Principal assessor de Infantino deixa cargo após plano de vender participação na Copa

Carlos Cordeiro afirmou que a prioridade da Fifa deveria ser a proteção do futebol

Agência O Globo

Presidente da Fifa, Gianni Infantino, chega ao estádio para a final da Copa do Mundo de 2026 entre Espanha e Argentina
19 de julho de 2026 REUTERS/Agustin Marcarian
Presidente da Fifa, Gianni Infantino, chega ao estádio para a final da Copa do Mundo de 2026 entre Espanha e Argentina 19 de julho de 2026 REUTERS/Agustin Marcarian

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O plano da Fifa de abrir espaço para investidores privados na gestão comercial de seus torneios segue gerando controvérsias. Nesta sexta-feira, Carlos Cordeiro, principal assessor do presidente Gianni Infantino, renunciou ao cargo em protesto contra a proposta de vender uma participação nos direitos comerciais da Copa do Mundo.

Ex-presidente da Federação de Futebol dos Estados Unidos e ex-vice-presidente do banco Goldman Sachs, Carlos Cordeiro estava na Fifa desde 2021. Em comunicado publicado no LinkedIn, ele afirmou que deixou a função com efeito imediato e ressaltou que não participou da elaboração do projeto.

— Como assessor sênior do presidente da Fifa, ex-banqueiro e torcedor de futebol durante toda a vida, não posso permanecer enquanto a Fifa considera vender uma participação na Copa do Mundo. Não tive qualquer envolvimento nessa proposta e me oponho a ela de forma inequívoca. É um mau negócio para as federações, para o futebol e para o futuro do esporte — afirmou.

Ele também criticou a falta de informações sobre o projeto. Ao anunciar sua renúncia, o ex-assessor afirmou que a prioridade da Fifa deveria ser a proteção do futebol, e não a maximização de receitas comerciais.

— Depois de uma análise cuidadosa, não posso continuar na função de assessor sênior do presidente da Fifa. Por isso, renunciei com efeito imediato. Quando os interesses comerciais entram em conflito com a proteção do esporte, o futebol deve vir em primeiro lugar — completou.

O plano da Fifa também provocou reações de entidades do futebol. Ontem, as 55 federações filiadas à Uefa concordaram, em uma reunião de emergência, em boicotar as competições organizadas pela Fifa, incluindo a Copa do Mundo, caso Infantino mantenha o projeto de criar uma empresa para administrar os ativos comerciais do torneio e vender parte dela a investidores privados.

Veja a publicação completa de Carlos Cordeiro

“Como Conselheiro Sênior do Presidente da FIFA, ex-banqueiro e apaixonado por futebol ao longo de toda a minha vida, não posso permanecer de braços cruzados enquanto a FIFA considera vender uma participação na Copa do Mundo.

Quero deixar claro: não tive qualquer envolvimento nesta proposta e me oponho a ela de forma inequívoca. É um mau negócio para as Associações Membro da FIFA, um mau negócio para o futebol e um mau negócio para o futuro do esporte a longo prazo.

O futebol sempre foi uma parte central da minha vida e, após mais de 35 anos no setor bancário, compreendo tanto o valor deste ativo quanto as consequências de abrir mão de parte dele. É por isso que esta proposta deve ser rejeitada.

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A FIFA já tem acesso a recursos financeiros extraordinários. A organização dispõe de bilhões de dólares em reservas e não possui dívidas. O próprio presidente da FIFA destacou os US$ 15 bilhões em receitas geradas entre 2022 e 2026. Se as Associações Membro acreditam que são necessários investimentos adicionais para desenvolver o futebol, a FIFA já tem capacidade financeira para oferecer esse apoio com seus recursos existentes. Diante desse cenário, vender uma participação permanente no ativo mais valioso do futebol para levantar US$ 4,2 bilhões faz pouco sentido. É hipotecar o futuro do futebol sem qualquer justificativa convincente.

Esse sucesso econômico não aconteceu por acaso. Ele foi alcançado por profissionais experientes do futebol, que quebraram os recordes comerciais da FIFA. No entanto, apesar dessas conquistas, agora estão pedindo à FIFA que acredite que investidores externos são necessários para liberar um valor ainda maior. Não aceito essa tese. As pessoas que construíram esse sucesso já demonstraram que a FIFA possui a expertise necessária para continuar desenvolvendo tanto o futebol quanto seu futuro comercial.

O mais preocupante de tudo é a ausência de respostas para questões fundamentais. Por que este negócio? Por que agora? Que mecanismos de supervisão existem? Quem se beneficia? Houve um processo competitivo? Que estrutura de governança será adotada? O que os investidores ganharão, em última instância, e a que custo para o futebol?

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Essas questões permanecem, em grande medida, sem resposta e, ainda assim, as Associações Membro estão sendo solicitadas a tomar uma decisão de enormes consequências em pouco mais de 50 dias, sob o risco de ficarem para trás. Essa não é uma forma responsável de determinar o futuro do futebol mundial.

Esta proposta se tornou uma questão decisiva para o futuro da FIFA. Após uma análise cuidadosa, não posso mais continuar exercendo minha função de Conselheiro Sênior do Presidente da FIFA. Por isso, apresentei minha renúncia com efeito imediato.

A responsabilidade da FIFA não é maximizar os retornos comerciais a qualquer custo. É proteger e fortalecer o futebol para as futuras gerações. Quando esses princípios entram em conflito, o futebol deve vir em primeiro lugar.

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Foi um privilégio de uma vida servir à FIFA por mais de cinco anos e trabalhar ao lado de pessoas dedicadas e íntegras, que se importam profundamente com o futebol. Espero que elas também se manifestem, porque decisões dessa magnitude devem ser tomadas no interesse do futebol, e não daqueles que pretendem lucrar com ele”