Socorrista que resgatou Schumacher fala pela primeira vez 12 anos após acidente

Yannick Dainese revelou que a equipe foi orientada a desligar câmeras e preservar a privacidade do heptacampeão

Agência O Globo

Michael Schumacher em Monza 
 13/9/2008  REUTERS/Alessandro Bianchi
Michael Schumacher em Monza 13/9/2008 REUTERS/Alessandro Bianchi

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Pela primeira vez desde o acidente que mudou a vida de Michael Schumacher, o piloto de helicóptero responsável por seu resgate decidiu falar publicamente sobre o que viu naquele dia nos Alpes franceses.

Mais de doze anos após a queda sofrida pelo heptacampeão mundial de Fórmula 1 durante férias em Méribel, na França, Yannick Dainese revelou detalhes inéditos a revista espanhola Hola da operação que levou Schumacher ao hospital e marcou o início de um dos maiores mistérios do esporte moderno.

O acidente ocorreu em 29 de dezembro de 2013. Desde então, a família manteve uma política rígida de privacidade sobre o estado de saúde do ex-piloto, que não aparece publicamente desde o episódio.

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— Inconscientemente, claro, a pressão estava lá, porque, embora eu não fosse fã de Fórmula 1, sabia que as pessoas o veneravam como um deus — admitiu Yannick

Na época, Dainese trabalhava para a empresa SAF Hélicoptères, especializada em resgates de emergência em áreas montanhosas. Ele estava de plantão quando recebeu o chamado para atender um grave acidente de esqui na estação de Méribel. Segundo relato ao jornal francês L’Équipe, a equipe descobriu apenas momentos antes da decolagem que a vítima era Michael Schumacher.

— Enquanto nos preparávamos para sair, fomos informados de que se tratava de Michael Schumacher. Também recebemos instruções para retirar microfones e câmeras GoPro — contou.

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De acordo com o piloto, as pessoas que acompanhavam o ex-piloto agiram rapidamente para isolar a área e impedir qualquer registro do acidente. Apesar da fama mundial do paciente, Dainese afirmou que a equipe tentou tratar a ocorrência como qualquer outra missão de resgate.

— Em situações como essa, cada um se fecha na própria bolha. Para nós, inicialmente, era apenas mais uma pessoa gravemente ferida. Mas, inconscientemente, a pressão existia porque eu sabia o quanto ele era admirado pelo mundo — disse.

O socorrista transportou Schumacher até o Hospital Universitário de Grenoble em um voo que durou cerca de 25 minutos. Ao chegar, equipes médicas já aguardavam para iniciar o tratamento de emergência. Acostumado a atender acidentes em estações de esqui, Dainese afirmou que só percebeu a verdadeira dimensão do caso dias depois.

— Voltei ao hospital para outra missão e fiquei chocado. O que vi me chocou: havia tantos ônibus, bandeiras vermelhas e pessoas por toda parte que o terreno do hospital havia se transformado em um circuito de Fórmula 1— recordou.

Segundo ele, o silêncio mantido durante todos esses anos foi uma escolha deliberada.

— Não quis falar com a imprensa para evitar problemas. Além disso, eu não tenho os mesmos advogados da família Schumacher — brincou.

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A entrevista integra um projeto que reúne depoimentos de profissionais envolvidos no atendimento ao ex-piloto e lança nova luz sobre os bastidores das horas seguintes ao acidente. Desde a queda, Schumacher vive longe da vida pública. Após passar meses hospitalizado, incluindo um longo período em coma induzido, ele recebeu alta e passou a ser tratado em casa, sob cuidados médicos permanentes.

A família divulga poucas informações sobre sua condição. Relatos publicados por veículos europeus apontam que o ex-piloto recebe assistência 24 horas por dia em suas residências na Suíça e em Maiorca, na Espanha.

O sigilo em torno de sua situação continua sendo tão rigoroso que, em 2024, três pessoas foram condenadas na Alemanha por tentar extorquir a família com a ameaça de divulgar imagens e vídeos privados produzidos após o acidente.

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