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O britânico Arthur Fery tornou-se apenas o quarto tenista convidado a chegar às semifinais de um torneio individual masculino de um Grand Slam, ao continuar sua trajetória dos sonhos em Wimbledon com uma vitória por 6-4, 7-6(4) e 6-0 sobre o italiano Flavio Cobolli, nono cabeça de chave, nesta quarta-feira.
Cobolli, vice-campeão do Aberto da França, foi o jogador com melhor ranking que Fery enfrentou durante o torneio, mas, na escaldante Quadra Central de Londres, o tenista de 23 anos apresentou mais uma atuação destemida para superar seu adversário.
Fery é o primeiro convidado a chegar às semifinais do torneio individual masculino de Wimbledon desde que Goran Ivanisevic conquistou o título de forma memorável em 2001, e sua tentativa de seguir os passos do croata de saque potente continuará contra o segundo cabeça de chave, Alexander Zverev.
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“Parece que fico cada vez melhor a cada partida, não consigo acreditar”, disse Fery, visivelmente surpreso, em entrevista ainda na quadra minutos depois de encerrar a partida com um ace.
“Naquele último game, senti emoções que nunca havia experimentado antes na vida.”
QUASE DESCONHECIDO
Nascido na França filho de pais franceses, criado a poucos passos de Wimbledon e formado pela Universidade de Stanford, na Califórnia, Fery chegou ao torneio na 114ª posição do ranking mundial e praticamente desconhecido do grande público britânico. As conquistas nas últimas duas semanas mudaram isso.
Sua vitória significa que ele é apenas o quinto tenista britânico na era profissional a chegar às semifinais de Wimbledon, juntando-se a Andy Murray, Tim Henman, Roger Taylor e Cameron Norrie, e será o novo número um do país na próxima semana.
Ele foi aplaudido pela rainha Camilla, que assistia da tribuna real, e já havia sido acompanhado por Kate, a princesa de Gales, em uma rodada anterior.
Fery já havia derrotado Cobolli, que estava doente, na primeira rodada do Aberto da Austrália deste ano — apenas sua segunda vitória em uma partida de Grand Slam, depois de chegar à segunda rodada de Wimbledon no ano passado.
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Mas esperava-se que o italiano desse um baque naquilo que a mídia britânica apelidou de “Fery-tale” — em referência à sua trajetória digna de conto de fadas.
ERROS DE COBOLLI
Cobolli teve a primeira chance da partida, mas não conseguiu converter um break point em 3-3 no primeiro set, e o italiano vacilou ao sacar em 4-5, cometendo uma dupla falta e, em seguida, errando um forehand, perdendo assim o primeiro set.
Fery saltou no ar e comemorou com os punhos erguidos, enquanto a torcida, aos poucos sendo assada pelo calor escaldante, vibrava em aprovação.
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Com o pai multimilionário, Loic, e a mãe, Olivia — ex-tenista francesa –, assistindo das arquibancadas, Fery se recuperou após perder o saque no início do segundo set e aumentou a pressão antes de dominar o tie-break, colocando um pé nas semifinais enquanto os erros se acumulavam para Cobolli.
Com 14 horas em quadra já nas pernas só para chegar às quartas de final, incluindo vitórias em maratonas de cinco sets nas duas rodadas anteriores, Fery não mostrou nenhum sinal de cansaço ao quebrar o saque de Cobolli no início do terceiro set.
Até mesmo o bicampeão de Wimbledon Murray era conhecido por fazer a torcida da casa passar por momentos de grande tensão em Wimbledon, mas Fery não estava disposto a prolongar o drama, mantendo um domínio absoluto sobre um adversário que simplesmente não tinha resposta para sua intensidade.
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NERVOSO, MAS SEM DESISTIR
A última resistência de Cobolli foi ter dois break points de volta no segundo game, mas, por duas vezes, Fery demonstrou incrível resiliência e destreza para se defender, conquistando ambos os pontos com smashes após percorrer quase cada fio de grama.
Fery simplesmente não errava. Mesmo quando um backhand de Cobolli desviou na rede e Fery escorregou ao tentar mudar de direção, ele ainda assim passou a bola para o outro lado e conseguiu um winner para chegar ao match point.
Depois de acertar seu oitavo ace, ele largou a raquete e caiu no gramado, sem acreditar no que estava acontecendo.
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“Joguei contra o Flavio no início deste ano e o venci na Austrália, o que foi um impulso de confiança”, disse Fery. “Eu estava muito nervoso antes, mas simplesmente continuei até o fim.”
Os únicos outros jogadores do sexo masculino que chegaram às semifinais de um Grand Slam após receberem convites para os torneios foram Jimmy Connors no Aberto dos Estados Unidos de 1991 e Henri Leconte no Aberto da França de 1992.