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A Copa do Mundo de 2026 recolocou em evidência uma regra pouco usual da Fifa: árbitros ingleses não podem apitar jogos da Argentina por razões geopolíticas ligadas à Guerra das Malvinas. A restrição afeta diretamente nomes como Michael Oliver e Anthony Taylor e reduz suas chances de trabalhar na final do torneio.
Michael Oliver será o árbitro do confronto entre Espanha e Bélgica nas quartas de final, em Los Angeles, e chegará ao seu sétimo jogo nesta edição do Mundial — marca superior à de qualquer outro inglês na história da competição. Ainda assim, sua presença na decisão de 19 de julho, no MetLife Stadium, é improvável se Inglaterra ou Argentina avançarem.
A Fifa já impede, por regra, que árbitros comandem partidas de suas próprias seleções, para evitar conflito de interesse e preservar a neutralidade. No caso dos ingleses, porém, o veto se estende também aos jogos da Argentina. O motivo é o peso político e simbólico ainda associado à disputa entre os dois países pelas Ilhas Malvinas, cenário da guerra travada em 1982.
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O conflito durou 74 dias e terminou com a rendição argentina e a manutenção do controle britânico sobre o arquipélago. Décadas depois, o tema segue sensível na política argentina e ainda mobiliza declarações públicas em defesa da soberania do país sobre o território. Para a Fifa, esse tipo de contexto pode gerar questionamentos sobre imparcialidade e, por isso, influencia a escala da arbitragem.
Na prática, a combinação entre chaveamento e restrição política reduz o espaço dos árbitros ingleses na reta final do Mundial. Como Inglaterra e Argentina estão do mesmo lado da chave e podem se enfrentar em uma eventual semifinal, Oliver e Taylor só teriam caminho para a final se Noruega ou Suíça chegassem à decisão. Situação semelhante ocorreu na Copa do Catar, quando Taylor era considerado para a final, mas ficou sem chances após a classificação argentina.
A escolha dos árbitros é feita jogo a jogo por uma equipe liderada por Pierluigi Collina, chefe da arbitragem da Fifa. Embora o desempenho técnico seja o principal critério, fatores geopolíticos também entram na avaliação. O mesmo raciocínio pode ser aplicado, por exemplo, a partidas envolvendo Estados Unidos e Irã. A lógica da entidade é evitar qualquer percepção de favorecimento ou pressão externa sobre a arbitragem em confrontos de maior peso.