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Os fatores que fizeram a Gol ofuscar o "dia da Embraer na bolsa" - e disparar 165% em menos de 4 meses

Revisão para cima nas estimativas, queda do petróleo e abertura do capital das aéreas aos estrangeiros são alguns fatores que vem impulsionando a ação da aérea na bolsa

Gol
(Divulgação/Gol)

SÃO PAULO - Em uma sessão morna para o Ibovespa, as ações da Gol (GOLL4) foram o destaque de alta ao dispararem 7,35%, ofuscando inclusive o desempenho da Embraer (EMBR3), que recebeu o aval do governo para a fusão com a Boeing (veja mais clicando aqui).

O forte desempenho da empresa aérea no pregão desta sexta-feira (11) coroa os últimos meses bastante positivos para a companhia na B3, com os papéis registrando uma disparada superior a 165% em pouco menos de quatro meses, passando de R$ 9,31 no pregão de 13 de setembro de 2018 para R$ 24,74 nesta sessão.

O mais curioso é que esse movimento ocorreu enquanto a companhia reportava sucessivos prejuízos: em agosto, a aérea anunciou prejuízo de R$ 1,272 bilhão referente ao segundo trimestre de 2018, duas vezes maior do que a registrada no mesmo período de 2017. O prejuízo se seguiu no terceiro trimestre, ainda que um pouco menor, de R$ 409 milhões. 

Mas o que aconteceu para o tamanho ânimo recente com os papéis da empresa (e apesar dos seguidos prejuízos)?

Especificamente na sessão desta sexta, o grande motivo para alta dos papéis foi a revisão das estimativas para 2019, com a expectativa por um lucro por ação entre R$ 2,20 e R$ 2,60. Antes, a projeção era de R$ 1,50 a R$ 1,90. Assim, se a companhia já apontava para recuperação dos seus lucros mais à frente, os dados reportados hoje mostraram uma expectativa de melhora ainda mais expressiva. 

A companhia aérea também elevou a estimativa para a receita, de R$ 12,8 bilhões para R$ 12,9 bilhões, com margem Ebitda (Ebitda/receita líquida) elevada de 17% para 27%.

Segundo a Gol, as projeções foram atualizadas para refletir estimativas de demanda, mudanças na capacidade dos concorrentes, variações nos preços do petróleo, valorização do dólar, incorporação de aeronaves 737 MAX e estimativas preliminares da adoção do IFRS16. A aérea também revisou para cima a oferta de assentos nos dois anos. 

Mas, vale ressaltar, esses últimos meses foram positivos em meio a uma combinação bastante forte entre fatores tanto macroeconômicos quanto questões mais internas da Gol.

Dentre os fatores "macro", está a forte queda do petróleo, que representa cerca de 30% dos gastos totais da companhia. Em 2018, a commodity registrou queda superior a 20%, o que ajudou a companhia a controlar as suas despesas. 

A Gol, por sinal, afirmou durante conferência com analistas que ainda não capturou todo o benefício com a queda dos preços do petróleo. Mesmo assim, para o quarto trimestre de 2018, estima que a sua  margem operacional (Ebit) tenha atingido entre 19,5% a 20% (alta 6 pontos percentuais na comparação anual), o que é considerado um destaque na avaliação do seu vice-presidente Financeiro Richard Lark.

Outro fator positivo para a companhia foi a edição em meados de dezembro pelo então presidente Michel Temer de uma medida provisória liberando 100% de capital estrangeiro para as companhias aéreas, o que aumentou a possibilidade da entrada de um novo acionista. Contudo, o CEO da Gol, Paulo Kakinoff, afirmou que por ora não há nenhum movimento estratégico definido com outras aéreas relacionado a um aumento de participação estrangeira na companhia. 

A MP assinada por Temer veio na esteira do pedido de recuperação judicial da Avianca Brasil, que já havia impulsionado os papéis GOLL4. A Gol foi vista como a grande "beneficiária" do momento difícil da concorrente ao diminuir os números de rivais em campo, fazendo com que a ação subisse 13% no dia do anúncio negativo para a Avianca. 

Soma-se a isso o que a Gol classifica como bom comportamento da demanda brasileira, conferindo à empresa maior poder na hora de precificar as tarifas – sobretudo no início de ano, sazonalmente mais forte. Em um cenário de expectativa de retomada mais forte da economia, as ações da Gol podem se beneficiar. Além disso, a empresa ainda colhe os benefícios da aquisição de novos jatos, levando a uma redução dos custos unitários com assentos. 

Tantos motivos citados explicam porque a Gol registrou um forte desempenho nos últimos meses, mas há quem acredite que o rali já passou e que a hora é de cautela para quem está pensando em investir na empresa. De 11 casas consultadas pela Bloomberg, apenas três possuem recomendação equivalente à compra para os ativos, dentre eles o Bradesco BBI, que acredita em resultados fortes para a companhia no quarto trimestre.

Desta forma, um evento a ser acompanhado de perto é a temporada de balanços, com os números da companhia sendo divulgados no próximo dia 28 de fevereiro, antes da abertura do mercado. Por enquanto, os dados de preços de petróleo e novas informações sobre a entrada de capital estrangeiro nas aéreas devem ser o grande vetor para os papéis no curto prazo. 

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