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De quatro em quatro anos, junto com a Copa do Mundo, vem também o álbum de figurinhas. Os álbuns são mania internacional e unem crianças e adultos, mas deixam um impacto que costuma passar despercebido: lixo.
Depois de abertos e recuperados os tesouros, os pacotinhos podem ser reciclados normalmente, mas ao colar uma figurinha no álbum, sobra também o papel de trás, que é chamado de liner. Este não pode ser reciclado de forma convencional.
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Ailton Alves, diretor-executivo da Polpel, única empresa no Brasil que faz este tipo de reciclagem, relata que em tempos de Copa vê a produção de resíduo de liner crescer por conta do álbum.
Em 2022, durante a Copa do Catar, conta Alves, um representante da Natura (NATU3), uma das maiores parceiras da Polpel, já familiarizado com a reciclagem do material, começou uma iniciativa pequena, juntando as figurinhas dos seus filhos e dos colegas de escola.
A ação localizada fez chegar à Polpel mais de um milhão de liners de figurinhas. Este ano, a empresa se prepara para multiplicar esta quantidade: “Estamos esperando que o volume seja de 2 toneladas. Na última copa foram 230 kg”, diz Ailton Alves.
Desta vez, a Natura está fazendo uma campanha de coleta de liners como parte de seu programa de logística reversa, com pontos de coleta em suas lojas físicas. A participação garante ao cliente cupons de desconto.

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“A Natura tem como premissa transformar desafios socioambientais em oportunidades de negócio. E não é diferente neste caso, em que o liner das figurinhas não é um material amplamente reciclado e enxergamos o potencial de mobilização da sociedade neste tema”, explica Sérgio Talocchi, gerente sênior de Cadeias Sustentáveis da Natura, sobre a iniciativa.
Além da Natura, outras empresas também se juntaram aos esforços de reciclagem do liner das figurinhas. “Hoje são centenas de colégios, shopping centers, empresas… A gente já perdeu as contas”, relata o diretor da Polpel.
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Reciclagem de liners viralizou
Em 2026 o movimento de reciclagem ganhou uma nova dimensão ao atingir mais diretamente as pessoas físicas. Ailton Alves conta que tudo começou com um vídeo feito pela influenciadora Dani Skarb, que compartilhou a forma correta de descarte e sugeriu que as pessoas se organizassem para juntar os papéis e enviar à Polpel.
Ela contou que ficou sabendo da reciclagem de liners por meio de crianças da escola de seus filhos, que trouxeram a ideia. Após pesquisar e ver que o assunto era pouco falado, resolveu gravar o vídeo.
“Pensei ‘eu tenho que fazer algo’. E aí, fiz o vídeo. Sabia que ele iria chegar em bastante gente pois são dois assuntos muito fortes: Copa e meio ambiente. Mas nunca pensei que com esse vídeo conseguiríamos movimentar o Brasil inteiro”, disse. “Sou marcada diariamente em dezenas de publicações de escolas e empresas pelo Brasil que estão se juntando nesse movimento! É lindo de se ver que juntos chegamos longe!”, completou.
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Com a repercussão do vídeo, os liners têm chegado à Polpel vindo também de pessoas físicas, e não mais apenas de empresas, como costumava ser. Ailton Alves destaca ainda que as pessoas também têm perguntado se podem enviar outras coisas, como restos de etiquetas e papel contact.
Com a grande participação, a Polpel decidiu então criar uma campanha que vai até o dia 10 de agosto na qual todo o lucro arrecadado com a reciclagem do liner de figurinhas será revertido ao Graacc, entidade de apoio a crianças com câncer.
“É impressionante como as pessoas têm essa disponibilidade de colaborar quando a causa é justa”, comenta o diretor-executivo da empresa de reciclagem.
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Liner é material de difícil reciclagem
O material é de difícil reciclagem por dois motivos: o primeiro é que o papel é muito resistente. O segundo e principal é o fato de ele ser revestido em silicone, o que impossibilita o processamento normal.
Além das figurinhas, o liner está presente em todo tipo de etiqueta ou adesivo, além de rótulos, entre outras coisas.
No Brasil, são descartadas cerca de 3,8 mil toneladas de liner por mês, de acordo com a AWA (Alexander Watson Associates, entidade global do setor de embalagens). Isto equivale a 75% de todo o liner da América Latina. Deste total, apenas 350 toneladas são recicladas, ou seja, menos de 10% do total.
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A Polpel nasceu justamente após Daniel Lauzid notar a impossibilidade de reciclagem deste tipo de material. Ele desenvolveu um método e fez isso de forma artesanal até juntar-se com Ailton Alves para fundar a empresa há 13 anos.
Sediada em Guarulhos, na Grande São Paulo, atualmente a Polpel recebe o liner descartado por companhias parceiras de quase todas as regiões do Brasil.
Depois de reciclado, o liner é transformado em uma manta de celulose, que serve de base para a fabricação de diversos tipos de papéis e volta para as empresas originais em outros formatos, seguindo o modelo de economia circular. Na Natura, por exemplo, o liner vira embalagens.