Nunca siga o dinheiro, siga o propósito, diz campeão olímpico Lucas Pinheiro Braathen

Esquiador conta por que trocou a Noruega pelo Brasil, montou a própria equipe e transformou propósito em performance — dentro e fora das pistas

Marina Verenicz

Reprodução Infomoney
Reprodução Infomoney

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Medalha de ouro nos Jogos de Inverno deste ano, o esquiador Lucas Pinheiro Braathen afirmou, neste sábado (25) que o dinheiro não deve ser o principal critério na construção de uma carreira. Para o esquiador, resultados financeiros surgem como consequência de escolhas guiadas por propósito.

“Nunca siga o dinheiro, siga o propósito. Dinheiro é um resultado disso”, disse Braathen em entrevista exclusiva para o InfoMoney durante a Expert XP, ao ser questionado sobre o que aprendeu a respeito de finanças ao longo da trajetória como atleta profissional.

A declaração resume parte das decisões tomadas pelo esquiador nos últimos anos, entre elas a escolha de competir pelo Brasil. Filho de mãe brasileira e pai norueguês, Braathen afirmou que a mudança lhe deu mais liberdade para conduzir a carreira de acordo com seus valores e com a forma como entende o esporte de alto rendimento.

“Representando o Brasil, a liberdade foi o valor mais importante. A liberdade de ser quem eu sou, de buscar crescimento de uma maneira em que eu confio e representar os meus valores verdadeiros”, afirmou. Segundo ele, esse ambiente permitiu ampliar seu potencial como atleta.

A escolha, porém, exigiu a construção de uma estrutura própria. Braathen contou que criou uma equipe nova, do zero, junto com o seu pai, enquanto os demais atletas de esqui alpino normalmente integram organizações nacionais de maior porte, responsáveis pela preparação, logística e financiamento de competições.

“Foi um desafio grande criar essa equipe junto com meu pai. Mas a quantidade de crescimento que isso ofereceu foi uma coisa muito boa para mim”, disse.

Convicções como guia

A montagem de uma equipe também exigiu uma estratégia comercial capaz de sustentar uma modalidade com custos elevados e pouca tradição no Brasil. Braathen afirmou que buscou parceiros com atuação dentro e fora do país para financiar o projeto e ampliar o alcance de sua história.

“Eu precisava construir uma equipe com um ecossistema de patrocinadores e parcerias globais”, afirmou. A estratégia, segundo ele, envolvia gerar impacto no Brasil, apresentar a trajetória brasileira no exterior e aproveitar oportunidades comerciais em outros mercados.

O atleta reconheceu que o processo foi difícil porque exigiu criar caminhos ainda pouco explorados no esporte nacional. “Você precisa abrir portas que nunca foram abertas, mas é exatamente isso que é fundamental para criar uma diferença”, disse.

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Braathen também relacionou sua experiência no esporte à tomada de decisões em ambientes de pressão. Para o esquiador, momentos que exigem respostas rápidas dependem da capacidade de reconhecer as próprias convicções. “É necessário se conectar com a sua intuição, com as suas sensações, e deixá-las virarem o seu guia”, afirmou.

Ele também disse que uma decisão pode gerar aprendizado mesmo quando o resultado imediato é negativo. “Mesmo se essa decisão for um sucesso ou não, é um sucesso. Porque, se você perder por causa dessa decisão, ainda é crescimento. E isso vai ser a fundação do sucesso que está esperando você à frente”, declarou.