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O ex-presidente da Fifa, Joseph Blatter, criticou nesta segunda-feira (6) a decisão da entidade de suspender a punição automática aplicada ao atacante americano Folarin Balogun, liberando o jogador para atuar contra a Bélgica nas oitavas de final da Copa do Mundo. Em publicação nas redes sociais, o dirigente afirmou que “cartões vermelhos não são anulados por telefonemas políticos” e disse que o futebol “jamais deve se tornar um campo de batalha para o poder político”.
A declaração amplia a crise em torno de uma das decisões mais controversas do Mundial. A suspensão de Balogun foi revertida poucas horas depois de surgirem relatos de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conversou com o presidente da Fifa, Gianni Infantino, para pedir uma revisão do caso. Trump posteriormente confirmou o contato e comemorou publicamente a decisão da entidade.
Segundo o ex-dirigente, se um presidente intervém junto ao comando da Fifa e um jogador é liberado às vésperas de uma partida eliminatória, surge um questionamento inevitável sobre a independência das decisões da entidade.
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Como começou a polêmica com o atacante americano
A discussão teve início após a vitória dos Estados Unidos sobre a Bósnia e Herzegovina. Balogun recebeu cartão vermelho direto depois que o árbitro brasileiro Raphael Claus revisou no VAR uma entrada em Tarik Muharemovic.
Pelas regras da Copa do Mundo, a expulsão resultaria automaticamente em suspensão para a partida seguinte, o que deixaria o atacante fora do confronto contra a Bélgica.
No domingo, porém, o Comitê Disciplinar da Fifa decidiu suspender a aplicação da punição com base no artigo 27 do Código Disciplinar da entidade. Na prática, o cartão vermelho permanece registrado, mas a suspensão fica condicionada a um período probatório de um ano, permitindo que Balogun atue normalmente nas oitavas de final.
A controvérsia ganhou dimensão política após reportagens do The Athletic, da Associated Press e do New York Times revelarem que Trump entrou em contato com Gianni Infantino para discutir o caso.
Depois da decisão, o presidente americano agradeceu publicamente à Fifa por, segundo ele, corrigir uma “grande injustiça”. Mais tarde, confirmou que conversou com Infantino, mas afirmou ter apenas solicitado que o lance fosse reavaliado.
A Fifa sustenta que a decisão foi tomada de forma independente pelo Comitê Disciplinar e dentro das possibilidades previstas pelo regulamento. Até o momento, a entidade não comentou as críticas feitas por Blatter nem respondeu às manifestações da Uefa.
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Uefa e Bélgica endurecem o discurso
As reações não ficaram restritas ao ex-presidente da Fifa.
Em nota oficial, a Uefa afirmou estar “perplexa” com a medida e classificou a decisão como “sem precedentes, incompreensível e injustificável”. A entidade também declarou que a Fifa ultrapassou uma “linha vermelha” ao flexibilizar uma suspensão automática durante a principal competição do futebol mundial.
A Federação Belga de Futebol também contestou a decisão e apresentou recurso. A entidade argumenta que o regulamento da Copa prevê suspensão automática após cartão vermelho e afirma que a mudança compromete a igualdade de tratamento entre as seleções.
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O recurso mantém aberta a disputa jurídica sobre o caso, embora a expectativa seja de que Balogun permaneça à disposição dos Estados Unidos para o duelo das oitavas de final.