10.000 pontos em 10 semanas: Ibovespa quebra recorde de 11 anos com nova alta

Apesar de sessão no zero a zero nesta sexta-feira, Bolsa conseguiu ter sua décima semana seguida de alta, na melhor sequência desde novembro de 2005

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SÃO PAULO – O Ibovespa ficou no zero a zero nesta sexta-feira (19), mas conseguiu terminar a semana com ganhos de 1,37%, aos 59.098 pontos após renovar por duas vezes na semana seu maior patamar desde setembro de 2014. Apesar deste otimismo inicial, o mercado aumentou suas preocupações com o poder do governo em aprovar as medidas fiscais após o adiamento da votação da DRU por falta de quórum.

Além disso, o fato de próxima semana ser decisiva tanto aqui – com o julgamento do impeachment -, quanto no exterior – com discurso da presidente do Federal Reserve, Janet Yellen -, deixam o mercado mais apreensivo. No mercado cambial, o dólar fechou esta sessão com forte queda de 0,81% – mínima do dia -, cotado a R$ 3,2065 na compra e R$ 3,2071 na venda após acumular seis sessões seguidas de alta. Na semana, a moeda subiu 0,69%.

Apesar das duas últimas sessões mais fracas, o Ibovespa conseguiu atingir sua décima semana seguida de ganhos, acumulando alta de quase 20% no período. O índice não tinha uma sequência tão forte de alta em mais de 10 anos, com o benchmark subindo 23,9% em 11 semanas no período entre 14 de novembro de 2005 e 23 de janeiro de 2006. A última semana que o Ibovespa encerrou com queda foi no início de julho, quando ficou no patamar de 49.422 pontos. Desde então os ganhos são de quase 10 mil pontos.

Nesta sexta-feira
Nesta sexta a Bolsa teve uma sessão volátil, encerrando o dia com leve queda de 0,11%, com os bancos e as siderúrgicas amenizando as quedas, assim como a Petrobras (PETR3;PETR4). A petroleira, que passou o dia em queda após quatro dias seguidos de ganhos, amenizou as perdas, enquanto o petróleo registrou leve baixa, com o petróleo brent registrando leves perdas de 0,41%, a US$ 50,68.

No noticiário doméstico, o mercado aguarda pelas notícias da reunião de Michel Temer com líderes do Congresso em São Paulo, ministros e equipe econômica para alinhar os passos das políticas de ajuste fiscal. O objetivo do encontro é unificar discurso para evitar novos reajustes do funcionalismo público, diz a Folha, citando uma fonte do Planalto não identificada.

Na mínima do dia, o índice da bolsa brasileira chegou a cair 0,96%, seguindo o dia negativo no exterior em meio às preocupações com a Europa após a notícia de que o ex-presidente do banco Monte dei Paschi di Siena Alessandro Profumo e o executivo-chefe da instituição, Fabrizio Viola, estão sendo investigados por contabilidade falsa e fraude no mercado.

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Além disso, após a ata “dovish” do Fomc, o mercado voltou a temer pelos próximos passos do Fed após o presidente da distrital em São Francisco, John Williams, ter defendido ontem que o BC norte-americano volte a elevar os juros de curto prazo “antes cedo do que tarde”. Com o comentário, Williams junta-se a outros dirigentes do Fed que argumentam que a economia dos  EUA já se fortaleceu o suficiente para lidar com custos de empréstimos mais altos. Em meio a visões desencontradas, o mercado espera agora pelas falas da chaiwoman do Fed, Janet Yellen, no simpósio de Jackson Hole a partir do dia 26.

No radar do Banco Central, destaque para a reunião do presidente Ilan Goldfajn com Affonso Celso Pastore e com um grupo de investidores. Nesta manhã, após ter elevado os leilões de swap reversos para 15 mil contratos, a autoridade monetária voltou a ofertar 10 mil papéis. Pesaram ainda as poucas indicações de novos estímulos pelo Banco Central Europeu, conforme mostrou a ata da última reunião. Com a “ampla” concordância dos diretores do BCE de que reações imediatas ao “Brexit” não deveriam alimentar especulações excessivas sobre estímulos, não há novos sinais de reforço da liquidez global, o que limita a queda do dólar a curtíssimo prazo no Brasil.

Destaques de ações
Entre os destaques de ações, ficaram as ações da Rumo (RUMO3, R$ 7,57, +6,32%) que tiveram o preço-alvo elevado pelo JPMorgan de R$ 7,00 para R$ 9,00. Os papéis de BR Malls (BRML3, R$ 12,83, +4,31%), em meio à elevação de recomendação do Credit Suisse para “outperform”. As ações da Vale (VALE3VALE5), que registraram ganhos superiores a 1%.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 CIEL3 CIELO ON 33,92 -2,39 +22,22 157,02M
 EMBR3 EMBRAER ON 14,51 -1,76 -51,75 23,25M
 SBSP3 SABESP ON 29,41 -1,57 +56,82 27,57M
 ESTC3 ESTACIO PARTON 17,75 -1,39 +31,41 14,04M
 TIMP3 TIM PART S/AON 8,40 -1,18 +25,72 15,15M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 RUMO3 RUMO LOG ON 7,57 +6,32 +21,31 92,15M
 JBSS3 JBS ON 11,69 +5,70 -0,90 97,14M
 BRML3 BR MALLS PARON 12,90 +4,88 +51,08 87,04M
 BBAS3 BRASIL ON 23,20 +2,07 +60,92 200,19M
 GOAU4 GERDAU MET PN 4,00 +2,04 +140,96 131,72M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

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 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN 12,79 -0,70 414,58M 579,69M 26.866 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN EJ 36,34 -0,66 326,11M 408,62M 17.731 
 VALE5 VALE PNA 16,17 +1,32 203,85M 326,47M 16.177 
 BBDC4 BRADESCO PN 29,42 -0,57 200,28M 266,70M 19.214 
 BBAS3 BRASIL ON 23,20 +2,07 200,19M 206,77M 19.952 
 GGBR4 GERDAU PN 10,28 -0,58 186,97M 138,68M 24.033 
 CIEL3 CIELO ON 33,92 -2,39 157,02M 142,32M 12.047 
 CCRO3 CCR SA ON 17,92 -0,44 149,81M 86,81M 21.033 
 GOAU4 GERDAU MET PN 4,00 +2,04 131,72M 100,93M 12.923 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 19,85 -0,35 113,66M 226,81M 16.583 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)
 

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.