Expert XP: Agassi surpreende e dá conselho bem-humorado a João Fonseca

Em participação na Expert XP 2026, lenda do tênis exaltou o talento do brasileiro e ressaltou a importância de equilíbrio competitivo e maturidade para jovens promessas

Iuri Santos

(Foto: Fábio Rizzato / InfoMoney)
(Foto: Fábio Rizzato / InfoMoney)

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Andre Agassi elogiou o brasileiro João Fonseca durante participação na Expert XP 2026, dizendo que o jovem tenista, apontado como uma das maiores promessas do circuito, precisa desenvolver discernimento para lidar com a quantidade de conselhos que recebe no início da carreira. Ao comentar que conselho daria ao atleta, o ex-número 1 do mundo respondeu em tom bem-humorado: “Não ouça as pessoas que querem dar conselhos”.

Na sequência, Agassi explicou que a fala não deve ser interpretada como um incentivo à resistência cega, mas como um alerta sobre a importância de questionar, filtrar e interpretar o que se ouve ao longo da trajetória profissional. Para ele, um talento em ascensão precisa aprender a separar ruído de orientação útil.

Ainda assim, o americano compartilhou recomendações que daria a Fonseca. Segundo Agassi, o brasileiro deve buscar compreender com clareza seus pontos fortes e, sobretudo, encontrar equilíbrio competitivo.

“Eu o ajudaria a entender o equilíbrio entre, talvez, aceitar jogar pior e ainda assim vencer. A coisa mais difícil no tênis é jogar nesse nível quando você só precisa jogar na média. Então, eu diria: sei que é bom ser brilhante, mas não tente ser brilhante. Tente ser melhor do que dizem que você é”, afirmou.

Ao falar sobre os jogadores de que mais gosta de assistir, Agassi incluiu João Fonseca em seu top 3, ao lado de Novak Djokovic e Roger Federer. “É impossível não gostar de assistir a jogadores dinâmicos em quadra, seja pela velocidade, seja pela capacidade de defesa”, disse.

A reconstrução de Agassi

Andre Agassi, um dos maiores nomes da história do tênis, afirmou na abertura da Expert XP 2026 que passou grande parte da vida encarando o esporte mais como um peso do que como uma paixão. Campeão de oito títulos de Grand Slam, o norte-americano contou que a relação difícil com o tênis começou ainda na infância, sob forte pressão do pai, que via no talento do filho uma chance de ascensão para a família.

“Na primeira página da minha biografia, eu admito: mesmo sendo bom no tênis, durante a infância e em grande parte da minha carreira profissional, eu nunca gostei de jogar”, disse. “Minha única opção para manter a paz era ganhar.”

No painel, Agassi descreveu o impacto emocional dessa cobrança ao longo da trajetória. Segundo ele, sua identidade foi construída em torno da lógica da vitória e da derrota. “Minha infância foi incinerada. Minha identidade inteira se tornou ‘ganhar ou perder’. A única saída era ser bem-sucedido. E o medo pode ser um baita motivador”, afirmou.

Profissionalizado aos 16 anos, ele alcançou rapidamente a elite do circuito e conquistou seu primeiro Grand Slam em Wimbledon, em 1992. O sucesso, porém, não encerrou o conflito com o esporte. Em 1997, em meio à desilusão com o tênis e a dificuldades na vida pessoal, Agassi se afastou momentaneamente das quadras e caiu para a 141ª posição do ranking mundial.

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Foi nesse período que, segundo ele, começou o processo de reconstrução. Com um empréstimo de US$ 40 milhões, deu início a um projeto educacional voltado a crianças de baixa renda e passou a enxergar a própria trajetória sob outra perspectiva. “Eu decidi que só porque não escolhi minha vida, isso não queria dizer que eu não pudesse assumir o controle dela”, contou.

O retorno ao circuito, em 1998, veio com uma mudança de postura. Agassi afirmou que, pela primeira vez, queria de fato estar em quadra — e que essa reconexão foi determinante para a reta final de sua carreira. “A principal diferença é que, quando voltei, eu queria estar lá. Me conectei com o que estava fazendo. Nada me distrairia dos meus resultados, dos meus desapontamentos ou até dos meus sucessos”, disse.

Entre 1998 e a aposentadoria, em 2006, o americano conquistou mais cinco títulos de Grand Slam, encerrando a trajetória em uma fase marcada por maturidade, resiliência e reconexão com o esporte. “Quando seu corpo está fraco, ele diz à sua mente o que fazer”, resumiu.

Iuri Santos

Repórter de inovação e negócios no IM Business, do InfoMoney. Graduado em Jornalismo pela Unesp, já passou também pelo E-Investidor, do Estadão.