Os certificates of deposit, ou certificados de depósitos (CDs), são papéis de renda fixa americanos equivalentes aos Certificados de Depósito Bancário (CDBs) existentes no Brasil.

Eles representam títulos de dívidas emitidos por bancos nos Estados Unidos para captar recursos. Mas quanto eles rendem? E quais as principais diferenças para os CDBs brasileiros? Confira todas as respostas a seguir.

Como funcionam os CDs?

Na prática, o investidor empresta recursos à instituição financeira que emite esse papel, se comprometendo a deixar o dinheiro aplicado por determinado período, em troca de uma remuneração.

Por exemplo: imagine um CD com prazo de 12 meses, que pague juros de 5% ao ano. Ao aplicar US$ 10 mil, o cliente já sabe que, ao fim do período, terá uma remuneração de US$ 500.

Os prazos desses papéis variam bastante. Existem no mercado CDs que vencem em 30 dias (ou até menos), 12 meses ou vários anos.

Quanto os CDs rendem?

O retorno oferecido, obviamente, muda de acordo com o intervalo de aplicação. Em geral, quanto maior o período, mais alto tende a ser o rendimento – que é informado antecipadamente.

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“As taxas pré-fixadas trazem previsibilidade ao investidor”, afirma Bruna Caroline Kloppel, especialista em investimentos do sistema de cooperativas de crédito Ailos.

Em algumas instituições, é possível também encontrar taxas mais atraentes, dentro de um mesmo período de vencimento, para quem se dispõe a aplicar quantias maiores.

Em dezembro de 2023, é possível encontrar títulos com remuneração anualizada de até 5,65%, segundo levantamento da plataforma Bankrate – bem acima dos 3,96% ao ano oferecidos pelos títulos públicos de 10 anos dos EUA, considerados referência para ativos de renda fixa.

As maiores taxas são pagas normalmente por CDs de bancos digitais ou instituições de crédito regional. Mas também é possível encontrar remunerações altas em produtos de bancos americanos nacionais.

Existe um valor mínimo para investir em CDs?

Em geral, o valor mínimo de aplicação em um CD varia de uma instituição para outra. Os prazos desses papéis também influenciam nesse quesito.

Em julho de 2023, nos EUA, alguns bancos trabalhavam com o mínimo de US$ 1 mil para abrir uma conta CD, enquanto outros tinham um limite muito menor ou mesmo nenhum, segundo reportagem do The Wall Street Journal. Além disso, alguns possuíam na prateleira “CDs promocionais”, com condições diferenciadas, por tempo limitado.

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Em plataformas que oferecem contas internacionais no Brasil, o aporte mínimo varia de US$ 500 a US$ 10 mil, a depender da instituição.

Qual a liquidez desses papéis?

A maioria dos CDs é considerada como um investimento sem liquidez, ou seja, os recursos não ficam disponíveis para saque a qualquer momento.

Caso o investidor decida reaver o dinheiro antes do prazo de vencimento, sofrerá uma penalidade que, normalmente, representa a perda de parte ou totalidade da remuneração acordada.

O cancelamento de 100% dos rendimentos é comum principalmente se houver saque antecipado nos CDs de curto prazo.

Em alguns casos, considerados raros, a punição pode significar apenas o pagamento de uma taxa fixa pela solicitação do resgate. Isso depende, no entanto, dos critérios estabelecidos pela instituição emissora do título.

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No entanto, isso pode ser diferente no caso dos CDs flexíveis, nesse caso chamados também de “no-penalty CDs” (CDs sem multa). Ao contratar um ativo como esse, o investidor tem a opção de sair antes do investimento.

Os CDs são seguros assim como os CDBs brasileiros?

Os CDs emitidos nos EUA são garantidos pela Federal Deposit Insurance Corporation (FCIC), uma agência independente criada para manter a estabilidade do sistema financeiro americano, até o montante de US$ 250 mil por depositante.

A proteção se assemelha ao que existe no Brasil com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), cujo limite atual é de R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira.

Segundo a página da FIDC (www.fdic.gov), a proteção aos detentores de CDs ocorre de forma automática e vale para qualquer conta de depósito aberta em um banco segurado.

Para conferir se uma instituição financeira faz parte desse grupo, a entidade disponibiliza uma ferramenta de pesquisa em seu site (banks.data.fdic.gov/bankfind-suite/bankfind).

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O head de produtos e portfólios do Inter, Erick Scott Hood, chama atenção, no entanto, para o fato de que essa cobertura abrange apenas títulos emitidos nos EUA. “Alguns países não oferecem esse tipo de garantia e, nesse caso, corre-se o risco de crédito do emissor.”

E se os juros americanos mudarem?

A característica de renda fixa faz com que os CDs apresentem um risco de taxa de juros. Como o CD trava um rendimento por determinado período, se o governo dos EUA decidir aumentar os juros nesse intervalo, o investidor perde a chance de acompanhar esse movimento em outra aplicação.

Embora seja incomum, existem também os chamados “CDs flexíveis”. Tais papéis oferecem oportunidade de aumentar o retorno do investimento se o juro americano tiver subido significativamente desde o início da aplicação.

Chamados também de CDs de taxa variável (variable-rate CDs), os CDs flexíveis permitem que os juros subam ou desçam a depender das decisões do banco central americano.

É importante destacar que, no sentido contrário, considerando a hipótese de os juros dos EUA caírem durante o intervalo de aplicação, a contratação de um CD com taxa prefixada garante um retorno maior.

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A quem se destinam os CDs?

“Assim como todo investimento, os CDs possuem características que devem estar alinhadas com os objetivos e necessidades financeiras de cada investidor”, diz Bruna, da Ailos.

Como não possuem liquidez, são recomendados para quem possa deixar os recursos aplicados até a data de vencimento, afirmam especialistas. Se o investidor acredita que poderá precisar do dinheiro no curto ou médio prazo, é importante que busque CDs com esse horizonte.

Nesse sentido, uma estratégia citada por analistas é o escalonamento das aplicações. Consiste basicamente em dividir o total da alocação em CDs em papéis com vencimentos diferentes.

Por exemplo: se o investidor quiser destinar US$ 3 mil para esse produto, pode aportar US$ 1 mil em CDs que vencem em 3, 6 e 12 meses. Quando cada título “amadurecer”, ou seja, puder ser resgatado com ganho integral, ele pode ou não escolher outro CD com prazo semelhante, mantendo ou ajustando seu cronograma de aplicações.

Bruna observa ainda que o investimento em CDs traz proteção em moeda forte, pois acompanha a variação do dólar. “A dolarização de parte dos recursos faz muito sentido para quem busca maior diversificação da carteira de investimentos.”

Rongel, do C6 Bank, acredita que os CDs se encaixam em todos os perfis de investidor. “O que vai variar é o percentual da alocação em renda fixa. Quanto mais conservador, maior a concentração em ativos dessa natureza.”

Como investir em CDs?

Existem basicamente dois caminhos para aplicar em CDs:

  • Abrir conta em um banco ou corretora que opere no Brasil e invista no exterior. Uma das vantagens é que os custos das operações são automaticamente convertidos e debitados em reais. O mesmo acontece com o crédito das remunerações.
  • Abrir conta em uma corretora americana. Isso permite acessar diretamente esses papéis. Nesse caso, as transações são feitas em dólar, mediante o envio de recursos para essa instituição.

Antes de escolher qualquer das alternativas, no entanto, vale lembrar que é preciso refletir bem sobre o assunto.

“Como em qualquer decisão de investimento, é fundamental avaliar seus objetivos financeiros, tolerância ao risco e horizonte de aplicação”, recomenda Bruna, da Ailos.

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