Na nova fase da CBF, até a convocação da seleção vira show e experiência de marcas

Patrocinadores da seleção puderam ativar ações e ainda chamar convidados para mostrar proximidade com o time que vai disputar a Copa do Mundo de 2026

Danilo Lavieri

O técnico da seleção brasileira, Carlo Ancelotti, fala à imprensa no Museu do Amanhã, Rio de Janeiro – 18/05/2026 (Foto: REUTERS/Ricardo Moraes)
O técnico da seleção brasileira, Carlo Ancelotti, fala à imprensa no Museu do Amanhã, Rio de Janeiro – 18/05/2026 (Foto: REUTERS/Ricardo Moraes)

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A maior convocação da história da seleção brasileira, na segunda-feira (18), virou também um enorme parque de diversões para patrocinadores da CBF. Em vez do tradicional anúncio rápido de lista, como fazem várias seleções ao redor do mundo, a entidade apostou em um megaevento no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, transformando a convocação de Carlo Ancelotti em um produto de entretenimento e experiência de marca.

A escolha dividiu opiniões entre torcedores e analistas, mas agradou em cheio aos parceiros comerciais. Patrocinadores como Nike, Guaraná Antarctica, iFood, Cimed, Azul, Vivo, Sadia, Volkswagen, Google Gemini, Amazon e Uber tiveram espaços dedicados para ativações e relacionamento.

O evento deixou claro um movimento cada vez mais forte no mercado esportivo: marcas querem vender experiências, exclusividade e proximidade emocional com o seu cliente, dando a impressão de algo único.

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A chegada de Carlo Ancelotti ao lado do Canarinho Pistola em um novo lançamento da Volkswagen simbolizou esse conceito. A convocação deixou de ser apenas um ato esportivo para se transformar em espetáculo corporativo, com convidados especiais, ativações instagramáveis e ações desenhadas para gerar conteúdo e engajamento nas redes sociais.

Engajamento

O impacto comercial apareceu imediatamente nos números de engajamento. A CazéTV registrou uma das maiores audiências de sua história fora de transmissões de jogos e alcançou 4 milhões de dispositivos conectados no momento da convocação. Em apenas 24 horas, o conteúdo já acumulava quase 20 milhões de visualizações. A GE TV também teve forte desempenho, com 1,5 milhão de dispositivos conectados e 13 milhões de visualizações totais.

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Nos canais oficiais, a Confederação colheu os frutos da estratégia. A CBF TV somou 4,1 milhões de visualizações no YouTube, enquanto o perfil da entidade no Instagram ganhou mais de 500 mil seguidores em menos de 24 horas, ultrapassando a marca de 20,5 milhões, reforçando outra plataforma para ativar seus patrocinadores.

Na televisão aberta, o evento também virou produto de massa. A TV Globo marcou média de 19 pontos e pico de 23 na Grande São Paulo, desempenho muito acima da média habitual da faixa horária, que gira em torno de 14 pontos.

A cerimônia foi desenhada para ampliar o tempo de exposição das marcas. Shows como do Dilsinho, além de vídeos em homenagem a ex jogadores e ao técnico Mário Zagallo, ajudaram a transformar a convocação em um grande programa de entretenimento. Em todos os momentos, as propriedades comerciais da CBF apareciam de maneira integrada ao espetáculo.

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A dimensão do evento também impressionou nos bastidores. A convocação reuniu mais de 1.000 convidados, número recorde para esse tipo de cerimônia. Entre eles estavam parceiros comerciais, autoridades, representantes de clubes e patrocinadores. Só de jornalistas credenciados foram 700 profissionais de 14 países diferentes, reforçando o alcance internacional da ação.

Futebol feminino

O evento ainda serviu como plataforma estratégica para outro objetivo comercial da entidade: impulsionar o futebol feminino brasileiro de olho na Copa do Mundo Feminina em 2027. Aproveitando a atenção concentrada na seleção masculina, a CBF colocou no palco nomes ligados ao projeto feminino, como Aline Pellegrino, Cris Gambaré e Arthur Elias.

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A estratégia faz parte de uma modernização comercial da entidade, que tenta posicionar o futebol feminino como um produto de mídia cada vez mais relevante para patrocinadores. “Trabalhamos hoje os principais ativos do futebol feminino no Brasil e o foco tem sido executar o planejamento para maximizar essas propriedades, consolidando a modalidade como um produto de mídia altamente relevante e atraente para as marcas.

Com a Copa do Mundo de 2027 no horizonte, é preciso aproveitar de forma estratégica todas as oportunidades para construir um legado duradouro de engajamento e valor comercial que vai muito além das quatro linhas”, afirmou Mônica Esperidião, CSO da FSports, agência responsável pela comercialização dos direitos do futebol feminino da CBF entre 2025 e 2029.

Danilo Lavieri

Danilo Lavieri é jornalista experiente em cobertura de esportes, especialmente em bastidores e negócios do mundo do futebol. Atualmente, é colunista do UOL e comentarista do Canal UOL, com passagens por Abril, iG e Máquina do Esporte, com direito a coberturas de três Copas e outras importantes competições de futebol de clubes e seleções.