Copa se despede do Canadá nesta terça-feira; qual legado esportivo fica para o país?

Suíça x Colômbia marcou o último jogo no país, em edição histórica para os canadenses

Iuri Santos

Oitavas de final da Copa do Mundo da FIFA 2026 entre Suíça e Colômbia no BC Place, em Vancouver, Canadá - 7 de julho de 2026. (Foto: REUTERS/Lee Smith)
Oitavas de final da Copa do Mundo da FIFA 2026 entre Suíça e Colômbia no BC Place, em Vancouver, Canadá - 7 de julho de 2026. (Foto: REUTERS/Lee Smith)

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O Canadá se despediu da Copa do Mundo no último sábado (4), após perder por 3 a 0 para Marrocos nas oitavas de final. Depois da melhor campanha de sua história no torneio, o país também se despede nesta terça-feira (7) como anfitrião da edição de 2026.

A partida entre Suíça e Colômbia, às 17h (de Brasília), no BC Place, em Vancouver, foi a última realizada em território canadense. Como o México, outro país-sede do torneio, também não receberá mais jogos, todas as partidas restantes serão disputadas nos Estados Unidos.

Apesar da eliminação por placar elástico, o Canadá deixa a competição com motivos para comemorar. Pela primeira vez, a seleção avançou da fase de grupos e venceu uma partida de mata-mata, somando seus primeiros pontos em três participações em Copas, com campanha de duas vitórias, um empate e duas derrotas.

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Pela ida às oitavas de final, o Canadá garantiu US$ 18,5 milhões em premiação: US$ 10 milhões pela classificação, US$ 2,5 milhões para custos de preparação, US$ 2 milhões pela participação nas oitavas e US$ 4 milhões pela fase de grupos.

Cerca de metade do valor será destinada aos jogadores, enquanto parte dos recursos arrecadados durante o torneio deve financiar um novo centro de treinamento para a seleção principal, equipes de base e programas de desenvolvimento.

A Canada Soccer, entidade que administra a seleção nacional, aposta que a visibilidade trazida pela Copa ajudará a elevar o engajamento com o futebol no país. Em entrevista ao jornal Vancouver Sun, o CEO da organização afirmou esperar ao menos mais duas partidas em casa ainda neste ano, diante de rivais de maior expressão, em meio ao crescimento da relevância esportiva do Canadá.

Gastos e infraestrutura

Em maio de 2026, um órgão federal de fiscalização do Canadá estimou que o país gastaria cerca de US$ 727 milhões para sediar a Copa do Mundo. Segundo o Diretor Parlamentar de Orçamento, o custo médio por jogo foi calculado em US$ 58 milhões.

O aporte do governo federal ao torneio foi de US$ 418 milhões, enquanto o restante foi dividido entre outras esferas de governo. Ao todo, 13 partidas foram disputadas no país, em Toronto e Vancouver, cujos gastos foram estimados em US$ 268 milhões e US$ 407 milhões, respectivamente.

Toronto investiu mais de US$ 84 milhões para modernizar o BMO Field para a Copa do Mundo e também informou ter feito melhorias no Centennial Park, onde foram realizados treinamentos para o torneio. Já o BC Place, em Vancouver, passou por uma reforma com custo estimado entre US$ 125 milhões e US$ 130 milhões.

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Embora o legado esportivo costume ser apontado como uma das justificativas para sediar Copas do Mundo, especialistas muitas vezes relativizam seu impacto real. Há questionamentos sobre a necessidade de receber um evento desse porte e de realizar adaptações submetidas a exigências rígidas da FIFA, nem sempre capazes de gerar ganhos estruturais duradouros para os estádios.

No caso de Vancouver, a reforma do estádio local se tornou um elemento central no debate sobre a permanência do Whitecaps, clube da MLS, na cidade. Desde 2024, a franquia está à venda pela liga americana, e há o risco de que seja comprada por um investidor de outro mercado.

Iuri Santos

Repórter de inovação e negócios no IM Business, do InfoMoney. Graduado em Jornalismo pela Unesp, já passou também pelo E-Investidor, do Estadão.