Jogadores iranianos descrevem como a guerra afeta sua preparação para a Copa do Mundo

O Irã jogará suas duas primeiras partidas perto de Los Angeles, cidade que possui uma grande comunidade iraniana, muitos dos quais se opõem ao governo atual

Estadão Conteúdo

Durante a Copa da Ásia da AFC, na Semifinal, jogo entre seleções do Irã e do Catar, no Estádio Al Thumama, Doha, Catar. O iraniano Alireza Jahanbakhsh comemora após marcar o segundo gol da equipe. (Foto: REUTERS/Molly Darlington/Foto de arquivo)
Durante a Copa da Ásia da AFC, na Semifinal, jogo entre seleções do Irã e do Catar, no Estádio Al Thumama, Doha, Catar. O iraniano Alireza Jahanbakhsh comemora após marcar o segundo gol da equipe. (Foto: REUTERS/Molly Darlington/Foto de arquivo)

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Integrante do Grupo G da Copa do Mundo que será disputada nos Estados Unidos, México e Canadá, o Irã vai para a disputa do torneio de seleções enquanto está em guerra com o principal país anfitrião, uma situação inédita na história da competição.

Em entrevistas exclusivas à Associated Press durante um período de treinos da seleção na Turquia, dois membros do elenco iraniano descreveram como o conflito está afetando os preparativos para a Copa do Mundo.

“Bem, para ser honesto, não é fácil”, disse Saeid Ezatolahi, um meio-campista de 29 anos que também jogou pelo Irã nas Copas do Mundo de 2018 e 2022.

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“Esta será minha terceira Copa do Mundo. Então, para mim e para alguns outros jogadores, pode ser mais fácil lidar com esse tipo de coisa”, disse ele em inglês à margem de um treino na quarta-feira. “Mas, no fim das contas… vai ser difícil para nós porque, ao mesmo tempo, estamos acompanhando as notícias do nosso país e as questões políticas, é claro, podem afetar o psicológico dos jogadores e das pessoas.”

A seleção iraniana passou mais de duas semanas na Turquia, treinando principalmente no balneário de Antalya, e alguns jogadores foram à capital, Ancara, para solicitar vistos na embaixada dos EUA. O acesso da mídia à preparação para a Copa do Mundo tem sido limitado, e os jogadores raramente falam com jornalistas internacionais.

A equipe está pronta para viajar ao México neste fim de semana, após receber os vistos da embaixada mexicana em Ancara. A equipe informou na quinta-feira que o processo de obtenção das permissões de entrada foi finalizado para todos os membros do elenco. Problemas com o processamento dos vistos fizeram com que a base de treinamento da seleção iraniana para a Copa do Mundo fosse transferida de Tucson, Arizona, para Tijuana, na fronteira do México com a Califórnia.

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O Irã jogará suas duas primeiras partidas perto de Los Angeles, cidade que possui uma grande comunidade iraniana, muitos dos quais se opõem ao governo atual.

“Com certeza, esperamos ter muitos torcedores durante nossos jogos no estádio”, disse Ezatolahi. “E isso vai gerar muita pressão para nós, porque a expectativa será alta. Só espero que possamos orgulhá-los e mostrar que os iranianos estão preparados para qualquer desafio no mundo”, concluiu.

Mohammad Ghorbani, de 24 anos, vai disputar sua primeira Copa do Mundo pelo Irã. “É verdade que estamos enfrentando circunstâncias especiais agora, mas somos jogadores de futebol e temos que jogar, treinar e nos preparar para as competições que temos pela frente”, disse o jogador, que atua em Abu Dhabi, à Associated Press em farsi.

“Por outro lado, sabemos que o nosso povo tem passado por muitas dificuldades durante a guerra, e estamos lá por eles, para obter os melhores resultados para a sua alegria e a alegria do povo do nosso país.”

A equipe só precisa entrar nos Estados Unidos no dia 14 de junho, um dia antes de sua primeira partida contra a Nova Zelândia, no estádio do Los Angeles Rams, em Inglewood.

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