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Brasil e Haiti se enfrentam na Copa do Mundo 2026 nesta sexta-feira (19). O país caribenho volta a participar do Mundial após 52 anos e logo no segundo jogo da fase de grupos encontra o Brasil, país pelo qual muitos haitianos torciam no período em que estiveram afastados da competição.
No dia 18 de agosto de 2004, Brasil e Haiti realizaram um amistoso em Porto Príncipe que ficou conhecido como “Jogo da Paz”. A partida contou com a participação de craques brasileiros como Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho e terminou com o placar de 6 a 0 para o time visitante.
Técnico da seleção brasileira à época, Carlos Alberto Parreira lembra do cenário antes da partida, durante o deslocamento do comboio da seleção até o estádio. “Eram pessoas aglomeradas nas ruas, dos dois lados, em áreas muito pobres, favelas mesmo, mas com sorriso, acenando”, contou em uma série em vídeo do Exército Brasileiro.
“Eles conheciam todos os jogadores, chamavam pelo nome Ronaldo, Ronaldinho, não paravam. Naquele momento, naquelas horas, a guerra ficou em segundo plano”, recordou o treinador.
Além do campo, os dois países têm uma relação próxima e marcada pela cooperação, tendo estabelecido oficialmente relações diplomáticas em 1928.

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Missão da ONU
O Jogo da Paz foi realizado para marcar o início da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), comandada pelo Brasil, e criar um laço com a população local.
A missão da ONU foi uma tentativa de evitar uma guerra civil e estabilizar o país após um conflito armado ter levado a um golpe que derrubou e exilou o presidente Bertrand Aristide. Forças de paz da ONU, lideradas pelas Forças Armadas brasileiras, ocuparam o Haiti de 2004 a 2017.
O trabalho dos militares brasileiros, porém, está cercado de questionamentos. A população local fez inúmeras denúncias de abusos e violações de direitos humanos, incluindo violência, repressão a manifestantes e estupros.
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Além disso, durante o período da Minustah o país sofreu uma epidemia de cólera que matou mais de nove mil pessoas. Acredita-se que a doença tenha sido levada por oficiais das Nações Unidas e a ONU já até assumiu responsabilidade e se desculpou formalmente aos haitianos.
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Ajuda humanitária e cooperação
Durante a missão, em 2010, o Haiti ainda sofreu um forte terremoto que matou mais de 220 mil pessoas, segundo dados do governo haitiano, e deixou mais de 1,5 milhão sem teto. Assim, a Minustah e as forças brasileiras passaram a atuar também com ajuda humanitária.
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Nesta época, a Agência Brasileira de Cooperação (ABC) incluiu o Haiti em sua carteira e construiu três hospitais no país. Em 2024, ainda como resultado da parceria da ABC com o Haiti, foi inaugurado um centro de formação profissional em Les Cayes.
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Haitianos no Brasil
Outro ponto que une Brasil e Haiti é a migração. Como resultado da cooperação para lidar com a crise no Haiti, o Brasil criou em 2012 uma política migratória especial de caráter humanitário para haitianos. A iniciativa levou à emissão de 90 mil vistos humanitários.
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O pico migratório aconteceu em 2016, mas até hoje os haitianos estão atrás apenas dos venezuelanos e dos bolivianos na lista de maiores fluxos migratórios para o Brasil.
Atualmente, segundo o Ministério das Relações Exteriores, cerca de 160 mil pessoas do Haiti vivem no Brasil.
