Entenda por que ser candidato à presidência do Real Madrid custa mais de R$ 1 bilhão

Clube espanhol exige garantia financeira equivalente a 15% do orçamento anual para validar candidaturas

Agência O Globo

Florentino Pérez, presidente do Real Madrid, marca presença no tapete vermelho do 25º Laureus World Sports Awards (Wikimedia Commons)
Florentino Pérez, presidente do Real Madrid, marca presença no tapete vermelho do 25º Laureus World Sports Awards (Wikimedia Commons)

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Ser presidente do Real Madrid não depende apenas de popularidade, história no clube ou apoio político. Para sequer entrar na disputa eleitoral do gigante espanhol, é preciso comprovar uma capacidade financeira fora da realidade da maioria dos empresários do futebol mundial: mais de R$ 1 bilhão em garantias bancárias.

A exigência voltou ao centro das atenções nesta terça-feira, depois que Florentino Pérez anunciou a convocação oficial de eleições e confirmou que tentará a reeleição no comando do clube.

— Lamento dizer-vos que não me vou demitir. Pedi à junta eleitoral que inicie o processo para as eleições para a junta diretiva, à qual esta junta diretiva se vai apresentar — afirmou o dirigente.

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Segundo os estatutos do clube, qualquer candidatura precisa apresentar um pré-aval bancário equivalente a 15% do orçamento anual do Real Madrid. Com as receitas atuais girando em torno de 1,28 bilhão de euros, o valor exigido chega a 187 milhões de euros — aproximadamente R$ 1,07 bilhão na cotação de R$ 5,73.

Na prática, o mecanismo funciona como uma garantia financeira para proteger o clube em caso de prejuízos causados pela gestão eleita. O problema é que o valor precisa ser sustentado exclusivamente pelo patrimônio pessoal dos integrantes da chapa, e não apenas pelo candidato à presidência.

Além disso, o custo para obter um aval desse tamanho pode chegar a cerca de 2 milhões de euros — aproximadamente R$ 11,4 milhões — apenas em taxas e operações bancárias.

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Uma mudança recente no estatuto endureceu ainda mais o processo eleitoral. Antes, o aval definitivo podia ser apresentado após a vitória nas urnas. Agora, o documento precisa estar totalmente validado no momento da posse da nova diretoria.

O clube ainda impõe outras barreiras. Para disputar a presidência, o candidato precisa ter nacionalidade espanhola e ao menos 20 anos consecutivos como sócio do Real Madrid. Integrantes da diretoria também precisam cumprir exigências mínimas de tempo de associação.