Por dentro da Copa: Parada para hidratação e dar instruções ou para faturar mais?

Danilo Lavieri, que está cobrindo a Copa nos EUA para o InfoMoney, destaca que a novidade no começo era interessante para acompanhar as instruções dos técnicos, mas agora serve mais para propaganda

Danilo Lavieri

Vozinha, goleiro de Cabo Verde, toma água durante jogo contra a Espanha pela Copa do Mundo de 2026 - 15/06/2026 (Foto: REUTERS/Siphiwe Sibeko)
Vozinha, goleiro de Cabo Verde, toma água durante jogo contra a Espanha pela Copa do Mundo de 2026 - 15/06/2026 (Foto: REUTERS/Siphiwe Sibeko)

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A Copa do Mundo aqui nos Estados Unidos está bem notabilizada como a Copa que as marcas mais estão se divertindo. É impressionante como tudo gira em torno de quem faz a Fifa ser cada vez mais rica e, por consequência, quem também é parceiro da competição.

O símbolo disso tudo é a parada para hidratação. Ao assistir a um jogo pela televisão nos EUA, me assustei ao ver que as emissoras por aqui cortam totalmente as imagens dos jogos e conseguem colocar três ou quatro inserções enquanto os atletas tomam água.

Nas vezes que fui ao estádio, o telão aproveitou o momento para destacar marcas de isotônicos e também aproveitaram o momento para ressaltar as marcas que estão ao lado da competição. Minha surpresa foi maior ao saber que no Brasil isso também está acontecendo.

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Nunca foi entusiasta da parada para hidratação, mas tentando ver o copo meio cheio, era legal vermos os técnicos passando instruções para seus atletas. Isso não existe mais. O dinheiro venceu totalmente.

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Claro que todo mundo fica feliz: a Fifa, por conseguir cobrar mais pela transmissão e por vender mais patrocínio, as emissoras, por terem mais uma janela para lucrar com patrocinadores, e os jogadores e as seleções, que ganham mais dinheiro de prêmio. Mas e os torcedores? O preço do ingresso não caiu por isso. Na verdade, está cada vez mais caro.

Não é uma questão de ser inocente a ponto de achar que não é assim que o jogo é jogado. Claro que é. Quanto mais dinheiro é injetado, maior fica a competição, mais os clubes investem em jogadores e por aí vai. Mas é diferente ver o seu esporte favorito e a sua competição favorita mudando tanto.

Danilo Lavieri

Danilo Lavieri é jornalista experiente em cobertura de esportes, especialmente em bastidores e negócios do mundo do futebol. Atualmente, é colunista do UOL e comentarista do Canal UOL, com passagens por Abril, iG e Máquina do Esporte, com direito a coberturas de três Copas e outras importantes competições de futebol de clubes e seleções.