A Argentina jogará sua segunda final consecutiva de Copa do Mundo. A vaga na decisão foi conquistada com vitória épica, de virada, por 2 a 1 sobre a Inglaterra nesta quarta-feira, em Atlanta.
O triunfo no Mercedes-Benz Stadium deixou eufóricos milhares de argentinos e premiou a seleção que mais quis jogar futebol. A Inglaterra foi castigada por armar um ferrolho muito cedo.
O técnico Thomas Tuchel empilhou zagueiros e preferiu que seu time apenas se defendesse depois de abrir o placar com Anthony Gordon. A postura defensiva demais dos europeus foi determinante para a classificação da Argentina, que buscou a virada em seis minutos, nos instantes finais, com Enzo Fernández e Lautaro Martínez, repetindo a jornada de drama e glória da seleção sul-americana no Mundial da América do Norte.

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Campeã em 1978, 1986 e 2022, a Argentina persegue o tetra e o bi de forma consecutiva, repetindo feito que apenas Itália (1934 e 1938) e o Brasil (1958 e 1962) alcançaram na história.
Argentina e Espanha decidem quem ergue a taça mais cobiçada do planeta no domingo, 19. A bola rola às 16h (de Brasília) no MetLife Stadium, em East Rutherford.
A semifinal em Atlanta foi mais um jogo de Libertadores do que de Copa do Mundo, sobretudo no primeiro tempo. Houve pouco futebol e mais provocações, discussões e faltas. Era esperado, dada a tensão que existe entre as duas seleções.
A Guerra das Malvinas, o gol do século, a Mão de Deus, todos esses componentes entraram em campo, embora treinadores e jogadores haviam dito antes do confronto que o contexto histórico não influenciava as seleções.
Foi notório o ambiente tenso em campo. Até os minutos, o juiz havia apitado sete faltas, e tinha intervindo em duas discussões mais ríspidas entre os jogadores. Cada falta gerava um bate-boca, e o jogo pouco fluiu até os 15 minutos iniciais.
Só aconteceu aos 32 minutos a primeira finalização, um cabeceio torto de Stones que não causou nenhum perigo a Dibu Martínez. Messi e Bellingham, os mais procurados em campo, foram anulados pelas defesas, em alguns momentos com faltas mais duras, recursos que ambos utilizaram. Foram em cima deles as infrações que geraram amarelos a Lisandro Martínez e Elliot Anderson.
As faltas em profusão deram lugar a um jogo de bom nível técnico à medida que ingleses e argentinos buscaram o gol na segunda etapa. O cenário porque ambos deixaram de se estudar e passaram a arriscar mais.
Julián Álvarez quase encontrou, duas vezes, no início do segundo tempo. o gol que tanto buscou a Argentina. Parou em Pickford e depois viu sua finalização bater na rede pelo lado de fora.
A bola ficava mais com a Argentina, que trocava passes curtos com paciência, e procurava sempre o seu craque. Até encontrou, mas Messi, perseguido por mais de um marcador, não estava no melhor de seus dias.
A Inglaterra, armada para contra-atacar em transições rápidas, conseguiu tudo o que mais queria. Valeu-se de falhas em sequência da defesa argentina e encontrou o seu gol aos 19 minutos com Gordon, que pouco havia participado da produção ofensiva.
O atacante do Barcelona apareceu nas costas de Molina para completar cruzamento na medida de Morgan Rogers. O ataque começou com lançamento de Harry Kane, um camisa 9 que muitas vezes é 10.
A Inglaterra, então, se retraiu demais e abriu mão de jogar muito cedo, depois dos 15 minutos.
Tuchel resolveu tirar Gordon e pôr um zagueiro, Konsa, o que alavancou a pressão intensa exercida pelo time sul-americano, quase sempre apostando em cruzamentos.

Nico González e Mac Allister causaram grande perigo com quatro cabeceios, dois cada. González colocou Pickford para trabalhar e depois levou perigo com cabeceio rente à trave, que Mac Allister acertou com uma cabeçada violenta. Mais tarde, Enzo Fernández exigiu nova defesa do goleiro inglês, em finalização de fora da área.
O gol argentino parecia questão de tempo – e foi. Os atuais campeões foram premiados pela insistência e os ingleses, castigados por se limitarem a defender-se, como quis seu treinador, depois que Enzo Fernández, depois de tanto insistir, balançou a rede.
O meio-campista, estrela justamente de um time inglês, o Chelsea, empatou o jogo aos 40 minutos, com bonita finalização da intermediária.
A pressão continuou até a Argentina descolar a virada com Lautaro Martínez, no acréscimo. O atacante fez de cabeça o gol da classificação argentina, premiando quem quis jogar bola, e não a seleção que preferiu apenas se defender. Mérito de Lionel Scaloni, que derrubou o medroso alemão Thomas Tuchel.
FICHA TÉCNICA
INGLATERRA 1 X 2 ARGENTINA
INGLATERRA – Pickford; Reece James (Burn), Stones (Toney), Guéhi e Spence (Rashford); Rice (O’Reilly) e Elliot Anderson; Rogers, Bellingham e Gordon (Konsa); Harry Kane. Técnico: Thomas Tuchel
ARGENTINA – Dibu Martínez; Molina (Montiel), Romero, Lisandro Martínez (Otamendi) e Tagliafico (Lautaro Martínez); Simeone (De Paul), Paredes (Nico Gonzáles), Mac Allister e Enzo Fernández; Messi e Julián Álvarez. Técnico: Lionel Scaloni.
GOLS – Gordon, aos 9, Enzo Fernández, aos 40, e Lautaro Martínez, aos 46 minutos do segundo tempo.
CARTÕES AMARELOS – Elliot Anderson, Lisandro Martínez, Romero e De Paul.
ÁRBITRO – Ismail Elfath (Estados Unidos).
PÚBLICO – 68.239 torcedores.
LOCAL – Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, EUA.