Copa do Mundo nos EUA tem gramados como desafio central para Fifa

Estádios com característica multiuso trazem desafio maior para que o piso esteja na condição ideal da prática do futebol

Danilo Lavieri

Placas da Copa do Mundo de 2026 no MetLife Stadium durante um exercício e treinamento de resposta a emergências antes do torneio, em East Rutherford, Nova Jersey - 18/04/2026 (Foto: REUTERS/Bing Guan)
Placas da Copa do Mundo de 2026 no MetLife Stadium durante um exercício e treinamento de resposta a emergências antes do torneio, em East Rutherford, Nova Jersey - 18/04/2026 (Foto: REUTERS/Bing Guan)

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A contagem regressiva para a Copa do Mundo de 2026 colocou um tema técnico no centro das atenções da FIFA: os gramados. Em uma edição que será disputada em três países e terá o maior número de seleções da história do torneio, a entidade passou a lidar com um desafio que resume a transformação das arenas modernas, cada vez mais voltadas para múltiplos eventos e menos adaptadas ao futebol tradicional.

O cenário é especialmente relevante nos Estados Unidos, onde estarão 11 dos 16 estádios da competição. Diferentemente do modelo mais comum em outros países, grande parte dessas arenas funciona praticamente sem pausas ao longo do ano, recebendo jogos da NFL, shows internacionais, eventos corporativos e atrações de entretenimento de grande porte.

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Isso faz com que a preparação para o Mundial vá muito além da montagem da competição. Estádios como MetLife Stadium, Mercedes-Benz Stadium e SoFi Stadium precisaram iniciar um processo de adequação estrutural para atender às exigências da FIFA, sobretudo em relação às dimensões dos campos e à implementação de gramados naturais.

“A Copa acaba funcionando como um grande termômetro para o mercado esportivo. O modelo americano coloca em evidência uma realidade que já começa a crescer em outros países: arenas operando praticamente todos os dias, com demandas cada vez mais complexas. Isso acelera o olhar do setor para inovação, performance e eficiência operacional”, afirma Heraldo Evans, diretor comercial da Recoma, empresa especializada em infraestrutura esportiva há 47 anos.

O desafio cresce na mesma proporção da dimensão do torneio. A Copa de 2026 terá 48 seleções e 104 partidas, número recorde na história da competição. O calendário apertado exigirá uma capacidade inédita de manutenção das superfícies esportivas, principalmente em arenas acostumadas a uma rotina intensa de utilização.

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O AT&T Stadium, em Dallas, será o palco com maior número de jogos, recebendo nove partidas. Já o MetLife Stadium sediará a final do Mundial, enquanto SoFi Stadium e Mercedes-Benz Stadium também terão partidas decisivas ao longo da competição.

Além da carga de uso, existe ainda a necessidade de adaptação física dos estádios. Em algumas arenas, setores próximos ao campo precisarão ser modificados temporariamente para adequar as medidas às exigências internacionais. No MetLife Stadium, por exemplo, parte das cadeiras inferiores será removida para ampliar o espaço destinado ao gramado.

“Em grandes eventos, o gramado precisa responder em alto nível mesmo sob condições extremas de uso. A preparação das arenas exige acompanhamento constante, planejamento técnico e soluções que garantam estabilidade da superfície durante toda a competição. É um cenário que acelerou muito a evolução da tecnologia aplicada aos campos esportivos, passando pelo plantio na fazenda, pela implementação no estádio e pela manutenção ao longo do ano”, explica Rodrigo Santos, coordenador do Centro de Gramados Esportivos e Inovação da Itograss.

Muito além do futebol

A preocupação da FIFA acompanha uma mudança definitiva na lógica de funcionamento das arenas internacionais. Os estádios modernos deixaram de depender apenas do futebol e passaram a operar como centros permanentes de negócios e entretenimento. Quanto maior o número de eventos realizados, maior também a pressão sobre infraestrutura, logística e preservação dos campos.

Por isso, o investimento em drenagem, irrigação automatizada, monitoramento climático e sistemas de recuperação rápida virou prioridade dentro da indústria esportiva. O gramado passou a ser tratado como ativo estratégico tanto para o desempenho esportivo quanto para a experiência comercial das arenas.

“Um evento como a Copa do Mundo acontecer em três países diferentes, e com 48 seleções do mundo inteiro exige um novo patamar de planejamento e infraestrutura esportiva. Além dos grandes estádios, toda a operação de montagem e desmontagem das estruturas precisa funcionar de forma estratégica para garantir agilidade, segurança e uma experiência de alto nível para os atletas, delegações e torcedores”, comenta Anderson Rubinatto, CEO da Goolaço.

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O debate não se restringe ao futebol internacional. No Brasil, clubes também convivem com um calendário cada vez mais apertado e com arenas utilizadas de maneira constante durante toda a temporada, realidade que elevou a cobrança sobre qualidade dos gramados e manutenção dos estádios.

“A excelência do gramado do Beira-Rio é fruto de um modelo de gestão que une expertise externa e rigor técnico interno. O clube conta com uma consultoria especializada para o planejamento estratégico das atividades, enquanto a execução fica a cargo de uma equipe própria altamente qualificada e comprometida. Aliado a esse capital humano, o Internacional mantém um investimento contínuo em tecnologia e insumos, garantindo que o campo apresente condições de jogo de alto nível durante toda a temporada”, afirma André Dalto, vice-presidente de administração do Internacional.

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A tendência é que a Copa de 2026 funcione como vitrine desse novo momento da infraestrutura esportiva mundial, em que o campo deixou de ser apenas parte do estádio para virar elemento central da operação.

“Existe uma preocupação cada vez maior com a capacidade das arenas de manter padrão de jogo mesmo em calendários mais apertados e operações mais complexas. Hoje, o gramado influencia ritmo de partida, desempenho físico e até recuperação dos atletas ao longo da temporada. Por isso, infraestrutura esportiva deixou de ser apenas suporte operacional e passou a ter impacto direto na experiência esportiva dentro das arenas”, conclui Cristiano Dresch, presidente do Cuiabá.

Danilo Lavieri

Danilo Lavieri é jornalista experiente em cobertura de esportes, especialmente em bastidores e negócios do mundo do futebol. Atualmente, é colunista do UOL e comentarista do Canal UOL, com passagens por Abril, iG e Máquina do Esporte, com direito a coberturas de três Copas e outras importantes competições de futebol de clubes e seleções.