlaff reforça ainda que mesmo com a estabilização da inflação nos últimos meses, os preços não voltaram ao patamar pré-pandemia. “Eles apenas pararam de subir tão rápido”, diz. O efeito acumulado faz com que, apesar de ganhar mais dólares do que em 2015, o americano médio compre menos qualidade de vida hoje.
Isabella Hass observa que, nos últimos dois anos, houve uma leve recuperação do poder de compra, com desaceleração da inflação e aumento dos salários reais. Ainda assim, ela destaca que essa melhora é limitada: “Estamos longe de compensar totalmente o que se perdeu desde 2020. Essa perda continua sendo um dos principais desafios da política econômica dos EUA”.
O que 100 dólares representam hoje
A evolução do preço do iPhone ajuda a ilustrar a mudança: os US$ 100 de 2015, que representavam 20% do preço do aparelho, hoje equivalem a pouco mais de 12% do valor necessário para comprá-lo.
Em um cenário de custos essenciais acumulando altas expressivas e reajustes salariais insuficientes, o consumidor americano precisou reequilibrar prioridades e, por isso, o orçamento mensal ficou mais apertado.