CBF lança Fair Play Financeiro e impõe teto de gastos, metas e punições a clubes

Novo sistema entra em vigor em 2026 e promete mudar a gestão das Séries A e B com regras para dívidas, despesas e governança

Gabriel Garcia

SP - FUTEBOL/SUMMIT CBF ACADEMY/ANCELOTTI/XAUD - ESPORTES - O presidente da Confederação Brasileira     de Futebol (CBF), Samir Xaud,     participa da Summit CBF Academy, evento   que   aconteceu no bairro da Bela   Vista, na   região central da capital   paulista, na   manhã desta quarta-  feira, 26 de   novembro de 2025.       26/11/2025 - Foto: GABRIEL SILVA/RASPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
SP - FUTEBOL/SUMMIT CBF ACADEMY/ANCELOTTI/XAUD - ESPORTES - O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Samir Xaud, participa da Summit CBF Academy, evento que aconteceu no bairro da Bela Vista, na região central da capital paulista, na manhã desta quarta- feira, 26 de novembro de 2025. 26/11/2025 - Foto: GABRIEL SILVA/RASPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

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A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) apresentou nesta quarta-feira (26), em São Paulo, o novo Sistema de Sustentabilidade Financeira do Futebol Brasileiro, um conjunto de normas que pretende reorganizar as finanças dos clubes das Séries A e B a partir de 1º de janeiro de 2026.

O pacote, que se inspira em modelos internacionais de fair play financeiro, estabelece metas rígidas de controle de dívidas, limites de gastos com elenco e maior transparência contábil.

A fiscalização ficará sob responsabilidade da recém-criada ANRESF, agência independente dedicada à regulação do setor.

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Mantenha suas finanças sob controle neste ano

O programa parte de quatro pilares centrais.

O primeiro é o controle de dívidas em atraso, com monitoramento trimestral e registro obrigatório de todas as transações e contratos em um sistema centralizado da CBF.

A medida inclui salários, direitos de imagem e transferências, e permite que clubes e atletas acionem a agência em caso de inadimplência.

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Dívidas assumidas a partir de 2026 já estarão sujeitas às novas regras, enquanto passivos antigos entrarão no regime a partir do fim de 2026.

Outro ponto-chave é a exigência de equilíbrio operacional. Os clubes deverão apresentar superávit ou compensar eventuais déficits com aportes diretos ao patrimônio líquido.

Haverá limites progressivos para resultados negativos, que variam de acordo com a divisão: R$ 30 milhões (ou 2,5% das receitas) para a Série A e R$ 10 milhões (ou 2,5% das receitas) para a Série B. Gastos com categorias de base, infraestrutura e futebol feminino ficam fora da conta.

As advertências valem nos primeiros anos, mas o cumprimento pleno será obrigatório a partir de 2028.

O sistema também cria um teto de custos para o elenco profissional. A partir de 2028, equipes da Série A poderão destinar até 80% das receitas — incluindo transferências líquidas e aportes — para salários, direitos de imagem e amortizações, percentual que cai para 70% em 2029. Regras semelhantes serão aplicadas à Série B.

Além disso, metas graduais de endividamento definem que, até 2030, a dívida de curto prazo não poderá exceder 45% das receitas relevantes.

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O pacote prevê ainda normas específicas para casos de insolvência, obrigando clubes em recuperação a manter a folha salarial estável e limitar contratações ao valor arrecadado com vendas de atletas.

Há também restrições à multipropriedade: nenhum investidor poderá exercer influência significativa sobre dois clubes que disputem a mesma competição.

Entre as punições previstas estão advertências, multas, retenção de receitas, transfer ban, perda de pontos, rebaixamento e até cassação da licença de competição. Dirigentes também podem ser suspensos ou banidos em casos graves.