Evento do Orgulho em Seattle põe Fifa no centro de impasse com Egito e Irã

Países criminalizam relação entre pessoas do mesmo sexo, mas realizam jogo no calendário de celebrações do Orgulho LGBT na cidade

Iuri Santos

Pessoas protestam em Nova York após remoção da bandeira LGBT+. Foto: REUTERS/Eduardo Munoz
Pessoas protestam em Nova York após remoção da bandeira LGBT+. Foto: REUTERS/Eduardo Munoz

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O jogo entre Egito e Irã pela Copa do Mundo na madrugada de sexta-feira (26) para sábado (27) pode gerar um conflito entre as equipes e a Fifa. Marcada para um dia de ações dedicadas à comunidade LGBT+ na cidade de Seattle, a partida pode atrair manifestações nas arquibancadas de torcidas cujos países criminalizam relações entre pessoas do mesmo sexo.

Tradicionalmente, a cidade de Seattle organiza um calendário de celebrações do Orgulho LGBT+ na última semana de junho. A Copa do Mundo entrou na agenda deste ano, com um evento batizado de “Pride Match Day” — algo como “Dia da Partida do Orgulho”, em português, programado pelo comitê organizador da Copa na cidade.

Acontece que o evento foi marcado antes de a Fifa realizar o sorteio dos grupos para o torneio. Quando isso aconteceu, em 5 de dezembro de 2025, seriam definidos os oponentes para o jogo na cidade no dia 26 de junho: Egito e Irã.

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Países criminalizam a homossexualidade

Rapidamente, os países reagiram. Um comunicado publicado pela Federação Egípcia de Futebol em 9 de dezembro dizia que a entidade “rejeita categoricamente a realização de quaisquer atividades relacionadas ao apoio à homossexualidade durante a partida entre a seleção egípcia e o Irã”.

De acordo com a Federação, a carta reconhecia os esforços da Fifa em garantir um ambiente respeitoso e acolhedor para todos os torcedores, mas que deveria “evitar a inclusão de atividades que possam provocar sensibilidades culturais e religiosas entre os torcedores presentes dos dois países, Egito e Irã, especialmente porque tais atividades são cultural e religiosamente incompatíveis com os dois países”.

A Human Dignity Trust, uma organização internacional dedicada a buscar na justiça a descriminalização de relações homossexuais no mundo, aponta que pessoas do mesmo sexo podem sofrer pena de morte no Irã. Segundo a instituição, há evidências de que a lei tem sido aplicada nos últimos anos.

No Egito, a pena máxima é de três anos de prisão e multa. De acordo com a Human Dignity Trust, a regra se aplica apenas para homens e também há documentação de prisões envolvendo atividades sexuais entre pessoas do mesmo sexo — em alguns casos, extrapolando o limite legal de três anos.

Em uma resposta ao veículo The Athletic publicada em reportagem na última quarta-feira (24), a Federação Iraniana de Futebol disse sua posição: “Nenhuma cerimônia ou atividade promocional associada a esse movimento deve ser feita dentro do estádio ou como parte do ambiente da partida”.

“Acreditamos que a Fifa deva levar em conta as visões e preocupações dos times participantes sobre assuntos relacionados ao ambiente da partida e a apresentação do estádio”, disse a Federação ao veículo, destacando que a entidade organizadora da Copa do Mundo foi comunicada em carta.

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A Fifa garantiu ao The Athletic, no entanto, que permite a entrada de bandeiras de arco-íris nos estádios da Copa do Mundo.

Em uma entrevista concedida ao jornal suíço Weltwoche ainda no início do ano, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, disse que precisava “esclarecer que não haverá uma ‘Partida do Orgulho’ na Copa do Mundo. Haverá uma partida da Copa do Mundo em Seattle e, no mesmo dia, eventos de organizações externas na mesma cidade. Não tem nada a ver com a partida em si”.

Organizadores do evento

A página oficial do Comitê de Seattle para a Copa do Mundo registra um evento chamado “Pride Match Day”. O evento é descrito como uma celebração da cidade em torno da visibilidade, do sentimento de pertencimento e da comunidade. O evento, diz a página oficial, é ancorado na Copa do Mundo da Fifa.

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No site, o comitê convida visitantes a assistirem ao jogo em festas pela cidade. Também é destacada uma travessia da cidade conectando pontos-chave relacionados à Copa do Mundo, mas sob uma perspectiva LGBT+.

Diferentemente de outras Copas do Mundo, a Fifa estabeleceu comitês locais para a edição de 2026. A medida permite que as 16 cidades-sede sejam capazes de maximizar os benefícios comerciais com patrocínios e parcerias para gerar impacto econômico localmente.

Em sua página oficial, o comitê de Seattle aponta a diversidade como um de seus valores. “Estamos projetando uma experiência para a FWC26 que se fundamenta não apenas nos valores que compartilhamos — refletidos nos 6 Pilares de Legado que norteiam nosso trabalho —, mas também na forma como apresentaremos os jogos, com uma energia inclusiva e festiva que captura nosso espírito e cria memórias duradouras”, diz.

Iuri Santos

Repórter de inovação e negócios no IM Business, do InfoMoney. Graduado em Jornalismo pela Unesp, já passou também pelo E-Investidor, do Estadão.