Instituto fundado por executivos do extinto Ibope Inteligência, o Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria) se tornou Ipsos-Ipec a partir de fevereiro de 2025, quando foi adquirido pelo Ipsos. Apesar da mudança, a metodologia de pesquisa segue a mesma.

Instituto:Ipsos-Ipec
Metodologia:Pesquisa presencial em domicílio
Principal(is) contratante(s):Veículos de comunicação
Quantidade de entrevistas:em média, 2.000 entrevistas para pesquisa nacional

Os levantamentos do Ipsos-Ipec são feitos a partir de entrevistas pessoais, com a aplicação de questionário estruturado. Os respondentes são selecionados a partir de variáveis de gênero, idade, escolaridade e nível econômico.

Estágios para definição da amostra

A definição da amostra do levantamento eleitoral é definida em três estágios.

  1. Faz-se um sorteio probabilístico onde as entrevistas serão realizadas, por meio do método de probabilidade proporcional ao tamanho (PPT).
  2. Faz-se mais um sorteio probabilístico, desta vez dos setores censitários ‒ ou seja, os conjuntos de quarteirões ‒ onde as entrevistas serão realizadas. É adotado o mesmo método PPT e considerada a população de 16 anos ou mais residente nos setores como base.
  3. Dentro dos setores sorteados, os respondentes são selecionados através de cotas amostrais proporcionais em função de gênero, idade, escolaridade e nível econômico.

Definição da amostra

Além do gênero ser uma categoria de seleção da amostra, também é usada pelo Ipsos-Ipec para determinar a cota de respondentes dentro das demais variáveis. Assim, em pesquisa nacional registrada em julho de 2022 (BR-07235/2026), o Ipsos-Ipec definiu a seguinte distribuição amostral esperada:

  • Gênero: 47% masculino; 53% feminino;
  • Idade: 16-24 ‒ 18% masculino e 15% feminino; 25-34 ‒ 23% masculino e 21% feminino; 35-44 ‒ 20% masculino e 21% feminino; 45-59 ‒ 24% masculino e 25% feminino; 60+ ‒ 15% masculino e 18% feminino;
  • Instrução: até Ensino Médio ‒ 85% masculino e 81% feminino; Ensino Superior ‒ 15% masculino e 19% feminino;
  • Nível econômico: Economicamente ativo ‒ 67% masculino e 45% feminino; Não Economicamente ativo ‒ 33% masculino e 55% feminino.

O Ipsos-Ipec não utiliza renda como variável de controle. O dado é levantado como resultado nas pesquisas do instituto, assim como religião. “Renda é uma variável que muda muito em função da economia. Agora estamos em um período de queda de renda ‒ qual é a atualização deste número? Também tem o problema de que quem ganha mais fala que ganha menos, e quem ganha menos fala que ganha mais. Com isso, o miolo fica superestimado”, justifica Cavallari.

Fonte dos dados e ponderação

O instituto utiliza dados da Pnad 2024 e do Censo 2022 (ambos levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) como importante parâmetro para suas amostras nas pesquisas. A base de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por outro lado, é usada somente para aferir informações do eleitorado com idade entre 16 e 17 anos (em que o voto não é obrigatório). A justificativa é que se trata de dado mais “fresco”, além de oferecer um recorte dos subgrupos que a Pnad não é capaz neste caso (como o voto é facultativo, muitos não tiram o título de eleitor nestas idades, e, por não votarem, não fazem parte do universo das pesquisas).

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Em seus registros, o Ipsos-Ipec a realização de eventual ponderação para correção das variáveis sexo e idade caso ocorram diferenças superiores a 3 pontos percentuais entre o previsto na amostra e a coleta de dados realizada. Já para as variáveis de grau de instrução e nível econômico do entrevistado, o fator previsto para ponderação é 1 ‒ o que corresponde aos resultados obtidos em campo, sem intervenções.

“Em teoria, nós não fazemos ponderação. A amostra já está desenhada proporcional [ao universo de eleitores] e os entrevistadores têm que cumprir aquelas cotas. É raríssimo [haver necessidade de ponderação]. Só em casos excepcionais, como intempéries em campo”, pontua Cavallari. E em caso de ser aplicado um fator de ponderação, o máximo que o instituto utiliza é 1,8.

Qual é a margem de erro das pesquisas?

O Ipsos-Ipec costuma trabalhar com nível de confiança estimado de 95% e margem de erro máxima de 3 pontos percentuais para mais ou para menos, considerando um modelo de amostragem aleatório simples. Este caso se aplica a pesquisas com 2.000 entrevistas, mas varia de acordo com o tamanho da amostra. Tudo o mais constante, quanto maior o número de entrevistas, menor a margem de erro.

Todas as pesquisas do instituto são realizadas em tablets, gravadas e com dispositivo de geolocalização, utilizado na verificação do cumprimento dos mapas definidos na amostragem. Cerca de 20% dos questionários são submetidos a uma fiscalização posterior, para verificação das respostas e da adequação dos entrevistados aos parâmetros amostrais.