Lista dos times mais valiosos do mundo tem domínio inglês e só três brasileiros

Só Flamengo, Palmeiras e Botafogo estão entre os 100 times mais valiosos do mundo segundo estudo do CIES Observatório do Futebol

Danilo Lavieri

Samuel Lino, do Flamengo, comemora o quinto gol da equipe.
(REUTERS/Sergio Moraes)
Samuel Lino, do Flamengo, comemora o quinto gol da equipe. (REUTERS/Sergio Moraes)

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Apenas três clubes brasileiros aparecem entre os 100 primeiros do ranking elaborado pelo CIES, o Observatório do Futebol: Flamengo em 54ª posição com elenco avaliado em 192 milhões de euros (quase R$ 1,2 bi na cotação atual), Palmeiras em 63ª posição com 175 milhões de euros (praticamente R$ 1,1 bi na cotação de hoje) e Botafogo em 73ª posição com 122 milhões de euros, o que significa pouco menos de R$ 800 milhões.

A presença restrita de equipes do Brasil no Top 100 é o ponto central do levantamento divulgado na última semana na edição 513 do Weekly Post do CIES e sintetiza a distância financeira que separa o futebol brasileiro dos principais mercados europeus.

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O estudo deixa claro o predomínio inglês no topo da lista. O Chelsea lidera o ranking com o elenco estimado em 1,314 bilhão de euros. Segundo o CIES, 134 milhões de euros foram destinados à contratação mais cara do período, do atacante Moisés Caicedo. Na sequência aparecem o Manchester City com 1,128 bilhão de euros, o Manchester United com 1,071 bilhão, o Liverpool com 1,065 bilhão, o Arsenal com 1,001 bilhão e o Tottenham com 974 milhões. O Newcastle figura em nono lugar, avaliado em 816 milhões de euros.

“O Chelsea é um exemplo claro de como uma estrutura empresarial no futebol pode acelerar conquistas. O clube passou a pensar o futebol com lógica de projeto: scouting, base forte, elenco competitivo e metas de performance — tudo planejado e executado com precisão”, comenta Claudio Fiorito, presidente da P&P Sport Management Brasil, especializada no gerenciamento da carreira de atletas.

Fora da Inglaterra nenhum clube ultrapassou a marca de um bilhão de euros na composição de seu elenco. O Paris Saint Germain é o nono colocado entre os não ingleses e aparece em sétimo no ranking geral com 873 milhões de euros, logo à frente do Real Madrid, avaliado em 854 milhões, e do Atlético de Madrid, em décimo lugar, com 572 milhões. Entre os clubes não europeus o Al Hilal lidera, em 19ª posição, com 451 milhões de euros.

A metodologia do CIES considera os valores efetivamente pagos em contratações, incluindo bônus e empréstimos, o que ajuda a mapear quanto foi comprometido para formar os elencos atuais. Essa abordagem realça a prioridade dada por vários clubes europeus a aquisições de alto custo nos últimos ciclos. Ainda assim o Chelsea aparece como exemplo de estratégia mista, combinando investimentos pesados com apostas em jovens promissores, caso do jogador Estevão, revelado pelo Palmeiras, entre outras aquisições de perfis variados.

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O contraste entre os poucos representantes brasileiros no Top 100 e o poder de fogo dos clubes ingleses é ilustrativo. Somados, Flamengo, Palmeiras e Botafogo não alcançam metade do que cada um dos seis primeiros ingleses comprometeu para montar seus plantéis. Isso evidencia um desequilíbrio que transcende o campo esportivo e toca questões de receita, direitos de transmissão, patrocínios e capacidade de acessar mercados de capital para financiar contratações.

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“As assimetrias de informação e avaliações subjetivas da performance de atletas vão se reduzindo gradativamente ao longo dos anos, e as estimativas de quais elencos são os mais valiosos, vão cada vez mais convergir para os elencos cuja formação custou mais para seus clubes. O jogo tem um componente de imprevisibilidade enorme, mas a previsibilidade sobre o que cada atleta pode oferecer em um conjunto de muitos jogos é cada vez maior. “O rio corre pro mar””, indica Thiago Freitas, COO da Roc Nation Sports no Brasil, empresa de entretenimento norte-americana, comandada pelo cantor Jay-Z, que gerencia a carreira de centenas de atletas no mundo todo, entre eles Vini Jr.

O relatório também aponta uma aceleração nos gastos globais com transferências. Em comparação com a mesma data do ano passado os dez clubes que mais investiram em taxas de transferência para formar seus atuais elencos aumentaram os valores comprometidos em 15 por cento, subindo de 8,44 bilhões para 9,67 bilhões de euros. No recorte dos cem primeiros clubes o aumento foi de 12 por cento, de 26,23 bilhões para 29,42 bilhões de euros. Segundo o CIES essa evolução está diretamente ligada ao recorde de gastos com transferências registrado em 2025.

Para o futebol brasileiro a leitura é dupla. Por um lado existem clubes com capacidade de revelar talentos e gerar receita por meio de vendas de jogadores. Por outro lado a comparação com os elencos do Top 10 mundial mostra que a competição por estrelas no mercado internacional exige níveis de investimento e fontes de receita que nem sempre estão disponíveis no país.

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Flamengo, Palmeiras e Botafogo permanecem como as exceções nacionais no Top 100, mas sua presença isolada ressalta a necessidade de estratégias sustentáveis para reduzir a distância em relação aos grandes centros financeiros do futebol.

O levantamento do CIES funciona como um termômetro do mercado e reforça que, enquanto o futebol europeu segue elevando o teto de gastos, os clubes brasileiros tendem a disputar prioridades diferentes entre formação, venda de ativos e investimentos pontuais. A única certeza depois desta edição é que a lista evidencia não apenas quem gasta mais, mas também quem tem hoje maior músculo financeiro para competir no mercado global de jogadores.

Danilo Lavieri

Danilo Lavieri é jornalista experiente em cobertura de esportes, especialmente em bastidores e negócios do mundo do futebol. Atualmente, é colunista do UOL e comentarista do Canal UOL, com passagens por Abril, iG e Máquina do Esporte, com direito a coberturas de três Copas e outras importantes competições de futebol de clubes e seleções.