Mesmo quem estuda em uma universidade pública precisa lidar com despesas ao longo do curso. Transporte, alimentação e materiais de estudo fazem parte dessa rotina e podem pesar no orçamento, tornando a permanência no ensino superior um desafio para muitos estudantes.
É nesse contexto que surge a proposta do Pé-de-Meia Universitário, anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 13 de outubro. A iniciativa prevê um incentivo financeiro durante a graduação, seguindo a ideia do Pé-de-Meia, programa que já atende alunos do ensino médio.
O anúncio trouxe as primeiras informações sobre o público que poderá ser atendido e os valores previstos. A seguir, veja o que já se sabe sobre a proposta e como ela se diferencia do Pé-de-Meia Licenciaturas, que está em funcionamento desde 2025.
Quem tem direito ao Pé-de-Meia Universitário?
A proposta prevê atender estudantes inscritos no Cadastro Único (CadÚnico), com renda familiar de até meio salário mínimo por pessoa, que estejam em uma destas situações:
- Universidades públicas: alunos matriculados em cursos de graduação de instituições públicas de ensino superior, sejam federais, estaduais ou municipais;
- Faculdades particulares: estudantes que tenham bolsa do Programa Universidade para Todos (Prouni).
Para calcular a renda por pessoa, basta somar os rendimentos mensais da família e dividir o total pelo número de pessoas.
Segundo estimativas do governo federal, a primeira etapa do programa atenderia cerca de 485 mil universitários, com implantação gradual. O custo inicial seria de R$ 4,6 bilhões por ano, financiado com recursos do Fundo Social do Pré-Sal e verbas já destinadas à assistência estudantil.
Qual será o valor do Pé-de-Meia Universitário?
A proposta prevê uma bolsa mensal de R$ 700, paga durante dez meses do ano. Além disso, o estudante teria um depósito anual de R$ 2.500 em uma poupança, com previsão de saque após a conclusão da graduação.
Em um curso de quatro anos, as bolsas mensais somariam R$ 28 mil, enquanto os depósitos na poupança chegariam a R$ 10 mil. O total seria de R$ 38 mil, considerando todos os pagamentos previstos para o período. O dinheiro guardado na poupança também seria corrigido pela inflação ao longo da graduação.
| Pagamento | Valor previsto |
|---|---|
| Bolsa mensal | R$ 700 |
| Total de bolsas por ano (10 meses) | R$ 7.000 |
| Depósito anual na poupança | R$ 2.500 |
| Total anual | R$ 9.500 |
| Total em quatro anos | R$ 38.000 |
Quando começa o Pé-de-Meia Universitário?
A previsão é que o Pé-de-Meia Universitário comece em 2027, mas isso depende da reeleição do presidente Lula. O presidente apresentou a proposta como um compromisso para um eventual novo mandato.
Ainda não há inscrições abertas nem calendário de pagamentos. Se a proposta avançar, as orientações para solicitar o benefício deverão ser divulgadas pelo Ministério da Educação (MEC). Até lá, os estudantes podem acompanhar as novidades pelos canais oficiais do MEC.
Qual é a diferença entre o Pé-de-Meia Universitário e o Pé-de-Meia Licenciaturas?
Criado em 2025, o Pé-de-Meia Licenciaturas oferece bolsas para estudantes de cursos de formação de professores. O programa já está em funcionamento e tem regras próprias de seleção e pagamento.
Quem tem direito ao Pé-de-Meia Licenciaturas e como se inscrever?
Para participar, o estudante precisa ter média mínima de 650 pontos no Enem e ingressar em uma licenciatura presencial pelo Sisu, Prouni ou Fies, nessa ordem de prioridade.
Em 2026, são oferecidas até 12 mil bolsas. A pré-inscrição deve ser feita até 19 de dezembro, pela Plataforma Freire, com uma conta gov.br.
No sistema, o estudante cadastra seu currículo, informa os dados da matrícula e aceita o termo de participação. A CAPES analisa as candidaturas e divulga os resultados mensalmente, conforme a disponibilidade de bolsas.
Quanto paga o Pé-de-Meia Licenciaturas e quando é possível sacar?
O benefício é de R$ 1.050 por mês, dividido em duas partes:
- R$ 700 mensais: disponíveis para saque durante a graduação;
- R$ 350 mensais: depositados em uma poupança por até 48 meses, totalizando R$ 16.800.
Para sacar a poupança, o estudante precisa concluir a graduação e começar a trabalhar como professor na rede pública em até cinco anos. Metade do saldo fica disponível após um ano de docência e o restante, após dois anos.
O Banco do Brasil abre automaticamente uma Poupança Social para o bolsista, que precisa ativá-la pelo aplicativo. O pagamento ocorre até o quinto dia útil do mês seguinte ao cadastramento do estudante pela instituição de ensino.